Grupo vai combater violência contra mulheres do Centro

Planos de ação nos bairros localizados na área central deverão ser traçados na próxima sexta-feira

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29 MAI 2017Por Carlos Ratton10h00

A reportagem do Diário do Litoral veiculada no dia 19 de março, intitulada “Estupro e morte rondam mulheres e crianças de Santos”, acarretou uma ação conjunta envolvendo vereadores e secretários municipais. Na próxima quarta-feira (31), será criado um Grupo de Trabalho (GT) para que na sexta-feira (2) sejam traçados planos de ação nos bairros localizados na área central do município, inicialmente no entorno do Mercado Municipal.

À frente do GT estão a vereadora Telma de Souza (PT) e o secretário de Relações Institucionais e Cidadania Flávio Jordão. Telma já havia feito uma audiência pública, dias depois que a reportagem foi veiculada, na Câmara, em que ficou definida uma futura ação conjunta.

Atendendo pedido da vereadora, Jordão convidou representantes de sua própria secretaria, da Secretaria de Assistência Social e da Guarda Municipal para participar do futuro GT.

A vereadora Audrey Kleys PP), presidente da Comissão permanente de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia; o vereador Sérgio Caldas Santana (PR), da Comissão de Prevenção, Fiscalização, Combate às Drogas e Segurança Pública; e o vereador Fabiano Batista Reis, o Fabiano da Farmácia (PR), da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, também foram chamados e devem fazer parte do GT.

A violência também envolve crianças e adolescentes.

Já definido

O Diário do Litoral obteve a informação que já ficou definida a realização de um diagnóstico para ações a médio e longo prazos e uma ação imediata com mutirão que entregará materiais sobre direitos do cidadão e serviços.

Deste mutirão, sairá um evento pra tirar dúvidas da população, orientar sobre os serviços que atendem para cada tipo de vulnerabilidade. Também poderão ser abertas escolas para comunidade aos finais de semana e a ruas de lazer.

Comissão Mista

A Prefeitura de Santos informou, pela Assessoria de Imprensa, que para tratar deste tema foram recebidos pela Secretaria de Relações Institucionais e Cidadania, representantes de três comissões da Câmara de Vereadores, além da Secretária de Assistência Social e representantes das secretarias de Segurança e de Educação.

O intuito das reuniões foi realizar uma primeira análise para criação de uma Comissão Mista entre parlamentares e representantes de conselhos municipais, focada na discussão de ações destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social, na região central de Santos.

“É muito importante que o tema seja discutido e conversado com demais esferas de poder, como Poder Legislativo e os Órgãos de Justiça, visando equacionar os últimos acontecimentos na região central de Santos”, explica Flávio Jordão, secretário de Relações Institucionais e Cidadania.

Dura realidade

A Reportagem mostrou que, principalmente à noite e nos finais de semana, mulheres e crianças estão sofrendo assédio de marginais nos bairros do Paquetá, Mercado, vilas Rica, Mathias, Nova e adjacentes, localizados próximos ao Centro. Diário descobriu histórias de várias mulheres que moram na região e resolveram dar depoimento desde que suas identidades fossem preservadas.

Elas revelaram perseguições visando estupro, invasões de imóveis e descarte de vítimas, como ocorreu em 5 de março, quando uma jovem de 21 anos, identidade desconhecida, foi jogada com o carro ainda em movimento na Rua São Francisco, no Centro, após ter escapado de estupro.

O drama das mulheres foi confirmado por Dida Dias e Luciana Jorge, do coletivo feminista Maria Vai com as Outras, formado em outubro do ano passado com objetivo de lutar pelos direitos e combater a violência contra as mulheres. Elas contaram que sem alternativas, mulheres e crianças deixaram de conversar e brincar na rua. As famílias vivem trancadas nos cômodos onde moram.

Revelaram que tudo ocorre por conta da falta de políticas públicas e investimentos no Centro de Santos, praticamente abandonado por sucessivas administrações, incluindo a atual.

Disseram ainda que a área do Paquetá e do Mercado servem não só como armadilha, mas como desova de vítimas de estupro. Tudo em função da falta de iluminação, de câmeras públicas de vigilância, efetivos da Guarda Municipal, da Polícia Militar, equipamentos de lazer, esportivos e culturais.