IML do Estuário ainda gera dúvida

Estado afirma que Estudo de Impacto de Vizinhança foi protocolado. Prefeitura diz que não. Expectativa permanece

As obras de reforma do imóvel que pode abrigar o Instituto Médico Legal (IML) e necrotério, na Rua Bernardo Browne, 122, no Estuário, seguem em ritmo lento há meses, bem como, os trâmites legais para sua implantação. Nove meses depois de o Diário publicar, com exclusividade, a possibilidade do equipamento deixar o Saboó, tanto o Estado quanto a Prefeitura de Santos não se entendem.

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Ontem, a Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC) garantiu que protocolou o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) na Prefeitura. Por sua vez, a Administração Municipal informou que sequer o Governo do Estado entrou com pedido formal de instalação do equipamento. Portanto, a implantação ainda é extraoficial e a expectativa dos moradores do Estuário permanece.

PARTICULAR.
A SPTC explica que a Prefeitura que analisará o EIV e decidirá o andamento da reforma. Por sua vez, a Administração santista aponta que “o imóvel é particular, com modo de uso cadastrado como comercial. O proprietário deu entrada na Prefeitura com uma comunicação de serviços internos, que de acordo com o Código de Edificações do Município, não exige licença”.

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Outro fator que colabora para atrasar a intenção de transferir o IML do Saboó para o Estuário, segundo o vereador Sérgio Santana (PR) é que a Lei de Uso e Ocupação do Solo precisaria sofrer alteração.

“Se houver algum projeto do prefeito no sentido de mudar a lei, encontrará resistência na Câmara”, acredita Santana. Procurada, a Administração revelou que não há previsão de alteração na lei mencionada.

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EXIGÊNCIAS.
Há quase um ano da publicação do Diário em primeira mão, a possível transferência do IML só pode ser autorizada após o documento ser protocolado no Município. Segundo a Administração, após a apresentação do EIV, serão exigidas ao empreendedor as medidas mitigadoras e compensatórias conforme análise da Comissão Municipal de Análise de Impacto de Vizinhança (COMAIV).

Posteriormente, a Prefeitura explica que o projeto arquitetônico deverá ser licenciado na Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi). “Sem essas etapas, o equipamento não pode ser instalado”, garante a Prefeitura de Santos.

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RESISTÊNCIAS.
Audiências públicas realizadas em Santos apontaram que implantação do equipamento vem sofrendo resistência em parte dos moradores do bairro, que questionam que o prédio fica a apenas três metros de um prédio residencial e que sua instalação deve aumentar o fluxo de pessoas.

Eles têm medo da desvalorização dos imóveis do entorno e da instalação da Polícia Científica regional no prédio, que acabará proporcionando acondicionamento de drogas e armas, o que gerará, segundo eles, insegurança entre os habitantes.

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Numa das audiências, foi apresentada uma proposta alternativa de locação – um imóvel na Rua Martim Afonso, 141, próximo do Palácio da Polícia – por um valor bem inferior ao que será pago pelo Estado. O aluguel custará R$ 20 mil, o seja, R$ 10 mil a menos do que o Estado pretende pagar no imóvel do Estuário (R$ 30 mil). Ainda ontem, o Governo do Estado não revelou o que falta para concluir a obra e qual a previsão de entrega do imóvel. (Carlos Ratton)