O uso da máquina pública em prol do privado continua firme em Santos. Ontem, o Diário do Litoral flagrou uma viatura com dois guardas municipais de prontidão em frente à Câmara de Vereadores resguardando as eleições da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Durante toda a semana, a Reportagem passou no mesmo horário pelo local e não viu nenhuma viatura guardando o prédio do Legislativo santista. Outros equipamentos públicos visitados ontem pelo DL não tinham guardas.
Perguntado a alguns advogados que estavam no entorno da Câmara participando do pleito, nenhum soube dizer quem foi que pediu o reforço de segurança. “Não vejo para que isso, não há histórico de confrontos e nem depredação de patrimônio público nas eleições da Ordem”, disse um advogado que preferiu não se identificar. A equipe saiu do local somente por volta das 15 horas, depois que a Reportagem cobrou uma posição da Administração Municipal.
No final da tarde, por intermédio da Secretaria de Segurança de Santos, a Prefeitura informou que a iniciativa de oferecer segurança de apoio no local indicado partiu da própria Guarda Municipal, como forma de segurança preventiva, visando o grande fluxo de pessoas na área, por conta do evento.
Vale lembrar que, na última segunda-feira (16), terminou o prazo para o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) apresentar explicações à Câmara sobre o suposto desvio de função da Guarda Municipal de Santos. Por unanimidade, os vereadores haviam aprovado o requerimento do vereador Marcelo Del Bosco (PPS) que quis saber, entre outras coisas, qual o decreto que determina a segurança de bens particulares.
Porém, quem enviou as explicações foi o secretário de Segurança do Município, coronel Sérgio Del Bel, que não respondeu os questionamentos do vereador e ainda manteve a defesa do uso da corporação para eventos. “Recebemos inúmeras reclamações da população sobre a presença de guardadores de carros em vários locais do Município e, em especial, igrejas, clubes, associações. Nesse sentido, efetuamos a prevenção nesses locais, visando aumentar a segurança na via pública dos munícipes que ali transitam. Há eventos com a presença de 200 e 300 pessoas em local sem estacionamento adequado, normalmente à noite e madrugada”.
Contradição
No caso de ontem, uma tremenda contradição: não havia flanelinhas, mas sim um agente da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET) que, por sinal, estava impedindo o estacionamento irregular, conforme sua obrigação. Também ao lado da Câmara tem um estacionamento. E, por fim, não era de noite e madrugada.
Viscondessa do Embaré
No final de outubro, o DL publicou várias reportagens mostrando guardas contrariados em ter que vigiar patrimônio privado. Os guardas denunciaram e a Reportagem flagrou a atividade na Rua Viscondessa do Embaré, no Centro da Cidade, durante dois dias e em horários diferentes.
É importante lembrar que a Guarda tem obrigação de resguardar prédios públicos porque é paga com o dinheiro do contribuinte.
O DL também obteve um vídeo mostrando equipes no entorno da Igreja do Embaré, resguardando uma cerimônia de casamento. Há denúncias ainda da utilização da corporação na segurança de lojas maçônicas e outros prédios particulares nos bairros do Gonzaga e Chico de Paula.
Na Rua Viscondessa do Embaré, por exemplo, uma viatura, com dois guardas municipais, foi flagrada de prontidão 24 horas. Não há qualquer patrimônio público na via senão imóveis particulares.
Segundo informações repassadas por guardas, com exclusividade, ao DL, as ordens são dadas ‘de boca’ (informalmente), pelo Subcomando da Corporação, para evitar a comprovação do serviço particular. Prefeitura nega resguardar patrimônio privado.