Greve de servidores de Santos segue sem previsão de término

Categoria pede reajuste de salário, mas Prefeitura de Santos ainda não apresentou uma proposta

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18 MAR 2017Por Vanessa Pimentel08h00
Durante a manifestação de ontem, o grupo de teatro Trupe Olho da Rua apresentou a peça ArrumadinhoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A greve dos servidores de Santos chegou ontem ao nono dia. Os funcionários se concentraram desde as 8h na Praça Mauá. A greve é por tempo indeterminado e coordenada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), por conta da falta de reajuste salarial. A categoria pede 5,35% referentes à inflação dos últimos 12 meses mais 8% de aumento real. A Prefeitura de Santos ainda não apresentou nenhuma proposta.

O presidente do Sindserv, Flávio Saraiva, disse que a greve irá continuar até que a Administração se posicione e apresente alguma proposta aos servidores. Até o momento, de acordo com ele, a Prefeitura enviou ao sindicato na semana passada apenas um ofício oferecendo um reajuste no auxílio-alimentação e na cesta básica, mas não fez menção à discussão salarial.

“O movimento ganhou força nesses dias de paralisação. A educação é a maior secretaria, então, consequentemente, conta com o maior número de adesão, mas temos funcionários da saúde, turismo e continuaremos até que a Prefeitura tome uma posição”, afirmou Flávio.

O protesto de ontem contou com apresentação teatral do grupo Trupe Olho da Rua.

Na parte da tarde, os manifestantes seguiram para o Sindicato dos Petroleiros para assistir a uma aula pública com o consultor em Finanças Rodolfo Amaral.

“Ele vai explicar tecnicamente por que os números apresentados pela Administração para justificar o não reajuste salarial são equivocados”, explicou Saraiva.

Na última quinta-feira, os grevistas se dirigiram para a frente da Câmara Municipal de Santos com o objetivo de pressionar os vereadores. Dos 21 parlamentares que compõem o Legislativo santista, 17 disseram que só vão aceitar um projeto do Executivo que, no mínimo, reponha a inflação, na ordem de 5,35%, conforme pedido dos servidores.

Prefeitura

Por meio de nota, a Prefeitura informou que a adesão de servidores ao movimento de greve teve queda na Saúde Mental, passando de 48,2% na última quinta-feira para 46,1% ontem. A Assistência Social conservou o patamar de 50% de adesão. A Educação manteve o índice de mais de 70% de funcionários não comparecendo ao trabalho. Mais de 30 mil alunos da rede municipal estão sem aula.  

Na área da Saúde, as 32 policlínicas se mantêm abertas, embora em algumas esteja ocorrendo atendimento parcial e necessidade de remarcação de consultas, devido à adesão de 35,1% dos servidores à greve. O Pronto-Socorro da Zona Leste tem atendimento normalizado, bem como Samu, que conta com equipe completa. Os Prontos-Socorros da Zona Noroeste e Central, assim como os outros equipamentos, funcionam normalmente.

Servidores dos Esportes, Serviços Urbanos, Meio Ambiente e Segurança tiveram adesão baixa à paralisação e os equipamentos subordinados a estas secretarias estão funcionando normalmente.
 
Histórico

A decisão pela greve foi tomada após assembleia realizada no dia 23 de fevereiro em resposta ao anúncio do governo de não querer reajustar os salários. Na quinta-feira (9), os servidores iniciaram a greve por volta das 8h, concentrados na Praça Mauá. Centenas de servidores, munidos de apitos e cartazes, fizeram coro aos sindicalistas pedindo reajuste salarial. Na sexta-feira (10), a cena se repetiu.

Na segunda-feira (13), os manifestantes se reuniram na Praça das Bandeiras e se dirigiram em passeata até a Prodesan, local onde o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) mantém uma sala de reunião. No mesmo dia, ele voltou a dizer que no momento a Administração não possui recursos para conceder o reajuste salarial pleiteado pela categoria, e que isso só será possível a partir do segundo semestre, caso a situação dos cofres públicos melhore. No início da noite, a prefeitura informou em nota que havia acionado a Justiça para garantir que 80% dos servidores públicos comparecessem aos serviços municipais essenciais. A atitude não foi bem vista pelos servidores que se manifestaram dizendo que conhecem a lei da greve e que mantiveram os funcionários dos serviços essenciais trabalhando.

Na terça-feira (14), mesmo com chuva, os funcionários voltaram a se reunir na Praça Mauá com panelas e cartazes direcionados ao Paço Municipal. Na quarta-feira (15), se concentraram para a Praça das Bandeiras e fizeram passeatas pela Avenida Ana Costa. Na quinta-feira (16), se dirigiram em passeata até a Câmara Municipal para cobrar uma posição dos vereadores.

Trupe Olho da Rua traz leveza ao clima da greve

Em meio à expressões de cansaço dos servidores presentes no nono dia de greve, a arte, mais uma vez, trouxe leveza para o clima.

O grupo de teatro Trupe Olho da Rua transformou a Praça Mauá por cerca de 50 minutos, em um palco, e a greve em espetáculo.

Além de distrair os grevistas, a peça divertiu vendedores ambulantes, funcionários de outras empresas do centro, e até mesmo os guardas municipais que faziam a segurança da entrada da Prefeitura.
A apresentação de nome “Arrumadinho” contou com seis atores e teve apoio do Fundo Municipal de Assistência à Cultura (Facult).

Como a peça passeava por cenas que acontecem no mundo profissional, o público vibrava cada vez que se identificava com uma delas.

“Nosso espetáculo está circulando pela cidade. Quando a greve começou, encaixamos o cronograma para se apresentar aos grevistas e mostrar nosso apoio a eles”. Afirmou o ator Caio Martinez.

Ao final da apresentação, aplausos, sorrisos, abraços e apoio – talvez o mais importante, parecem ter dado uma força extra para os servidores que, sem previsão, seguem para mais dias de paralisação.