Greve geral: Tropa de Choque, vias bloqueadas e protestos em Cubatão

Bloqueio na Rodovia Cônego Domênico Rangoni terminou com bombas de gás lacrimogêneo

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28 ABR 2017Por Diário do Litoral20h16
Manifestantes fecharam a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, sentido Guarujá, por volta das 5 horas de ontemManifestantes fecharam a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, sentido Guarujá, por volta das 5 horas de ontemFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A manhã de ontem (28) foi de tensão na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, próximo ao viaduto que cruza a Avenida Nove de Abril, na entrada do polo industrial, em Cubatão. Manifestantes atearam fogo em pneus e bloquearam a via sentido Guarujá. A ação teve início por volta das 5 horas. Após tentar negociação, sem sucesso, a tropa de choque da Polícia Militar (PM) foi acionada e dispersou os manifestantes, às 7 horas, com bombas de gás lacrimogêneo.

Após atearem fogo nos pneus e conseguirem bloquear a rodovia, os manifestantes fizeram um cordão humano no meio da pista. Viaturas da Polícia Militar chegaram ao local por volta das 5h30. O Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar as chamas. Uma viatura da Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, realizou a limpeza da área atingida pelo fogo.

Os policiais militares tentaram negociação com os manifestantes, que afirmaram deixar a pista às 6h40. Passado o prazo estipulado para a liberação da via, eles decidiram permanecer com o bloquei na rodovia. Por volta das 7 horas, agentes da tropa de choque da PM lançaram bombas de lacrimogêneo na direção do grupo, que chegou a revidar com pedras.

A pista principal foi liberada e os manifestantes seguiram em direção à Avenida Nove de Abril, pela marginal e entre os carros parados. Os policiais militares seguiram lançando os artefatos até que o grupo se ­dispersasse.
A ação dos manifestantes, entre eles sindicalistas, estudantes e trabalhadores de diversas categorias, foi motivada pelos protestos que ocorreram em cidades de todo o pais contra as reformas previdenciária, trabalhista e terceirização propostas pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB).

Ao contrário das manifestações anteriores, desta vez não houve protesto em frente das empresas do polo industrial de Cubatão. Na Usiminas, os trabalhadores do turno da noite não foram liberados e seguiram no plantão.

“Vamos denunciar a Usiminas no Ministério Público (MP) por cárcere privado porque fizeram o pessoal que saiu ontem às 15 horas voltarem às 22 horas, não cumprindo o intervalo intrajornada que é de 11 horas”, afirmou Claudinei Rodrigues Gato, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista.

Na Refinaria Presidente Bernardes o turno do dia anterior não foi rendido porque as empresas dos fretados não liberaram a saída dos veículos das garagens.

Avenida vazia e lembrança de desemprego em Cubatão

Apesar da tensão na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, o Centro de Cubatão permaneceu tranquilo. Poucas pessoas nas ruas. Os ônibus e lotações não circularam no período da manhã e voltaram gradualmente no período da tarde. No Centro da Cidade, moradores comentaram os protestos.

“A manifestação é um direito do trabalhador, um direito conquistado há tantos anos e vem o Michel Temer e quer tirar todos os direitos que o trabalhador tem. Quer pegar o trabalhador jogar no ralo e dar descarga. Desde que não tenha vandalismo e quebra-quebra acho, um movimento legal e pacífico acho que é válido”, afirmou Joseildo da Silva Lima, morador da Vila São José.

Joseildo é soldador e está desempregado há dois anos. “Nesses dois anos só trabalhei quatro meses porque fui para Ribeirão Preto e Uberaba. Tive que sair de Cubatão. Quando tem eleição prefeito e vereador diz que vai brigar pelo pessoal aqui. Na verdade eles entram e não fazem nada e a gente fica jogado”, criticou.

João Carlos Silvério de Jesus também é soldador e está desempregado. Há oito meses sem emprego fixo, o morador da Vila Natal se manifestou positivo aos protestos de ontem.

“Tem que se conscientizar que é para o bem do país, para ele crescer e não deixar todo mundo desempregado passando fome. Estou há meses sem trabalhar. A Usiminas mandou todo mundo embora e estamos desempregados”, destacou.  

Fila de caminhões em avenida da Alemoa

A Reportagem do Diário do Litoral saiu de Cubatão com destino à Alemoa onde manifestantes também bloquearam o viaduto que dá acesso a Avenida Perimetral. Uma fila com aproximadamente 60 caminhões foi formada na Avenida Dr. Alberto Shwedtzer. Veículos tiveram a mangueira de combustível cortada e bloquearam o trânsito. 

“Estou desde às 7 horas parado aqui. Parei no semáforo e cortaram a mangueira. O trânsito está todo parado. A gente não pode fazer nada. Somos empregados”, disse o caminhoneiro José Benedito da Silva, que havia descarregado etanol em uma das empresas da Alemoa.

Apesar de ter sofrido esse contratempo, José estava calmo. “Eu acho protesto normal, desde que não façam mal para ninguém. Tem que melhorar alguma coisa no Brasil, porque do está ruim. Nossos governantes querem mexer em todos nossos direitos. Tem que melhorar alguma coisa. Se não melhorar vai ficar ruim para as futuras gerações”, destacou o morador de Sumaré.

Ônibus não circulam na Baixada

Os protestos também afetaram os transportes públicos. A operação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) foi paralisada e retornou ao normal a partir das 11 horas. Também, no mesmo horário, os ônibus intermunicipais e municipais de Praia Grande e Santos voltaram a circular gradualmente pelas cidades.

O terminal Tude Bastos, em Praia Grande, e o Terminal Valongo, em Santos, ficaram vazios durante toda a manhã. Nas ruas, poucas pessoas arriscaram ficar nos pontos de ônibus. As balsas e barcas que fazem a travessia Santos-Guarujá não paralisaram.

Divisa, Saboó e Porto de Santos

Os protestos também tiveram início antes das 5 horas na Avenida Martins Fontes, no Saboó. Os manifestantes bloquearam a via, que dá acesso ao Centro de Santos. Eles também atearam fogo em pneus. Não houve ação da Polícia Militar para a liberação do trânsito.

O trânsito também ficou complicado na divisa entre os municípios de Santos e São Vicente. Manifestantes também bloquearam a avenida da praia. Motoqueiros utilizaram a ciclovia que margeia a praia do José Menino.

Os estivadores também bloquearam a Avenida Perimetral, na Margem Direita do Porto de Santos, em frente ao Ecopatio, por volta das 5 horas.