Greve geral: Confronto entre Estivadores e PM deixa feridos no Porto de Santos

Manifestantes queriam paralisar atividade do Porto por 12 horas; Choque foi acionado para dispersar grupo

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28 ABR 2017Por Diário do Litoral20h08
Tropa de choque da Polícia Militar foi utilizada para tentar dispersar os manifestantesTropa de choque da Polícia Militar foi utilizada para tentar dispersar os manifestantesFoto: Matheus Tagé/DL

A manhã de hoje (28) foi de conflito intenso entre a Polícia Militar e manifestantes que ocuparam a Rua Antônio Prado, no Valongo, fechando o caminho para os terminais portuários na região da Alemoa.

Representantes do Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão (Sindestiva), do Sindicato dos Operários Portuários de Santos e região (Sintraport), dos caminhoneiros autônomos e da capatazia participaram da greve geral em todo o País, convocada por centrais sindicais.

Eles iniciaram os protestos por volta das 5 horas, em frente ao pátio do Ecoporto. O grupo estendeu faixas e fez barricadas nos dois sentidos da via para atravancar o trânsito. A ideia era paralisar as atividades do Porto de Santos por 12 horas.

“Nós estamos contra as reformas do governo Temer. A reforma trabalhista e a reforma previdenciária. Então, hoje, além de fazer a paralisação do Porto por 12 horas, nós também vamos realizar nosso protesto na área portuária. Elas só vem tirar direitos dos trabalhadores. Só vem prejudicar aos trabalhadores e nós não vamos concordar. Nós sabemos o que realmente está por trás disso, que é só para prejudicar aos trabalhadores e nós, como trabalhadores, não vamos permitir. Vamos fazer nossa parte protestando e também realizando paralisações”, comentou Rodnei Oliveira da Silva, o Nei, presidente do Sindestiva.

“A gente precisa parar a produtividade do Porto, que é a nossa parte. No dia 26 foi feita uma assembleia, no Sindpetro, onde estavam todas as categorias da Baixada Santista, e foi decidida essa paralisação e fazer essa greve do dia 28. Entendemos que é muito importante por conta das perdas que o trabalhador vai ter, tanto da reforma trabalhista quanto com a reforma previdenciária”, explicou Claudiomiro Machado, o Miro, presidente do Sintraport, que calculou um apoio entre 4 mil a 5 mil trabalhadores da categoria à greve.

Às 7h30, os manifestantes atearam fogo em pneus e pedaços de madeira para reforçar o bloqueio da via. Cerca de 15 minutos depois, um grupo de cinco policiais militares foram conversar com os sindicalistas para pedir a liberação da via e deram um prazo de 20 minutos para o grupo deliberar sobre a ­questão.

Alguns trabalhadores chegaram a cogitar a abertura da via, fato que deixou Nei da Estiva exaltado.

“Se for para abrir, então eu vou para minha casa! Eu vou para a praia! Eu não vim aqui para isso! Tem que deixar fechada!”, gritou o sindicalista, que na sequência liberou aqueles que não queriam permanecer no protesto. No entanto, a fala do presidente do Sindestiva mobilizou a categoria a ficar e permanecer com o bloqueio.

Confronto

Com a negativa dos manifestantes, a Polícia Militar acionou a tropa de choque, que entrou em confronto com os estivadores. Os policiais utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para tentar dispersar a multidão, que reagiu com pedras e bombas. Houve um grande tumulto e a região do Valongo foi tomada por fumaça.

Um estivador chegou a ficar a poucos metros da tropa de choque. Ele fez gestos para os policiais, que responderam com tiros de bala de borracha. O homem caiu no chão e ficou com as mãos na cabeça. Minutos depois, deixou o local mancando.

Poucos minutos após o início do confronto, o choque recebeu um reforço no efetivo e o grupo, que já contava com outros policiais e com a cavalaria, passou a avançar sobre os manifestantes, que recuaram até a Rua Senador Cristiano Otoni. Um trabalhador deixou o local com a cabeça sangrando. Segundo outros estivadores, ele não estava participando dos protestos, mas foi atingido por um golpe de espada por um policiais da cavalaria.

Em recuo, os manifestantes seguiram pela Avenida Visconde de São Leopoldo, onde atearam fogo em outra pilha de pneus para retardar o avanço da polícia. Após isso, os estivadores seguiram para a Praça Mauá, onde haveria a concentração com as outras categorias sindicais e o batalhão da tropa de choque se recolheu.

O confronto terminou por volta das 9 horas e a pista foi sendo liberada, aos poucos, para o tráfego.

Prejuízo

Caminhoneiros que estavam nas proximidades tiveram prejuízo por causa das manifestações. Segundo relatos dos próprios caminhoneiros, os estivadores cortaram a mangueira de ar dos veículos para que eles não deixassem o local. Além disso, o grupo também abriu a parte dos fundos das carretas, que estavam carregadas com soja. Diversas montanhas de grãos ficaram espalhadas pela pista.

“Há mais de 10 anos que venho aqui e nunca vi isso. Dá vontade de não voltar nunca mais”, disse o caminhoneiro Valderi Abreu, de 48 anos, que estimou que, ao menos, 30 caminhões passaram pela mesma situação. “Quem vai pagar pelo prejuízo, agora”, gritou outro caminhoneiro.

Um outro caminhoneiro, que não se identificou, disse à Reportagem que estava dormindo dentro do veículo, por volta das 7 horas, quando foi acordado pelos manifestantes.

“Eu estava estacionado em frente a Libra. Eles vieram, começaram a balançar o caminhão, falando que era para eu descer da cabine, que era greve”, disse o homem, que estava assustado com o confronto.