Grupo Mendes pode lucrar com obras na Ponta da Praia

Lucro seria proveniente da valorização da área em função das intervenções anunciadas pelo grupo.

Projeto Nova Ponta Da Praia, apresentado pela Prefeitura de Santos, envolvendo ainda o Centro de Atividades Turísticas (CAT) na área do Terminal Público Pesqueiro de Santos (TPPS), poderá gerar ganhos ao Grupo Mendes entre R$ 700 milhões a R$ 1,68 bilhão, com a valorização da área em função das intervenções anunciadas pela Administração. Ou seja, entre 5,5 e 12 vezes mais que ele poderá gastar com a construção do novo centro de convenções, do mercado de peixe e reforma da Ponte Edgard Perdigão e outras obras viárias no bairro, que somam R$ 130 milhões em investimentos. 

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A informação é do arquiteto e urbanista Rafael Ambrósio que, junto com outros técnicos, fez estudos sobre o perfil do bairro e a suposta intenção do Grupo por ele por conta dos terrenos de sua propriedade, adquiridos junto aos clubes da Ponta da Praia. Vale ressaltar que a legislação em vigor permite com que o empresário realize as intervenções e construa empreendimentos no local.   
   
“Após a aprovação da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS), fizemos contas técnicas sobre o valor geral de vendas de cerca de até 100 mil metros quadrados de área construída nos terrenos do grupo junto aos clubes, ao preço final em torno de R$ 7 mil o metro quadrado. Isso geraria um lucro de R$ 700 milhões”, afirma Ambrósio.

Numa segunda projeção, o arquiteto estima pelo teto máximo da valorização. Os empreendimentos contarão com 1.120 unidades residenciais, cujo valor do metro quadrado, com intervenções propostas mais sofisticadas, ainda pode chegar até R$ 12 mil o metro quadrado. Numa área construída de cerca de 140 mil metros quadrados – máximo que pode-se chegar de aproveitamento – chega-se a cifra de R$ 1,68 bilhão. 

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TERMO

O arquiteto lembra que no Termo de Compromisso firmado entre Prefeitura e o Grupo, permitindo a cessão onerosa de R$ 43.862.236,42, acabou fazendo com que o município abrisse mão de R$ 29.241.491,00. 

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Para o profissional de Arquitetura, num momento de crise econômica, esse dinheiro poderá fazer falta para outras áreas que necessitam de investimentos, como a Zona Noroeste, por exemplo. 

OPÇÃO

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Vale lembrar que a arquiteta Maria Cristina Rinaldi Barbosa também não concorda com o CAT e tem um trabalho intitulado Complexo Pesqueiro Turístico Santista, dividido em três áreas: Operacional do TPPS, Comércio de Pescados e Cultural, Turística Gastronômica e Recreativa Contemplativa. A proposta é baseada em tendências internacionais europeias. Ao todo, seriam 23 espaços, entre eles três praças: da Baleia, das Garças e do Deck, esse último de contemplação do mar. Também prevê uma marquise para atividades que precisam ser protegidas da ação do tempo.

“Minha proposta contempla moradores, turistas, trabalhadores e empresários que vivem da pesca. Precisamos de um terminal pesqueiro ativo que gere produtos frescos e com qualidade que, ao mesmo tempo, proporcione lazer e cultura à população. A intenção do projeto é aproveitar o entorno da área do TPPS, reativar a pesca santista e reinseri-la à economia regional”, afirma a arquiteta, que tem aval do Ministério Público (MP).

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MARAMAR

O oceanógrafo e diretor do Instituto Maramar, Fabrício Gandini, afirma que o CAT “não prevê a reestruturação do TPPS e a necessidade de proporcionar uma infraestrutura melhor para a pesca na Cidade, que já sediou o maior entreposto pesqueiro do País e que hoje está completamente sucateado, não fornecendo condições para desembarque da pesca artesanal, responsável pela maior quantidade e maior diversidade de pescados na região”, desabafa Gandini.

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O oceanógrafo alega que, desde 2017, o Instituto Maramar luta para que o TPPS seja revitalizado e se transforme novamente em referência no setor.

“Eu só estou usando a lei”, garante Paulo Mendes

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Procurado pela Reportagem para falar sobre a possibilidade do Grupo Mendes, beneficiando-se da LUOS, obter alto lucro com a valorização da área em função do Projeto da Nova Ponta da Praia, o empresário Paulo Mendes revelou que é difícil mensurar o retorno financeiro. “Não existe um pacote único em relação ao projeto. São dois NIDEs: o da Ponta da Praia, eu teria que pagar quase de R$ 80 milhões (R$ 73 milhões) em outorga onerosa para construir prédios, pois lá só permitia empreendimentos turísticos. 

A adesão à lei me permitiu um desconto (cerca de R$ 29 milhões), transformando os pouco mais de R$ 43 milhões em obras viárias ao município.”., disse.

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Ele garante que o Grupo não vai explorar o novo centro de convenções previsto no CAT por ser público, porém, “teremos que fazer uma transição com a Prefeitura porque o ciclo de eventos é um pouco longo”. Mendes fez questão de enfatizar a intenção é construir prédios nos três terrenos atrás do Regatas, Saldanha e Vasco. e, sobre a área da Sorocabana, que abriga o atual centro de convenções, disse que a motivação não teve nada a ver com a área comercial ou financeira.

 “Após conhecimento da lei, resolvemos aderir a NIDE que permitiu que a área do atual centro de convenções deixasse de ser turística e passasse a ser comercial. Sabendo da importância de um centro de convenções para a Cidade, resolvemos fazer um novo e doar para a Prefeitura . O antigo vamos alugar para redes de varejo”.  

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Sobre o novo mercado de peixe, Mendes disse que não estava previsto em lei, “mas acabamos aceitando construí-lo e inseri-lo no pacote da Ponta da Praia. 

Ele garante que não houve favorecimento algum ao Grupo, mas foi avisado sobre a mudança da lei. “Obtivemos conhecimento da mudança da lei após sua publicação. Mas é claro que nos avisaram. No primeiro momento, tivemos um impacto. Como assim, doar um centro de convenções? Tínhamos a liberdade de não aderir. Eu só estou usando a lei em vigor”, completou.