Guarujá quer reduzir taxa de analfabetismo a menos de 4%

Atualmente, segundo projeções da Fundação Seade, 8,4% da população de Guarujá é analfabeta, o que corresponde a mais de 18 mil pessoas

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18 JAN 201311h47

Deixar a vergonha de lado e agarrar a oportunidade de aprender a escrever e a ler. Mostrando às pessoas que nunca é tarde para a alfabetização e com o objetivo de reduzir a taxa de analfabetismo a menos de 4%, a Prefeitura de Guarujá, inicia a campanha Cidade Livre do Analfabetismo, nesta quinta-feira (29). A campanha será lançada, às 15 horas, no Paço Municipal Raphael Vitiello (Avenida Santos Dumont, 640 – Santo Antônio).

A secretária municipal de Educação de Guarujá, Priscilla Bonini, afirmou que a ideia é sensibilizar pessoas próximas — parentes e vizinhos — a conscientizem quem não sabe ler e escrever. “Muitas pessoas que não sabem ler nem escrever têm vergonha, por isso esperamos que através da conscientização por pessoas próximas ocorra um maior número de inscrições no programa Brasil Alfabetizado”, explicou Priscilla.

O programa Brasil Alfabetizado é uma parceria da Prefeitura com o Governo Federal e a campanha visa divulgar e intensificar as aulas gratuitas de alfabetização.

Atualmente o índice de analfabetismo em Guarujá é de 8,4%, o que corresponde a mais de 18 mil pessoas, conforme dados da Fundação Seade, e a meta é reduzir a taxa para menos de 4%. Em 2000, a taxa de analfabetismo de Guarujá estava estimada em 13%, conforme levantamento da Fundação Seade.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), considera que uma cidade está livre do analfabetismo quando consegue reduzir sua taxa para menos de 4%. No Estado de São Paulo, apenas Santos, São Caetano do Sul e Águas da Prata alcançaram essa meta e foram contempladas com o selo Cidade Livre do Analfabetismo, pelo Ministério da Educação (MEC).

“A Educação é a porta de entrada para a melhoria da condição humana. Com ela o cidadão tem acesso à cultura, ao conhecimento de seus direitos, a melhores empregos e a um mundo imenso de oportunidades”, explicou secretária.

A Prefeitura mobilizará todas as unidades públicas para se tornarem um ponto de captação de alunos para serem alfabetizados. Porém, para uma ação mais eficaz, a Administração Municipal conta com a participação dos demais órgãos públicos, empresas da Cidade, organizações da sociedade civil e de cada morador de Guarujá.

“Precisamos nos unir para captarmos alunos e divulgarmos a importância de se alfabetizar neste primeiro passo, na luta pela transformação social através da Educação”, concluiu a secretária.

600 alunos alfabetizados

Segundo a coordenadora do programa Brasil Alfabetizado, Mara Goes, 600 alunos receberão o certificado de conclusão do curso no próximo dia 1º de setembro. O curso é gratuito, tem duração de oito meses e a aula tem 2,5 horas. Cada núcleo é formado por até 14 alunos.

Faixa etária e evasão

De acordo com a Secretaria de Educação, as pessoas que se inscrevem no Programa Brasil Alfabetizado têm entre 25 e 80 anos de idade e a evasão após o início do curso chega a 10% do número de inscritos.

EJA

Após a conclusão da alfabetização, a Prefeitura estimula o aluno a dar continuidade aos estudos se matriculando no programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). Cada ciclo acontece de seis em seis meses e as aulas têm duração de 4 horas.

Atualmente, de acordo com informações da Secretaria de Educação, o EJA tem cerca de 1.300 alunos matriculados. O programa Brasil Alfabetizado também atende uma média de 1.300 alunos.

Informações sobre o EJA e o Brasil Alfabetizado podem ser obtidas pelo telefone da Secretaria de Educação 3308-7000, ramal 7717, de segunda a sexta-feira.

Analfabetismo Zero

No ano passado, a Prefeitura aderiu ao projeto ‘Compromisso: São Paulo, Analfabetismo Zero’. O termo foi assinado pela prefeita Maria Antonieta de Brito e, desde então, a Cidade assumiu o compromisso de desenvolver ações para contribuir com a redução dos índices de analfabetismo no Estado até 2012.

A ação é desenvolvida em parceria com o Ministério da Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais (Undime) e a União Paulista dos Conselhos Municipais (UPCME). A ideia de implantar o compromisso surgiu durante a Conferência Estadual de Educação, após estudos apontarem o estado de São Paulo como o segundo com o maior número de analfabetos no Brasil.

Atualmente, São Paulo concentra 1,4 milhão de analfabetos (taxa de 6,6%) e só fica atrás da Bahia. O objetivo é transformar a luta pela alfabetização de jovens e adultos em uma política pública.