Grupo de extrema direita é alvo da PF na Baixada

Fotos e documentação já foram encaminhados pelo MPF

A procuradora da República Juliana Mendes Daun Fonseca requisitou à Polícia Federal de Santos a instauração de inquérito federal para apurar possível crime contra a lei de Segurança Nacional por um grupo de extrema-direita que, em 19 de abril último, fez uma manifestação contra a democracia em frente ao 2º Batalhão de Infantaria Leve (2º BIL), na Avenida Antônio Emmerich, em São Vicente.

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Segundo o artigo 22 da Lei de Segurança Nacional, é considerado crime fazer, em público, propaganda de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social.

O artigo 23 também diz ser crime incitar à subversão da ordem política ou social; à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis

O Ministério Público Federal (MPF) tomou a iniciativa após ser acionado pelo advogado vicentino Rui Elizeu de Matos Pereira que não sentiu respaldo algum das autoridades no sentido de coibir a ação de dezenas de manifestantes que usaram a via pública, impedindo até, por certo tempo, o fluxo do trânsito numa das principais vias do Município.

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Junto com a denúncia, o advogado encaminhou inúmeros vídeos que servirão para identificar dezenas de manifestantes que pediam intervenção militar, o fechamento das instituições democráticas, como Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional e, ainda, invocar a volta do Ato Institucional 5 (AI-5), ferindo a Constituição Federal.

O AI-5 foi o mais duro de todos os atos. Foi emitido pelo presidente Artur da Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968, resultando na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados e também na suspensão de quaisquer garantias constitucionais, como a liberdade de expressão e de imprensa, que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura, comumente usada como instrumento pelo Estado.

RECEPÇÃO

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Conforme o denunciante, um militar, que pode ser identificado no vídeo, teria referendado a manifestação ao receber, das mãos do principal articulador do manifesto, uma bandeira do Brasil introduzida através do portão do quartel.

“Os autores devem ser identificados, processados e julgados. A sociedade brasileira está sendo manipulada e desorientada por segmentos inimigos da democracia e do Estado de direito, induzida a tomar rumo autoritário, militarizado, ignorando e mesmo duvidando dos tristes anos de chumbo pelos quais o País viveu, literalmente atacando a Constituição Federal e pisando e calcando os pés sobre os direitos até então conquistados, sob sacrifício suor e sangue”, alerta o advogado.

Rui Pereira se refere historicamente à Ditadura Militar Brasileira, que perdurou 21 anos no Brasil, que deixou inúmeros mortos e dezenas de desaparecidos. Ele ainda cita que os manifestantes seriam incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro, eleito em 2018, que participa dos movimentos, embora tenha sido eleito democraticamente.

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ALERTA EM VÃO

Rui Pereira disse que alertou a Polícia Militar e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pois o grupo continua promovendo manifestações contra a democracia em outras cidades da Região. Um de seus incentivadores, por exemplo, fez uma live esta semana incentivando uma passeata em Santos com objetivo de derrubar os cavaletes que proíbem o acesso ao calçadão da praia.

“Não há que se falar, no caso em concreto, que essas pessoas agem sob o princípio constitucional de “liberdade de expressão”, porque este instituto sucumbe a partir do momento em que crimes são cometidos, ataques frontais, à democracia brasileira e suas instituições, pugnando-se por ilegal intervenção militar, conclamando os quartéis a se insurgirem contra a ordem política e social”, finaliza o advogado.

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FARTA DOCUMENTAÇÃO

A PF tem, em mãos, vasta documentação, como a de um caminhão guincho utilizado como palco na manifestação. É visível a placa, o telefone de contato e o proprietário que também seria o condutor do veículo. Também foram anexados links de perfis dos supostos coordenadores do evento.

Em outra petição encaminhada ao MPF e, consequentemente à PF, o advogado identifica vários manifestantes, alertando sobre a exposição perigosa dos aglomerados à Covid-19 e a negação da pandemia, concomitante com o pedido da volta das atividades sociais ao normal, ignorando o vírus e, diz ele, em triste e perverso desrespeito aos mais de 11 mil mortos contabilizados oficialmente na ocasião.