Um dia após o governador Geraldo Alckmin ter garantido a redução nos números de violência na Baixada Santista, seis guardas municipais foram roubados e agredidos na Zona Noroeste, em Santos, por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O caso ocorreu na madrugada de ontem. O Diário conseguiu depoimento dramático de um dos guardas, mostrando a vulnerabilidade a qual são submetidos os agentes públicos, obrigados a cobrir áreas perigosas da Cidade sem o menor preparo e armamento compatível com a função.
O local da agressão foi um terreno da Prefeitura, localizado no final da Rua Zeonor de Paiva Magalhães, no bairro de Chico de Paula, que foi invadido por caminhoneiros. Era pouco mais de meia-noite quando a equipe que estava guardando o local para evitar novas invasões foi surpreendida por sete marginais portando armas de grosso calibre.
“Temos que guardar o terreno 24 horas e foi logo depois da troca de guarnição. Nós não portamos armas e, sequer deu tempo de fugir. Eles (os marginais) nos mandaram deitar no chão e aí começou a sessão de esculacho”, disse o guarda que pediu para não ser identificado.
Conforme relata, a equipe foi xingada e agredida com socos e pontapés, muitos na cabeça. Levaram os coletes, algemas, tambores de gás de pimenta e até os bens pessoais dos guardas.
“Dois companheiros foram algemados e um inspetor teve que ser atendido no Pronto-Socorro por causa de uma lesão na cabeça. Eu só não fiquei sem o celular porque tive tempo de esconde-lo na roda de uma das viaturas”, relata o agente.
Vida sob risco
O guarda municipal disse à Reportagem as equipes estão sendo obrigadas a percorrer lugares perigosos diariamente. “Nos há interesse em preservar a integridade dos guardas. O Comando nos manda fazer rondas na Caneleira Quatro, no Morro do Tetéu e no Ilhéu Alto, por exemplo, sem qualquer treinamento ou armamento. Os bandidos ficam gritando o tempo todo ‘vai morrer’. Estamos sendo negligenciados pelo Comando e à mercê dos marginais”, afirma o guarda, se mostrando bastante abalado.
O caso foi registrado no 5º Distrito Policial. O presidente do Sindicato dos Guardas Municipais da Baixada Santista (Sindguardas), Sérgio Lucio da Costa, prevê uma fatalidade caso a Prefeitura de Santos não se conscientize que é preciso mudar o modelo de gestão adotado pelo Comando da Guarda de Santos.
“Não morreram por conta de Deus. Tenho certeza que, num espaço curto de tempo, vamos ter a notícia de um assassinato de um guarda em serviço por conta das condições as quais ele é submetido”.
O sindicalista ratificou o depoimento do guarda agredido.
“Esse local fica atrás do Ilhéu Baixo, ao lado do Mangue Seco. Os guardas não poderiam estar neste local de madrugada. Um guarda ficou muito ferido – levou chutes e coronhadas – e ficou desacordado. Os marginais portavam fuzis, metralhadora e pistolas. Um guarda pediu afastamento hoje (ontem) por questões psicológicas e todos foram socorridos pela própria Guarda”, informa Sérgio Costa.
O sindicalista afirma que vai solicitar uma audiência com o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, outra na Câmara de Vereadores e caso tudo continue do jeito que está – guardas expostos a situações perigosas – vai apelar ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
“O Comando da Guarda deve explicações. Não é possível continuar essa falta de interação com as polícias militar e civil. Não podemos mais nos submeter à violência, sem defesa, expostos ao crime organizado”, afirma Costa.
Prefeitura.
