Grupo santista luta por políticas públicas para portadores do TEA

Proposta é trocar experiências sobre o transtorno e contribuir para redução do preconceito

Oito anos, oito pediatras, seis psicólogos e apenas parte das respostas encontradas no longo caminho traçado pela professora Ana Lúcia Leite Félix para encontrar o diagnóstico do filho caçula: Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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Denominado como um universo particular, o autismo também é misterioso para muitos que precisam conviver com seus habitantes. E foi para buscar respostas sobre o comportamento do filho – que não aceitava nenhum tipo de alimento – que Ana Lúcia começou a pesquisar sobre o transtorno. Sua luta fez surgir em Santos o Grupo Acolhe Autismo (GAA) e também ser aprovado na Câmara de Santos o projeto de Lei 107/2016, que institui política pública para garantia, proteção e ampliação dos direitos das pessoas com autismo.

“Antes de ser mãe, eu já lutava pela questão da inclusão nas escolas enquanto professora alfabetizadora. Infelizmente precisamos mostrar números e resultados e muitas vezes encontramos alunos que precisam de atenção especial. Falamos muito de inclusão nas escolas, mas e depois dela? O que o adulto autista vai fazer?”, destacou Ana Lúcia.

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Mesmo com todos os avanços de informação, a síndrome ainda é vista como um tabu, retratada em filmes e novelas de forma estigmatizada. Ana Lúcia também afirma que muitas vezes falta na medicina estudos e humanidade para conhecer e lidar com os portadores de autismo.

“Ainda é algo novo. Precisei passar por oito pediatras e é muito cruel um médico não saber e não perceber os traços em uma criança. Na hora que a criança nasce não há nenhum traço físico que comprove o autismo. É preciso uma avaliação multidisciplinar, pautada no diálogo para formar um diagnóstico. O profissional da saúde precisa fazer as perguntas certas. Se tivessem perguntado se meu filho enfileirava carrinhos, por exemplo, eu teria dito que sim. E esse é um traço fortíssimo”, destacou.

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Para Ana Lúcia, a maior luta é garantir políticas públicas capazes de priorizar a qualidade de vida dos autistas.

“Vejo pessoas muito preocupadas em como nomear as pessoas com autismo. Acredito que mais do que pensar no termo, temos que pensar que deficiência é uma condição do ser humano. Todo mundo um dia terá limitações, a diferença é que tem gente que já nasce com ela. Precisamos trabalhar para essas pessoas. Para que tenham uma vida e para que sejam felizes”, finalizou.

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Clínica-escola deve garantir atendimento individualizado e especializado em Santos

Aprovada em 2ª discussão na Câmara de Santos no dia 20 de junho, o projeto que institui política pública para garantia, proteção e ampliação dos direitos das pessoas com autismo prevê também a instalação de uma clínica escola na cidade – a primeira do Estado de São Paulo e a segunda do Brasil.

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De autoria do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), a proposta foi levada pelo vereador Hugo Duppre (PSD), com o apoio do Grupo Acolhe Autismo Santos, e é inspirada na clínica-modelo de Itaboraí (RJ), referência nacional neste tipo de tratamento.

O equipamento público visa prestar atendimento clínico e educacional especializado.  Para garantir o funcionamento da clínica-escola, a Administração santista se comprometeu a incluir recursos específicos para a unidade no orçamento municipal do próximo ano.

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“Existem, em Santos, algumas unidades de ensino que possuem um bom programa de inclusão social para pessoas com deficiência. Foi inclusive em uma delas que meu filho começou a se desenvolver. Mas isso não é o ideal”, afirma Ana Lúcia. Ela apoia a criação da escola especializada, com atendimento multidisciplinar, somente para pessoas com autismo. “Será um atendimento individual e especializado”, complementa.

Cubatão também aprovou na sessão do dia 21 de junho o projeto de Lei 37/2016 que autoriza a Prefeitura a instituir a política municipal de proteção aos direitos das pessoas com transtorno do espectro autista, de autoria do vereador Severino Tarcício da Silva (PSB).

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De acordo com Ana Lúcia, a luta agora é para que as demais cidades da Baixada Santista também possuam políticas públicas sobre o assunto.

“É uma vitória muito grande. Estamos em conversas com Guarujá e São Vicente também. O objetivo é fazer com a iniciativa se espalhe e cada vez mais pessoas possam se beneficiar”, finalizou.

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Espaço para conversas, trocas e fortalecimento

Formado por mães e familiares de pacientes com autismo, o Grupo Acolhe Autismo (GAA) existe desde março de 2012 e tem como objetivo a troca de conhecimento e estudos sobre o transtorno.

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A primeira ação do grupo aconteceu um dia antes do Dia Mundial de Conscientização do Autismo em 2012.

“Cinco mães decidiram se unir para panfletar de forma muito simples e simbólica no Gonzaga. Pelas redes sociais a panfletagem tomou uma proporção muito grande

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Familiares, professores e profissionais que, de alguma forma, tiveram o autismo inserido em seu dia a dia, participam do grupo.

“O nome do grupo diz muito sobre nós. O objetivo sempre foi acolher, trazer para perto e abraçar todos que enfrentam os mesmos medos. As características do autismo são sutis, mas também são cruéis. É preciso unir forças para que todos os familiares saibam lidar com isso”, destacou Ana Lúcia.