Guiné tem 27 novos casos de Ebola e causa pode estar no transporte público

As autoridades do país disseram que parentes de vítimas do ebola estão transportando os cadáveres sentados entre outros passageiros no transporte público

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22 MAI 201517h54

A Guiné registrou 27 novos casos de ebola em apenas uma semana. As autoridades do país acreditam que o significativo aumento do número de pacientes se deve a casos envolvendo corpos sendo carregados no transporte público. As autoridades do país disseram que parentes de vítimas do ebola estão transportando os cadáveres sentados entre outros passageiros no transporte público.

"É lastimável que algumas famílias, com a ajuda de funcionários do transporte público, estejam vestindo cadáveres e colocando-os sentados entre outros passageiros em um táxi, como se ainda fossem uma pessoa viva, enquanto, na verdade, é o corpo de uma vítima do ebola. Todos os dias estamos achando corpos nessas condições e é isso que está ajudando o contágio", disse o capitão de polícia Claude Onivogui.

Os corpos de vítimas contaminadas pelo vírus são altamente contagiosos, mas a recomendação de não tocar nos mortos durante funerais é algo contrário a anos e anos da tradição local. Familiares ainda querem proporcionar enterros tradicionais e preparar a alma das vítimas para a vida após a morte, por isso alguns tentam transportar os corpos para suas vilas natais, caso elas tenham morrido em outros lugares.

Mais de 11 mil pessoas morreram durante a epidemia do ebola (Foto: Divulgação)

É contra a lei carregar cadáveres de uma comunidade para outra. Porém, muitos familiares estão escondendo e camuflando os corpos ao passar por agentes de inspeção, disse Rabiatou Serah, um membro do comitê anti-ebola.

Dos 27 novos casos da doença, 11 foram registrados na comunidade de Dubraka, onde as autoridades acreditam que as pessoas que ficaram doentes contraíram o vírus ao entrar em contato com pessoas que participaram do funeral de uma vítima do ebola em abril.

Muitos dos novos casos foram registrados no norte da Guiné, na fronteira com a Guiné-Bissau. As autoridades estão aumentando a vigilância na região. A perspectiva da passagem da doença para a Guiné-Bissau é alarmante, pois o país vizinho é profundamente mais pobre, sofreu anos de ditadura militar e sua infraestrutura de saúde é inferior.

Mais de 11 mil pessoas morreram durante a epidemia do ebola, que começou nas florestas da Guiné em dezembro de 2013. A Libéria, que teve mais registros de mortes do que qualquer outro país, declarou estar livre da doença. Guiné e Serra Leoa são os únicos países da África Ocidental que continuam a registrar novos casos.