História dos Carnavais dá bicampeonato para a Unidos dos Morros

Enredo “O Morro dá uma Volta nos Tempos Atrás para Falar de Santos, dos Antigos Carnavais” coroa desfile quase perfeito

O Grêmio Recreativo Cultural e Escola de Samba Unidos dos Morros é campeão do Carnaval de Santos. Com o enredo “O Morro dá uma Volta nos Tempos Atrás para Falar de Santos, dos Antigos Carnavais”, que narrou a história da festa de Momo na Cidade, a agremiação fatura o segundo título em três anos.

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A escola obteve quase a pontuação máxima, somando 179.8 de 200 pontos possíveis. A Padre Paulo terminou na segunda colocação, om 179 pontos, seguida pela Mocidade Amazonense e Vila Mathias. As quatro voltam a Passarela do Samba Dráusio da Cruz para o Desfile das Campeãs. Já Mocidade Dependente do Samba (175.6 pontos) e Real Mocidade (175.2) terminaram nas últimas colocações e desceram para o Grupo de Acesso.

“Tivemos um Carnaval atípico, sem quadra, com inúmeras dificuldades. Mas nós conseguimos corrigir nossos erros. O fator de não ter a quadra ajudou na harmonia da escola porque fizemos ensaios itinerantes nas comunidades, onde os componentes dançaram e cantaram. Então, favorecemos o morro no geral. O morro é grande e não ficamos só na Nova Cintra, descemos para o São Bento, para vários lugares. O que importa que hoje a comemoração é no alto da colina com a comunidade da Unidos dos Morros”, desabafou o diretor geral da agremiação, Marcio Leonídio Mota Alexandre.

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Alexandre disse que a conquista tem um sabor diferente do primeiro título, em 2014. “Tem um sabor diferente com certeza. É difícil desmarcar ensaio na comunidade por causa de chuva. Na quadra, chovendo ou não, tem ensaio. Teve vários dias que choveram, com ensaios debaixo de chuva. Ensaio-técnico foi surpreendente, muito bacana. Gradualmente vem melhorando. É um trabalho que vem sendo realizado por essa diretoria já tem um tempo e a gente espera sempre poder proporcionar um grande espetáculo”.

“Obrigado comunidade, obrigado a todos. Foi difícil fazer esse Carnaval. Lutamos com muita garra. A comunidade se uniu e agora vamos para a festa”, decretou o vice-presidente da escola Fabio Fernandes Carvalho.

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Grupo de acesso

Rebaixada no ano passado, o Grêmio Recreativo Cultural Torcida e Escola de Samba Sangue Jovem prometeu que iria voltar à elite do Carnaval santista e cumpriu. A agremiação ligada a uma torcida organizada do Santos Futebol Clube venceu a disputa no grupo de acesso e somou 178.2 pontos, ficando em 1º lugar.

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Em segundo lugar ficou a Bandeirantes do Saboó, com 176.8 e na terceira colocação a Unidos da Zona Noroeste, com 173.2. Já a Império de Vila foi rebaixada para o grupo 1. A escola foi para a avenida com 328 componentes e o número mínimo estipulado pelo regulamento era de 400. Com isso, a agremiação foi punida em 6 pontos, terminando a disputa com 162.9 pontos.

“A emoção é a maior possível. Essa torcida é o nosso amor. Voltamos da onde nunca deveríamos ter saído. Foi um ano difícil, com muita luta, mas estamos aí. Carnaval 2017 vamos trabalhar com muita humildade, respeitando todas as coirmãs. É campeã!”, disse o presidente Sangue Jovem, Wagner Barbosa de Castro, o Waguinho.

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“Foi muita luta, muita disposição. A gente conseguiu colocar na avenida o que botamos no papel antes de tudo. Parabéns a toda comunidade Sangue Jovem que sempre nos apoiou, mesmo nesse momento difícil. Também a toda a torcida e todos, muito obrigado!”, emendou Waguinho.

Grupo 1 e Pleiteantes

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A apuração das escolas de samba do grupo 1 e pleiteantes foi realizada em conjunto. Ainda pleiteante, a Mãos Entrelaçadas foi a campeã, somando 174.6 pontos. Mas apesar do título, ela não pode subir para o grupo de acesso. A pontuação garantiu que a escola saísse do posto de pleiteante para agremiação, mas era preciso ser uma escola consolidada e 178 pontos para subir de divisão.

