Duas casas abandonadas têm sido utilizadas por moradores de rua e usuários de droga na Avenida Pedro Lessa, na altura do número 417, no bairro do Estuário, em Santos.
Um dos locais, que fica na esquina da avenida com a Rua Moema, foi alvo de denúncia no site Colab, onde moradores enviam reclamações e são respondidos pela Prefeitura de Santos. Na postagem, um munícipe citou que “vizinhos reclamam que, à noite, o local vira ponto de consumo de drogas. Há mato e lixo, bem como suspeitas de focos do mosquito causador da dengue. Situação está assim há cerca de dois meses”.
A situação foi confirmada por Luiz Carlos Rodrigues, morador do bairro há 20 anos. Segundo ele, os imoveis estão nessas condições há algum tempo. “Eles invadem aí durante a madrugada para dormir. Também rola crack e o que você imaginar”.
A casa de esquina possui só as paredes em pé. No local onde ficava a porta, um tapume foi colocado, mas parte dele já foi retirado. Apesar da pichações “monitorado 24 horas” e “proibido jogar lixo” estarem espalhadas pelas paredes, o local é abandonado. Sem teto e com entulho espalhado, a área também se transformou em um possível foco para proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue, zika e da febre chikungunya.
“Os agentes vem aqui e passam em todas as casas, mas não entram lá. Um deles chegou a comentar essa semana do local e perguntou: ‘O que vocês querem? Dengue, zika ou chikungunya?’”, comentou Rodrigues.
“Teus vizinhos estão dando trabalho, né?”, falou uma outra moradora ao senhor Luiz Carlos Rodrigues, ressaltando também o problema com usuários de drogas.
Foi o próprio morador que denunciou para a reportagem do Diário do Litoral a situação em outra casa abandonada, que divide muro com a primeira reclamação. Também com a frente fechada por tapumes, o local é de fácil acesso e já teve uma das madeiras retiradas.
A reportagem constatou muito lixo espalhado por todo local. Entre os detritos estavam embalagens diversas, sapatos, brinquedos, colchões antigos, entre outros objetos. “Acho que alguns deles (moradores de rua) moram por aqui. Sempre estão aqui à noite”, disse Luiz Carlos.
Segundo o morador do bairro, ele já chegou a entrar em contato com o vereador Jorge Vieira da Silva Filho, o Carabina (PR) para cobrar uma solução. “Um rapaz que trabalha com ele veio aqui e tirou fotos, mas ainda não foi feito nada. Pedimos ajuda para o pessoal do cata-treco. Eles tiraram algumas coisas daí, mas a situação continua ruim”.
Por fim, Luiz Carlos alertou para uma outra preocupação. Um ponto de ônibus está posicionado em frente a um dos imóveis. O receio do morador é que pessoas possam ser abordadas por usuários de entorpecentes enquanto esperam pelo transporte.
Questionada sobre os problemas encontrados, a Prefeitura disse que, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, não há reclamação protocolada na Ouvidoria para esses endereços. Mas vai enviar equipe de fiscalização para os locais e caso necessário intimar o proprietário para que realize a limpeza dos mesmos, sob pena de multas.
A Administração também informou que agentes da Secretaria de Saúde vistoriaram o imóvel e não acharam nenhum criadouro do mosquito da dengue. Já a Secretaria de Segurança vai acionar a Guarda Municipal, que realizará ação conjunta com Polícia Militar.
Já a Polícia Militar disse que irá intensificar o policiamento na região.
