Guarujá tem sua residência terapêutica

O modelo instituído em Guarujá é o Tipo 2 – pacientes com alto grau de comprometimento quanto ao quadro de saúde mental e pouca autonomia

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19 MAI 201516h22

Aos 13 anos, Thiago foi internado em um hospital psiquiátrico e depois de 15 anos, o morador de Guarujá voltou a morar em uma casa. Trata-se da Residência Terapêutica da Prefeitura de Guarujá, que foi oficialmente criada pela prefeita Maria Antonieta de Brito nesta terça-feira (19). Neste mesmo dia, os moradores da Residência comemoraram o aniversário da moradora Regina. A nova casa da aniversariante, Thiago e mais duas pessoas fica na Avenida Vicente de Carvalho 599, no Jardim Boa Esperança.

“Hoje que estamos celebrando a vida da Regina, celebramos também a vida desses moradores que passam por importantes transformações. Quantas dessas pessoas não têm para onde ir e não recebem esse acolhimento. Gostaria de ressaltar o trabalho dos servidores que dedicam a cuidar desses moradores com tanto amor, dar perspectiva de autonomia, para que possam se sentir mais pessoa e construir sua própria história de maneira individual. Tudo isso é o que essa casa propõe”, disse Antonieta.

A criação das Residências Terapêuticas em todo o País é resultado da Reforma Psiquiátrica implantada no Brasil na década de 80 e que vem gradativamente desativando os hospitais psiquiátricos. Quem era paciente e estava fadado a viver por toda vida coletivamente nos antigos “manicômios”, agora com a casa eles se tornam moradores, com toda rotina de uma casa e retomando o direito a individualidade perdida.

“Na história da luta manicomial as residências representam uma mudança radical. Finalmente essas pessoas têm seu reconhecimento como cidadãos e não pessoas esquecidas. Essa é uma forma concreta de respeitá-las. Gostaria de ressaltar que esse é um momento de orgulho para a Secretaria de Saúde e para toda a Cidade”, disse o secretário de Saúde, Rui de Paiva.

As residências terapêuticas integram as ações da Política de Saúde Mental do Ministério da Saúde, dispositivos inseridos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem como objetivo dar um local de moradia e vida a essas pessoas que são regressas de hospitais psiquiátricos.

“Estamos na semana da Luta Antimanicominal e Guarujá é um dos municípios com maior número de equipamentos de saúde destinados a essas pessoas. Este é um momento de grande importância para essa luta no Município, estamos recebendo esses munícipes de volta a nossa Cidade e para essa moradia. Eles retornam com a garantia de terem seus direitos recuperados enquanto cidadãos, com uma casa e adquirindo uma rotina simples”, declarou Iara Bega, coordenadora de Saúde Mental.

Um lugar para chamar de meu

As Residências Terapêuticas são casas, locais de moradia, destinadas a pessoas com transtornos mentais que permaneceram em longas internações psiquiátricas e impossibilitadas de retornar às suas famílias de origem.

Thiago fez questão de pintar seu quarto de azul e esse simples fato mostra que é aos poucos que ele pode adquirir hábitos e rotina diferentes do que vivia no hospital psiquiátrico. Diferente dos demais moradores, ele tem contato com uma irmã que foi adotada por outra família. Porém para a maioria, o tempo de internação rompeu as ligações e vínculos afetivos com os familiares, por isso a necessidade de uma casa destinada a esses moradores.

A Residência de Guarujá tem capacidade para 10 moradores. São apoiados por cuidadores, uma técnica de enfermagem de referência e um responsável geral. Porém a Secretaria de Saúde busca servidores em seus quadros que tenham perfil e interesse em trabalhar com esse segmento.

“Aquele servidor que se interessar a exercer esta função que não tem uma exigência de habilitação específica e sim ter perfil de personalidade para este fim, pode procurar a Secretaria de Saúde para conhecer melhor a proposta” explica Iara.

Após a implantação, Guarujá está credenciando sua residência no Programa de Volta para Casa, instituído pela Lei Federal 10.708/2003, e que dispõe sobre a regulamentação do auxílio-reabilitação psicossocial a pacientes que tenham permanecido em longas internações psiquiátricas.