Greve dos ônibus segue sem prazo de término em Cubatão

A paralisação foi espontânea e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santos e Região, avisado, prontamente compareceu para mediar uma negociação com a empresa

Os 450 empregados da Translíder, que opera o transporte coletivo de passageiros e de estudantes em Cubatão, cruzaram os braços ontem contra falta de pagamento do salário de novembro, da primeira parcela do 13º salário, vale-refeição, tíquete-alimentação e cesta-básica.

A paralisação foi espontânea e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santos e Região, avisado, prontamente compareceu para mediar uma negociação com a empresa. Até o início da tarde, não haviam chegado a um acordo.

Segundo o vice-presidente do sindicato, José Alberto Torres Simões, o Betinho, “os entendimentos prosseguirão até que os trabalhadores sejam contemplados em seus direitos. Nenhum acordo será feito pelo sindicato sem anuência de assembleia da categoria, como sempre foi feito”.

Em nota, o superintendente da Companhia Municipal de Trânsito (CMT), Jefferson Cansou, disse que esteve nas instalações da TransLíder para se informar sobre os acontecimentos de hoje, porém não conseguiu se avistar com quaisquer dirigentes da empresa. A Prefeitura não foi informada sobre a paralisação nos transportes coletivos e nem sobre as providências adotadas pela empresa para suprir o atendimento aos passageiros.

Foi providenciado o reforço no transporte alternativo em micro-ônibus para atender as necessidades de transporte no ­município.

A remuneração da empresa é formada pela tarifa recebida dos passageiros e um subsídio municipal que complementa o valor das passagens. A Prefeitura está com os pagamentos em dia quanto aos subsídios, existindo apenas entendimentos em curso sobre ajustes na tarifa e no subsídio que a empresa está reivindicando. Assim, não se justifica qualquer descumprimento de direitos trabalhistas por conta de ajustes tarifários.

“A relação entre a empresa TransLíder e seus funcionários é de caráter trabalhista e não pode ser confundida com a relação contratual existente entre a Prefeitura e a empresa”, finaliza a nota.

Até o fechamento desta edição ainda não havia previsão para a retomada dos serviços.

Greve dos ônibus segue sem prazo de término em Cubatão

De acordo com o sindicato, empresa anunciou que não pagará os salários de fevereiro

Quem utiliza os ônibus urbanos e escolares de Cubatão pode se preparar para mais um dia sem a circulação dos veículos. Isso porque a segunda greve do ano, deflagrada nesta segunda-feira (6) pelos funcionários da Translíder, será por tempo indeterminado, até o pagamento dos salários de fevereiro.

A reportagem do Diário do Litoral esteve na cidade ontem e constatou que os pontos de ônibus não estavam cheios. Parte da demanda foi atendida pelo transporte alternativo, medida tomada pela Prefeitura para amenizar os efeitos da paralisação.

O motivo da paralisação de acordo com o presidente do sindicato dos trabalhadores em transportes rodoviários de Santos e região, Valdir de Souza Pestana, foi o anúncio por parte da companhia de não pagará os salários de fevereiro, neste quinto dia útil de março. O adiantamento de 20 de fevereiro também não foi pago.

Pestana afirma que, até o fim da tarde de ontem a empresa não havia anunciado a quitação. Como a prefeitura também não se manifestou, o sindicalista acredita que a paralisação continuará até que os trabalhadores recebam ou até o julgamento de eventual dissídio na Justiça do Trabalho.

Também presidente da federação dos rodoviários do estado de São Paulo, Pestana lembra que a empresa atrasa sistematicamente os salários, sempre alegando não receber os subsídios da prefeitura.

“Não temos nada a ver com as diferenças entre essas duas partes”, alega Pestana. “Os trabalhadores têm famílias para sustentar e precisam receber em dia”.

O presidente do sindicato reclama que os empregados da Translíder poderão enfrentar outro grave problema, nas próximas horas: a suspensão do plano de saúde.

Segundo ele, a empresa vem atrasando também as mensalidades da Intermédica: “Muitas pessoas estão em tratamento e terão os procedimentos interrompidos. Até cirurgias poderão ser canceladas”.

A Translíder tem 181 motoristas, 135 cobradores, monitoras escolares, empregados administrativos e de oficinas, totalizando 450 pessoas. Ela opera com 64 ônibus convencionais e 46 micro-ônibus, estes para 2.600 estudantes da rede municipal.

Uma nova assembleia está marcada para  acontecer hoje, na garagem da Translíder.

Outras paralisações

A greve mais recente da categoria, de um dia, foi em 17 de janeiro. Os trabalhadores retornaram ao trabalho após o pagamento dos salários de dezembro.

No final de dezembro, os rodoviários da Translíder também pararam por um dia, para receber a segunda parcela do 13º salário. Em 1º de novembro, os trabalhadores paralisaram, pois estavam sem receber o adiantamento salarial desde o dia 20 de outubro. Em 9 de novembro de 2015, também houve greve contra atraso salarial.

Prefetura faz plano alternativo na cidade

Em nota, a Prefeitura de Cubatão informou que está desde ontem acompanhando a situação, e providenciou ampliação no transporte alternativo, além de solicitar reforço no policiamento militar.  Destaca ainda que não há qualquer débito legalmente constituído da Prefeitura para com a Translíder, sendo as questões trabalhistas diretamente tratadas entre a Translíder e seus trabalhadores.