Grito dos Excluídos realiza ato na região

Iniciativa teve como objetivo dar visibilidade para a população que vive em condições precárias de moradia, saúde e desigualdade social

Na data em que é comemorado o Dia da Independência do Brasil, movimentos ligados às questões sociais se unem para colocar um holofote sobre a situação daqueles que vivem marginalizados pela sociedade. Esse é o objetivo do Grito dos Excluídos, evento realizado nas capitais e cidades pelo País, e que teve programação aberta ao público ontem (7) em São Vicente, na comunidade Dom Bosco, no bairro do Jóquei Clube.

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A iniciativa, encabeçada pela Igreja Católica por meio da Pastoral da Cidadania da Diocese de Santos, tem cunho ecumênico e tem como foco dar visibilidade para a população que vive em condições precárias de moradia, saúde, educação e desigualdade social. “Todo ano, procuramos realizar a ação em lugares diferentes, de preferência em comunidades carentes. Queremos mostrar as diferentes realidades que existem na nossa região e que não recebem a atenção necessária”, afirma Mauro Alonso Junior, um dos organizadores do evento. 

Em sua 22ª edição no Brasil, o tema “Este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata” foi ­inspirado em um discurso do Papa Francisco ­durante o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em julho de 2015, na Bolívia. Para os organizadores, o pontífice tem sido um referencial para a promoção de ações em prol dos desfavorecidos. “O bispo diocesano Tarcísio Scaramussa também pede uma Igreja ‘de saída’, que precisa estar na rua. Precisamos ser atuantes onde a ajuda é mais necessitada, na periferia, nos abrigos, em locais onde a saúde, educação e habitação são precárias. É preciso agir”, salienta Mauro. 

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O ato em São Vicente começou às 13h30, com uma introdução aos assuntos que seriam debatidos pelos participantes. Ao longo da tarde, ocorreram também atividades culturais, grupos de discussão sobre problemas enfrentados pela comunidade local e uma formação com o professor André Luiz Rodrigues, doutor em História Social pela Universidade de São Paulo. A palestra abordou a importância da participação política dos cidadãos. 

“Queremos conscientizar sobre a importância do voto, principalmente por conta do cenário político em que vivemos. A população percebeu que tem o poder de fazer mudanças e faz parte do nosso trabalho como cidadãos transformar nossa realidade”, ressalta Thiago dos Santos, um dos idealizadores da ação na região. Encerrando as atividades do dia, os participantes realizaram uma caminhada pelas ruas do bairro até a Paróquia Cristo Rei, em São Vicente, onde foi realizada uma missa presidida por D. Tarcísio. 

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Histórico

Duas figuras marcantes na trajetória do Grito dos Excluídos na Baixada Santista e que foram lembrados na ação foram Irmã Dolores e Frei Guilherme, considerados pelos organizadores como símbolos da luta pelos direitos de comunidade carentes da região mesmo após suas mortes. “Sem eles, o movimento perdeu um pouco de sua força. Mas queremos retomar a magnitude deste gesto concreto. O pós-evento é a parte mais importante, pois as discussões que tivemos hoje serão direcionadas para encontramos soluções para os problemas do nosso cotidiano. Enquanto ­população, temos o direito de cobrar, de exigir e de nos posicionar contra as injustiças causadas por esse modelo econômico que exclui as classes mais carentes”, conclui Ricardo Fisher, integrante da comissão organizadora.