Na segunda colocação terminou outra pleiteante, a Unidos da Baixada, que também sobe a categoria de agremiação e poderá tentar o acesso em 2017. A escola somou 170.7 pontos. Já as duas agremiações que poderiam ter conquistado o acesso, terminaram nas últimas posições. A Imperatriz Alvinegra, que perdeu 0.1 ponto por não possuir o número mínimo na ala das baianas, obteve 170.4 pontos. A Dragões do Castelo terminou em último lugar. Punida em 0,3 pontos pelo mesmo motivo da Imperatriz, a escola somou 169,7 pontos.

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“A gente fica contente por ter sido campeão. A meta era 178 pontos, creio eu que impossível do jeito que os jurados olharam para a gente. Considerada pleiteante, no segundo ano, escola nova. Eu acho que eles deveriam olhar com carinho. Fizemos um desfile bonito, grande, com 8 alegorias. Mas, fazer o que? Temos que respeitar. De todas as notas do grupo 1, só nós conseguimos um 10. Então, para atingirmos os 178 era impossível. Em todo contexto, só temos agradecer a todos, a comunidade, a diretoria. Parabéns a todos!”, desabafou Marcos Cesar dos Santos Gouveia, vice-presidente da Mãos Entrelaçadas.

“O desfile foi impecável. Mas todo grupo 1, principalmente a gente, como fomos julgados, eu acho que foram pesados na caneta.  Você fazer Carnaval, do jeito que nós trazemos para a avenida, sem verba e ter que atingir 178 pontos pelo olhar dos jurados? Impossível”, concluiu o vice-presidente.

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Suspeita de manipulação e brigas marcam apuração

O resultado da apuração do Carnaval de Santos gerou grande insatisfação por parte de algumas escolas de samba. Os mais irritados eram os membros da Mocidade Amazonense. Segundo o presidente da escola de Guarujá, Jair José, o Babão, houve manipulação dos votos.

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“Eu já sabia que ia dar a Unidos dos Morros há 1 hora. Eu fiz minha queixa, por escrito, ao secretário de Cultura e ao presidente da Liga. Tenho contato com amigos do Rio de Janeiro que me contaram que os julgadores já vieram com a orientação de dar o Carnaval para o Morro. É sacanagem, a gente monta um Carnaval, com um povo sofrido, pra acabar nisso aqui”, disse o presidente, enquanto a apuração ocorria.

Outros componentes da agremiação pediam a anulação da apuração. A gritaria tomou conta do Teatro Guarany. O secretário de Cultura Fabio Nunes, o Fabião (PSB), interrompeu a leitura das notas para pedir calma para os mais exaltados. “Meu amigo, isso aqui é um desfile de Carnaval. É preciso ter calma. Não adianta ficar gritando. Tem que aprender. Eu também já perdi muito na vida”, falou o secretário.

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No entanto, o apelo não adiantou muito. A cada nota, os ânimos dos membros das escolas de samba se exaltavam. Os representantes da X-9 optaram por deixar o teatro por não concordar com as notas apresentadas. Os membros da Pioneiras já estavam descontentes com a punição de 0.4 ponto devido a um carro alegórico, que excedeu o limite de 10 metros de altura imposto pelo regulamento.

Reclamações também partiram de componentes de outras escolas como a Brasil, Vila Mathias e União Imperial.

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Rojão e brigas

Do lado de fora do Teatro Guarany, alguns torcedores das agremiações derrotadas deixaram de seguir a apuração e iniciaram um tumulto. Jornalistas registraram pessoas vestidas com roupas da União Imperial e da X-9 atirando garrafas contra o teatro.

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A janela do teatro foi quebrada e um rojão foi atirado dentro do Guarany. Por pouco, o artefato não atinge um cinegrafistas, fotógrafos e repórteres que estavam no primeiro andar do local.

O vice-presidente da Unidos dos Morros, Fabio Fernandes Carvalho, minimizou as acusações. “Esses caras falam besteira. Ano passado ninguém falou nada. Mas nós mostramos na avenida um belo Carnaval. Está aí para todo mundo ver. É só ver no vídeo o Carnaval do Morro.

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Para evitar uma confusão maior, a Polícia Militar foi acionada para dispersar os foliões que estavam nos arredores do Guarany. Os policiais atiraram bombas de fumaça, atiraram balas de borracha e fizeram um cordão de isolamento na pista sentido Centro.

Do lado de dentro do teatro, a Guarda Municipal fechou o portão e impediu a saída de pessoas até que a situação no lado externo fosse controlada. Um membro da escola de samba Brasil se exaltou e foi contido pelos guardas. Mais tarde, após estar mais calmo, ele chegou a pedir desculpas pelo incidente.