Guarujá: agricultura familiar é base da merenda servida nas escolas municipais

A merenda escolar servida nas escolas da rede municipal de Guarujá tem mais de 15 alimentos vindo da agricultura familiar

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26 JUL 2021Por Da Reportagem16h58
Os alimentos, cultivados por cooperativas instaladas na Cidade e também da Região do Vale do Ribeira, beneficiam os mais de 34 mil alunos da redeOs alimentos, cultivados por cooperativas instaladas na Cidade e também da Região do Vale do Ribeira, beneficiam os mais de 34 mil alunos da redeFoto: DIVULGAÇÃO/PMG

A merenda escolar servida nas escolas da rede municipal de Guarujá tem mais de 15 alimentos vindo da agricultura familiar. Os alimentos, cultivados por cooperativas instaladas na Cidade e também da Região do Vale do Ribeira, beneficiam os mais de 34 mil alunos da rede.

Nesta quarta-feira (28), por volta das 9 horas, o prefeito de Guarujá, Valter Suman, vai realizar uma vistoria técnica nas áreas trabalhadas por esses produtores, na Estrada Guarujá-Bertioga, região leste de Guarujá. Ele estará acompanhado do secretário municipal de Educação e demais representantes da Administração Municipal.

Atualmente, os itens incorporados à alimentação escolar são alface hidropônica, chuchu, banana nanica, banana prata, rúcula, mandioca, maracujá azedo, abobrinha, maçã, cenoura, abóbora, abacate, pepino, repolho, salsinha, escarola e couve manteiga. A partir de 2017, foram incorporados ao contrato (por chamada pública) alimentos como abobrinha, maçã, cenoura, abóbora, abacate, pepino, repolho, salsinha, escarola e couve manteiga.

De acordo com o secretário de Educação de Guarujá, além do serviço da agricultura familiar proporcionar uma alimentação diferenciada, de maior qualidade aos alunos, também é uma forma de valorizar o produtor local.

É o que reitera a nutricionista do setor de Alimentação Escolar da Seduc, Anna Paula Salles Maia Duarte. “Diferente dos demais, o alimento que vem da agricultura familiar apresenta qualidade muito superior, tendo em vista que são produtos orgânicos. O seu valor nutricional é melhor, por não conter agrotóxico e ser produzido à base de adubos naturais”, explica.

Agricultora de Guarujá fornece maracujá para a merenda escolar

Kátia Unten tem 40 anos e 13 deles dedicados à agricultura familiar. Sua história passa de geração para geração: foi iniciada pelo avô e depois assumida por seu pai. O sítio pertence à sua família desde 1969. Hoje é uma das três agricultoras que possuem cooperativas na Estrada Guarujá-Bertioga. Trata-se de uma área rural em meio à área urbana da Cidade.

Formada em Artes, Kátia decidiu ir para o Japão em 2002, com o objetivo de conseguir dinheiro para investir no sítio. Voltou ao Guarujá em 2007 e desde então sua vida é a agricultura. Tudo o que planta é orgânico.

Vice-presidente da Associação dos Agricultores de Guarujá, ela produz uma gama de alimentos orgânicos: palmito pupunha, tomate, maracujá e inhame, em uma área que compreende chácaras de 3 a 5 hectares. Desses alimentos, o maracujá é o item que abastece a merenda da rede municipal de Guarujá. A fruta, que leva até um ano para ser colhida, gera uma produção que ultrapassa a marca de três toneladas.

A comercialização de alguns desses alimentos acontece junto com o Caminhão do Peixe (na Praça 14 Bis, em Vicente de Carvalho, e também próximo à Rua Acre, na Enseada). Outras duas propriedades na mesma região também fornecem alimentos para o abastecimento da merenda de Guarujá. São eles: alface, salsinha, rúcula, chuchu e abobrinha.

Guarujá foi a única cidade da Região a manter contrato com agricultores na pandemia, diz Amibra

Mesmo com a pandemia da Covid-19, a alimentação escolar continuou sendo um compromisso da Prefeitura de Guarujá em benefício aos mais de 34 mil estudantes. Prova disso é que a Secretaria de Educação (Seduc) manteve os contratos com os agricultores locais.

“Guarujá foi a única cidade do litoral que honrou o contrato conosco”. A afirmação é do vice-presidente da Associação dos Produtores Rurais da Microbacia Hidrográfica do Rio Branco, Pescadores Artesanais, Aquicultores e Indígenas de Itanhaém e Região (Amibra), Cleiton Valente Borges.

A Associação conta com 60 agricultores, que sofreram devido à interrupção dos contratos de outros municípios. “Os hortifrútis ficaram nas hortas, sem ter para quem vender”, lembrou. Cleiton comenta que a vigência do contrato, através de chamada pública, foi de fundamental importância. “Foi um processo que devolveu a autoestima e a confiança do agricultor, assim como a sua vontade e satisfação de poder ter o seu alimento compartilhado”.

Ele também enalteceu a Seduc por realizar o serviço de fornecimento de merenda escolar, durante a suspensão das aulas presenciais. “Não tenho conhecimento de outra cidade que tenha feito o que vocês fizeram”, reconheceu.

A Amibra está situada em Itanhaém e fornece à rede municipal de Guarujá hortifrútis como banana, alface hidropônico, couve, escarola, rúcula, abobrinha, pepino e salsinha.