A entrega das obras do Hospital dos Estivadores tem novo prazo: 18 de maio próximo. A informação é do vereador Marcelo Del Bosco (PPS) que ontem, com mais três parlamentares, esteve vistoriando o equipamento, que fica na Avenida Conselheiro Nébias, 401.
Ele conseguiu a nova data com o engenheiro responsável pela obra, já que ninguém do setor da Prefeitura de Santos acompanhou a ação dos vereadores.
“Ainda falta muita coisa na parte superior do prédio e nem se fala em equipamentos. Terá que ser feito um trabalho intenso para cumprir o prazo”, disse desanimado Del Bosco, em frente ao equipamento.
Transparência – Com várias obras atrasadas e a maioria aditada, a Administração Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) resolveu impedir o acesso da Imprensa ontem e ainda tentou fazer o mesmo com a Comissão Especial de Vereadores (CEV) que acompanha aos obras do equipamento, presidida por Del Bosco, que criticou a arbitrariedade.
Com um ofício do prefeito proibindo o acesso da Comissão em mãos, Del Bosco teceu duras críticas à falta de transparência com relação às obras do hospital. “É uma prerrogativa da Câmara visitar qualquer obra. Isso não existe.
A Prefeitura avisou a Imprensa para não vir. Nós é que insistimos e, ainda sim, a Imprensa não pôde entrar. Não há motivo para isso. A coisa tem que ser transparente. Se nosso acesso fosse impedido, tomaríamos as medidas cabíveis”, disse o vereador irritado, alertando que tentaram ainda impedir que a comissão subisse nos andares superiores.
Del Bosco não se conforma com o atraso e o grande número de obras aditadas. O aditamento ocorre quando o levantamento de custos é subfaturado pelo agentes que avaliaram os gastos – um recálculo dos custos da obra.
“Esse problema já vem sendo questionado por outros vereadores. Somos cobrados pela população. Essa é a última vistoria. Vamos fazer um relatório parcial e dar um prazo para que o prefeito se manifeste”, finalizou.
Obra já custa 12 milhões a mais aos cofres
Hospital dos Estivadores já custa R$ 37 milhões aos cofres públicos e, consequentemente, ao bolso do contribuinte santista. Esse valor não corresponde ao que será gasto na compra de equipamentos, dinheiro que será enviado pelo Governo Federal.
Estima-se que, ao final, o valor deva atingir a marca dos R$ 100 milhões, oriundos de investimentos municipais e federais.
A Prefeitura de Santos havia garantido a entrega para fevereiro último, mas os atrasos constantes vem causando inconformismo à população, que conta com poucos leitos disponíveis na rede pública de saúde.
Só após a entrega do prédio é que Prefeitura poderá equipar a unidade, o que também demanda tempo.
Fora isso, existe o custeio do equipamento., que envolve não só a manutenção dos leitos e equipamentos, como a contratação de mão-de-obra – médicos, enfermeiros e profissionais das mais diversas áreas da saúde, incluindo todo o corpo administrativo da futura unidade.
Pelo projeto original, as obras – que iniciaram em 12 de fevereiro de 2014 – deveriam terminar em 18 meses, ou seja, agosto do ano passado.
O valor estimado na ocasião foi R$ 25 milhões. Quando todas as etapas estiverem concluídas, o complexo oferecerá 223 novos leitos sendo 150 para internação de adultos, 36 maternidade e obstetrícia, 20 UTI Neo-natal, e 17 UTI adulto.
O prédio terá ainda consultórios, equipamentos e espaços para vários tipos de exames, agência transfusional, posto de coleta de leite, farmácia, central de esterilização, refeitório, cozinha hospitalar, além de um auditório.
Na vistoria de ontem, que durou cerca de duas horas e sem a presença da Imprensa, participaram também os vereadores Douglas Gonçalves (DEM), Murilo Barletta (PR) e Evaldo Stanislau (Rede).
O vereador Adilson Júnior (PTB), que também é membro da Comissão Especial de Vereadores, chegou após a vistoria e não conseguiu acompanhar o grupo.
