Greve de garis prejudica serviços de limpeza em 130 municípios paulistas

Em alguns municípios, as prefeituras relatam que os grevistas têm hostilizado os funcionários que fazem o serviço de contingência

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25 MAR 201515h36

No terceiro dia de greve dos garis no estado de São Paulo, os 130 municípios afetados pela paralisação têm buscado alternativas para manter o nível essencial dos serviços. O Sindicato das Empresas Urbanas de São Paulo (Selur), que representa as concessionárias prestadoras do serviço, informa que o movimento tem mais adesão nas cidades maiores, em especial no Grande ABC. A Federação de Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental, Urbana e Áreas Verdes do Estado de São Paulo (Femaco) completa que 30 mil garis aderiram à greve.

Em alguns municípios, as prefeituras relatam que os grevistas têm hostilizado os funcionários que fazem o serviço de contingência. Em Santo André, região do Grande ABC, os coletores deixaram hoje (25) o aterro municipal sob escolta policial. No entanto, segundo o Serviço Municipal de Saneamento Ambiental da cidade (Semasa), como a Polícia Militar não pode acompanhar os trabalhadores em todo o trajeto, eles acabaram retornando sem recolher o lixo.

A Semasa informou ainda que mantém 49 funcionários para fazer a coleta de lixo, com prioridade para as ruas onde ocorrem feiras livres. A prefeitura de São Caetano tem atuado de maneira semelhante. A prefeitura do município, que também fica no Grande ABC, reconhece, entretanto, que não tem conseguido manter a frequência normal dos serviços.

Em Mauá, na região metropolitana da capital, a prefeitura relatou ações dos grevistas contra o trabalho emergencial. Porém, não chegou a ser solicitada escolta policial. De acordo com a administração municipal, os trabalhadores que aderiram ao movimento têm barrado a entrada de caminhões no aterro da cidade.

Em Itanhaém, na Baixada Santista, a prefeitura reclama do descumprimento da decisão judicial que determinou a manutenção de 70% dos serviços de limpeza e coleta de lixo. “O único serviço de limpeza e coleta que vem sendo feito pela empresa contratada é o de coleta de resíduos da [área de] saúde”, ressalta a administração municipal, que tem tentado manter parte dos serviços, com foco nos locais com maior fluxo de pessoas e feiras livres.

Os caminhões foram impedidos de sair da base operacional em Cotia, Grande São Paulo. Segundo a prefeitura, os grevistas também bloquearam a saída dos funcionários que prestam serviço para a Secretaria de Obras do município. Por isso, a secretaria está pedindo à população para armazenar o lixo até que a coleta seja restabelecida.

A liminar obtida pelas empresas está sendo respeitada em Osasco e Itapevi, ambos na zona oeste da região metropolitana de São Paulo. A prefeitura de Osasco informou que a coleta na cidade está sendo complementada por servidores da Secretaria Municipal de Serviços e Obras.

Em Araçatuba, no interior do estado, a prefeitura informou que acompanha o movimento de paralisação, de modo a garantir que a concessionária mantenha 70% dos serviços, como estipulado pela Justiça. Em Paulínia, também no interior, o Selur destaca que a decisão judicial não está sendo cumprida.

Apesar dos relatos, a Femaco divulga em nota que os trabalhadores estão cumprindo a decisão da Justiça. A categoria reivindica reajuste de 11,73%. Após audiência de conciliação, ontem (24), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), as empresas aumentaram a oferta de 6,5% para 7,68% de reajuste. O encontro acabou sem acordo, e não há previsão para nova rodada de negociação.

O presidente do Selur, Ariovaldo Caodaglio, disse que a representação patronal fará hoje uma avaliação da greve para decidir os próximos passos.