Cotidiano
As imagens foram feitas pelo biólogo e guia de observação de aves Miguel Malta Magro, que relatou ter visto o gavião observando e rondando a chácara onde havia um pato-do-mato
O carcará não é taxonomicamente uma águia, mas um parente distante dos falcões / Miguel Malta Magro
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Um clique raro flagrou um gavião-carcará (Caracara plancus) levando um patinho 'para passear' em um voo mortal. Muito provavelmente, foi a primeira e última vez que o patinho sobrevoou os céus de Suzano, no interior de São Paulo, cidade onde a foto foi registrada.
As imagens foram feitas pelo biólogo e guia de observação de aves Miguel Malta Magro, que relatou ter visto o gavião observando e rondando a chácara onde havia um pato-do-mato — 'aquela versão doméstica' — acompanhado de filhotes.
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'O carcará acabou se aproveitando de um dos filhotes distraídos, pegou um e saiu voando. Foi nesse momento que fiz o clique', contou o especialista.
O carcará não é taxonomicamente uma águia, mas um parente distante dos falcões. Pode ser visto tanto sozinho quanto em bandos numerosos, geralmente ao redor de mamíferos e carcaças. Ocorre em campos abertos, cerrados, bordas de mata e, inclusive, em centros urbanos de grandes cidades.
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De acordo com o WikiAves, não se trata de um predador especializado, mas sim generalista e oportunista. Onívoro, alimenta-se de praticamente tudo o que encontra, desde animais vivos ou mortos até resíduos produzidos pelos humanos, tanto em áreas rurais quanto urbanas. A espécie adaptou-se à presença humana, sendo vista inclusive se alimentando de vísceras de peixes em acampamentos de pescadores.
O carcará caça lagartos, cobras, sapinhos e caramujos. Também rouba filhotes de outras aves, inclusive de espécies grandes, como garças, colhereiros e tuiuiús. Costuma arranhar o solo com os pés em busca de amendoim e feijão, apanha frutos de dendê e pequi e pode atacar filhotes recém-nascidos de cordeiros e outros animais.
É comum ser avistado ao longo de rodovias, onde se alimenta de animais atropelados. Também frequenta áreas próximas a ninhais para consumir restos de comida caídos no chão, ovos ou filhotes deixados sem a presença dos pais. Em alguns casos, reúne-se a outros carcarás para abater presas maiores.
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Trata-se ainda de uma ave necrófaga, frequentemente vista voando ou pousada junto a urubus de forma pacífica, principalmente ao longo de rodovias ou nas proximidades de aterros sanitários e locais de depósito de lixo.
A espécie possui ampla distribuição geográfica, ocorrendo da Argentina até o sul dos Estados Unidos, ocupando diversos tipos de ecossistemas, com exceção da Cordilheira dos Andes. Sua maior população concentra-se no Sudeste e Nordeste do Brasil.