Cotidiano

iFood voador: agora sua comida vai ser entregue por drones na porta de casa

Entenda como a tecnologia nacional da Speedbird Aero já realiza voos autônomos para vencer o trânsito e o próximo grande desafio da empresa é operar na complexa região metropolitana de São Paulo

Nathalia Alves

Publicado em 25/03/2026 às 18:01

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A tecnologia 100% nacional da Speedbird Aero permite que pequenos robôs transportem até 5 quilos em trajetos de difícil acesso / Reprodução/Imagem feita por IA

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A imagem de um pequeno robô voador cruzando o céu para entregar uma refeição pode parecer coisa de filme de ficção científica, mas no Brasil ela já é realidade, ainda que de forma mais discreta do que muitos imaginam. O iFood, em parceria com a Speedbird Aero, tem utilizado drones para otimizar a logística de entregas, especialmente em trechos de difícil acesso para os modais terrestres.

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A trajetória dessa inovação começou a ganhar corpo em 2022, quando a empresa se tornou a primeira em toda a América a obter autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para utilizar drones no delivery. A permissão, conquistada ao lado da também brasileira Speedbird Aero, deu início a uma operação que combina veículos voadores e entregadores em um modelo multimodal.

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Mas o pontapé inicial foi dado três anos antes. Em 2019, a área de inovação do iFood voltou suas atenções para as tendências do setor de delivery e decidiu apostar na tecnologia de drones. Hoje, esses pequenos veículos autônomos já realizam entregas regulares em uma rota entre Aracaju (SE) e Barra dos Coqueiros, com capacidade para transportar cargas de até 5 kg.

Os drones atuam em conjunto com os entregadores parceiros para reduzir o tempo de espera e a emissão de gases poluentesOs drones atuam em conjunto com os entregadores parceiros para reduzir o tempo de espera e a emissão de gases poluentes/Divulgação Ifoo

O que é o drone do iFood?

O drone do iFood é um pequeno veículo autônomo não tripulado, desenvolvido com tecnologia 100% nacional pela Speedbird Aero, empresa brasileira especializada na construção de aeronaves não tripuladas. O equipamento é usado para entregar cargas de até 5 kg em locais de difícil acesso, atuando em conjunto com entregadores.

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O objetivo, desde o princípio, é utilizar esses veículos para melhorar a logística de entregas. Com eles, trechos longos são vencidos mais rapidamente, otimizando o tempo de entrega e reduzindo a emissão de CO, já que o modal é limpo e contribui para um delivery mais sustentável.

Especificações técnicas

A Speedbird Aero é, até hoje, a única empresa com dois modelos de drones aprovados pela Anac para operações BVLOS (além da linha de visão do operador) voltadas à entrega de cargas no Brasil. As certificações representam marcos inéditos e incluem diferenciais como a permissão para voos noturnos.

Cada processo de autorização levou, em média, de 12 a 24 meses e seguiu rigorosamente todas as normas de segurança, com aprovação da Anac e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

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Capacidade e performance:

  • Carga máxima: 5 kg

  • Velocidade: 50 km/h

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  • Altitude máxima: até 60 metros (equivalente a um prédio de 20 andares)

  • Resistência: ventos de até 55 km/h e chuva leve (5 mm/hora)

Segurança:

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  • GPS integrado para navegação precisa

  • Sistema de paraquedas para emergências

  • Controle remoto via centro de controle em Franca (SP)

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  • Frota dupla: dois robôs disponíveis simultaneamente

Como funciona a entrega?

Diferentemente do que muitos imaginam, o drone não vai até a porta do cliente. A ideia é que ele complemente os modais tradicionais de entrega. O processo funciona da seguinte forma:

  1. Avaliação do pedido – O restaurante parceiro verifica se a refeição pesa até 5 kg e tem dimensões compatíveis com a caixa de transporte do drone.

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  2. Droneport – Após a comida ficar pronta, um mensageiro leva o pedido até o droneport, área especial autorizada para pouso e decolagem, localizada estrategicamente próxima à demanda.

  3. Decolagem – A equipe da Speedbird Aero coloca o pedido na caixa de transporte e o drone decola. O voo é automatizado, com rota pré-planejada, e é monitorado por profissionais que podem intervir se necessário.

  4. Perna final – Ao pousar, o drone solta a caixa de transporte e retorna. Enquanto isso, a equipe retira o pedido no droneport e o entrega a um entregador parceiro, que conclui o trajeto até o cliente.

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Drones complementam entregadores, não os substituem

O iFood adota um modelo de delivery multimodal, no qual os drones atuam apenas em trechos de difícil acesso para veículos terrestres, enquanto os entregadores seguem como peça central da operação.

Atualmente, a tecnologia opera em uma única rota, entre Aracaju (SE) e Barra dos Coqueiros, com capacidade para 280 pedidos por dia. O trajeto pelo ar tem menos de 4 km e é concluído em até 30 minutos. Por terra, a mesma entrega levaria cerca de uma hora e percorreria 36 km.

Expansão e próximos passos

O iFood investiu US$ 1,8 milhão na Speedbird Aero para ampliar as rotas em 2026. O foco inicial será em regiões com barreiras geográficas, como rios e relevos acidentados, e em condomínios de difícil acesso. Os primeiros testes com a tecnologia começaram em 2019, em Campinas (SP), e em 2021 teve início a operação piloto em Aracaju.

O próximo grande desafio é levar os drones para a região metropolitana de São Paulo, onde a disputa por espaço aéreo com aeroportos e helipontos é um dos principais obstáculos. A primeira rota paulistana deve seguir o modelo já consolidado em Sergipe, conectando um shopping a condomínios residenciais.

Além dos drones, o iFood também investe em outras inovações, como pedidos por inteligência artificial no WhatsApp.

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