Greve de servidores de Santos segue sem previsão de término

Categoria pede reajuste de salário, mas Prefeitura de Santos ainda não apresentou uma proposta

A greve dos servidores de Santos chegou ontem ao nono dia. Os funcionários se concentraram desde as 8h na Praça Mauá. A greve é por tempo indeterminado e coordenada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), por conta da falta de reajuste salarial. A categoria pede 5,35% referentes à inflação dos últimos 12 meses mais 8% de aumento real. A Prefeitura de Santos ainda não apresentou nenhuma proposta.

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O presidente do Sindserv, Flávio Saraiva, disse que a greve irá continuar até que a Administração se posicione e apresente alguma proposta aos servidores. Até o momento, de acordo com ele, a Prefeitura enviou ao sindicato na semana passada apenas um ofício oferecendo um reajuste no auxílio-alimentação e na cesta básica, mas não fez menção à discussão salarial.

“O movimento ganhou força nesses dias de paralisação. A educação é a maior secretaria, então, consequentemente, conta com o maior número de adesão, mas temos funcionários da saúde, turismo e continuaremos até que a Prefeitura tome uma posição”, afirmou Flávio.

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O protesto de ontem contou com apresentação teatral do grupo Trupe Olho da Rua.

Na parte da tarde, os manifestantes seguiram para o Sindicato dos Petroleiros para assistir a uma aula pública com o consultor em Finanças Rodolfo Amaral.

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“Ele vai explicar tecnicamente por que os números apresentados pela Administração para justificar o não reajuste salarial são equivocados”, explicou Saraiva.

Na última quinta-feira, os grevistas se dirigiram para a frente da Câmara Municipal de Santos com o objetivo de pressionar os vereadores. Dos 21 parlamentares que compõem o Legislativo santista, 17 disseram que só vão aceitar um projeto do Executivo que, no mínimo, reponha a inflação, na ordem de 5,35%, conforme pedido dos servidores.

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Prefeitura

Por meio de nota, a Prefeitura informou que a adesão de servidores ao movimento de greve teve queda na Saúde Mental, passando de 48,2% na última quinta-feira para 46,1% ontem. A Assistência Social conservou o patamar de 50% de adesão. A Educação manteve o índice de mais de 70% de funcionários não comparecendo ao trabalho. Mais de 30 mil alunos da rede municipal estão sem aula.  

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Na área da Saúde, as 32 policlínicas se mantêm abertas, embora em algumas esteja ocorrendo atendimento parcial e necessidade de remarcação de consultas, devido à adesão de 35,1% dos servidores à greve. O Pronto-Socorro da Zona Leste tem atendimento normalizado, bem como Samu, que conta com equipe completa. Os Prontos-Socorros da Zona Noroeste e Central, assim como os outros equipamentos, funcionam normalmente.

Servidores dos Esportes, Serviços Urbanos, Meio Ambiente e Segurança tiveram adesão baixa à paralisação e os equipamentos subordinados a estas secretarias estão funcionando normalmente.
 
Histórico

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A decisão pela greve foi tomada após assembleia realizada no dia 23 de fevereiro em resposta ao anúncio do governo de não querer reajustar os salários. Na quinta-feira (9), os servidores iniciaram a greve por volta das 8h, concentrados na Praça Mauá. Centenas de servidores, munidos de apitos e cartazes, fizeram coro aos sindicalistas pedindo reajuste salarial. Na sexta-feira (10), a cena se repetiu.

Na segunda-feira (13), os manifestantes se reuniram na Praça das Bandeiras e se dirigiram em passeata até a Prodesan, local onde o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) mantém uma sala de reunião. No mesmo dia, ele voltou a dizer que no momento a Administração não possui recursos para conceder o reajuste salarial pleiteado pela categoria, e que isso só será possível a partir do segundo semestre, caso a situação dos cofres públicos melhore. No início da noite, a prefeitura informou em nota que havia acionado a Justiça para garantir que 80% dos servidores públicos comparecessem aos serviços municipais essenciais. A atitude não foi bem vista pelos servidores que se manifestaram dizendo que conhecem a lei da greve e que mantiveram os funcionários dos serviços essenciais trabalhando.

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Na terça-feira (14), mesmo com chuva, os funcionários voltaram a se reunir na Praça Mauá com panelas e cartazes direcionados ao Paço Municipal. Na quarta-feira (15), se concentraram para a Praça das Bandeiras e fizeram passeatas pela Avenida Ana Costa. Na quinta-feira (16), se dirigiram em passeata até a Câmara Municipal para cobrar uma posição dos vereadores.

Trupe Olho da Rua traz leveza ao clima da greve

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Em meio à expressões de cansaço dos servidores presentes no nono dia de greve, a arte, mais uma vez, trouxe leveza para o clima.

O grupo de teatro Trupe Olho da Rua transformou a Praça Mauá por cerca de 50 minutos, em um palco, e a greve em espetáculo.

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Além de distrair os grevistas, a peça divertiu vendedores ambulantes, funcionários de outras empresas do centro, e até mesmo os guardas municipais que faziam a segurança da entrada da Prefeitura.
A apresentação de nome “Arrumadinho” contou com seis atores e teve apoio do Fundo Municipal de Assistência à Cultura (Facult).

Como a peça passeava por cenas que acontecem no mundo profissional, o público vibrava cada vez que se identificava com uma delas.

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“Nosso espetáculo está circulando pela cidade. Quando a greve começou, encaixamos o cronograma para se apresentar aos grevistas e mostrar nosso apoio a eles”. Afirmou o ator Caio Martinez.

Ao final da apresentação, aplausos, sorrisos, abraços e apoio – talvez o mais importante, parecem ter dado uma força extra para os servidores que, sem previsão, seguem para mais dias de paralisação.