Hipopótamo Ramon completa 15 anos no Parque Ecológico de São Vicente

Com apenas 8 meses de vida, ele chegou à Cidade e tornou-se o queridinho do local

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19 SET 2019Por Da Reportagem18h02
Hipopótamo 'debuta' no sexagésimo quinto aniversário de seu larFoto: Divulgação/PMSV

De uns 500 quilos para cerca de três toneladas, o hipopótamo Ramon completa 15 anos desde sua chegada ao Parque Ecológico Engenheiro Tércio Garcia (Rua Anita Costa, s/n – Vila Voturuá) neste sábado (21). O queridinho do local, que anima os visitantes na hora das refeições e que até foi mascote dos Jogos Regionais do Idoso (Jori) do ano passado, 'debuta' no sexagésimo quinto aniversário de seu lar.

Sua história com São Vicente começou aos seus oito meses de idade, quando veio ao Município após desmamar de sua mãe no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP). Foi acolhido em clima de festa, já que sua vinda foi motivada pelas comemorações de meio século de existência do Parque vicentino.

Desde então, Ramon conquistou corações. Uma de suas companheiras fiéis é a bióloga Carla Cerqueira, que cuida do hipopótamo desde setembro de 2004. "Pra mim, é como se ele fosse um filho. Meu carinho e meu amor por ele são incondicionais", revela.

Ela conta que quando o animal está feliz, dá cambalhotas dentro d'água e gira as orelhas. Além disso, ele reconhece toda a equipe pela voz e pelo cheiro. Outra curiosidade é que, geralmente, ele sai da água sozinha no horário de seu lanche. "E, quando ele não quer sair da água, sai ao ouvir minha voz", complementa, com orgulho.

Carla, que trabalha há 17 anos no Parque Ecológico, é a responsável pelo manejo e pela educação ambiental do local. A bióloga cuida de dieta, recinto, enriquecimento ambiental, realização dos treinos de condicionamento e estudo do comportamento das espécies silvestres. "Amo todos, mas o Ramon é meu grande xodó. É um dos animais que acompanho há mais tempo", confessa.

A profissional sente muito prazer ao falar sobre seu 'xodó' e conta uma das histórias mais marcantes e engraçadas que aconteceu com Ramon. Segundo ela, quando o mamífero veio para o Parque, haviam dito que se tratava de uma fêmea e São Vicente até havia escolhido um nome para 'batizar' o animal.

"A Prefeitura fez um concurso para decidir o nome, e o vencedor foi Hannah. Demorou bastante tempo para sabermos que era um meninão. Então, para consertar a situação, o tratador Benevaldo Lima procurou um nome parecido com Hannah e o batizou de Ramon, que é como o chamamos até hoje", fala Carla. Isso ocorreu porque, de acordo com a bióloga, o sexo dos hipopótamos é interno, e os machos só expõem seu órgão reprodutor na hora de fazer as necessidades.

Rotina

A dieta de Ramon é dividida em cinco refeições. Duas delas, às 11 e às 15 horas, são feitas junto ao público. Tendo melancia como sua fruta favorita e abóbora como o legume que mais gosta, a alimentação diária do hipopótamo soma em média 90 quilos. Frutas, verduras, capim, feno de alfafa e ração fazem parte de suas refeições.

Dois tanques de água, para que haja um revezamento semanal de limpeza, e artifícios que promovam um maior enriquecimento ambiental como troncos, boias, sorvete de frutas e afins são ofertados a Ramon.

"O tanque de trás tem bastante espaço para ele nadar e se exercitar, pois, na natureza, esses animais passam o tempo todo dentro d'água, nos rios africanos", explica Carla.

Seus treinos de condicionamento começaram em 2009 e, hoje, Ramon obedece a comandos para sair da água, abrir a boca, dar a pata e deixar tocá-lo. Este treinamento auxilia no trabalho dos funcionários, pois permite que o manejo e a realização de procedimentos cotidianos sejam realizados sem precisar de anestesias.

Há cerca de dois anos, estes treinos diários passaram a ser feitos em frente ao público, acompanhados de uma monitoria sobre o animal. "O Ramon gosta desses momentos e não o obrigamos a fazê-los. Ele faz por livre e espontânea vontade. Gera um encantamento no público a chance ver o animal de pertinho e tirar todas as suas dúvidas sobre a espécie. É o ponto alto da visitação todos os dias, porque é o único momento em que ele fica fora da água", ressalta a apaixonada pelo mascote do Parque.

Primeiro contato

Quem buscou Ramon em Sorocaba foi uma das duas médicas veterinárias do Parque, Sandra Peres, junto a outros profissionais do local. Ela conta que houve uma grande preparação para a vinda do hipopótamo para São Vicente.

Primeiramente, foi necessário possuir avaliação prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Foram muitas normativas avaliadas. Eles foram ao local, conferiram a planta do espaço e discutiram sobre a questão até que autorizaram, previamente, a construção do recinto".

Depois disso, Sandra conta que houve outra visita para medir tudo e conferir se a estrutura estava de acordo com o que foi determinado pelo órgão nacional. A partir disso, foi recebida a autorização para que Ramon fosse trazido para São Vicente.

"Eles (zoológico sorocabano) tinham dois filhotes e um casal de adultos. Nós fomos lá para conhecermos os animais, sabermos mais detalhes sobre a espécie e conversarmos com a equipe local para que conseguíssemos fazer o recinto do Ramon da melhor forma possível", relata a veterinária.

No dia da esperada vinda do animal, Sorocaba emprestou a caixa de transporte do Ramon para o pessoal do Parque Tércio Garcia. Tudo foi feito com muito cuidado e atenção.

"Não é apenas anestesiar o animal e jogá-lo no caminhão. A coisa não é bruta. Tudo tinha que ser feito com calma, com respeito ao animal, sempre pensando no seu bem-estar", afirma Sandra.

A logística para transportá-lo não foi simples. Um tipo de guincho colocou a caixa na qual o mamífero estava dentro do caminhão que o trouxe à Cidade. No trajeto, foram necessárias algumas paradas para hidratar o animal e checar suas condições. Na chegada, um segundo caminhão o pegou e levou até seu cantinho na nova casa.

"Tudo isso foi muito bem pensado. Havia muita expectativa e alegria com a vida dele para cá. Toda a experiência com ele tem sido, até hoje, um grande aprendizado para nós. Os desafios se renovam, mas sempre nos ajudam a nos construir como profissionais. E a gente vai se apegando cada vez mais aos animais ao longo dos anos", explica. 

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