O Governo dos Estados Unidos passa a classificar, a partir desta sexta-feira (5), as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão, anunciada pela gestão do presidente Donald Trump em 28 de maio, amplia o alcance das autoridades americanas sobre pessoas, empresas e operações financeiras que possam ter ligação com os grupos.
A medida faz com que as facções deixem de ser tratadas como organizações ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. A mudança permite o uso de instrumentos mais rigorosos de investigação, monitoramento e punição. O governo brasileiro tem mantido conversas diplomáticas para tentar reverter a decisão.
Consequências no país
Uma das principais consequências é que qualquer pessoa ou empresa que forneça apoio material, financeiro, logístico ou operacional aos grupos poderá ser alvo de sanções americanas. O conceito de apoio é amplo e pode incluir desde transferências de recursos até prestação de serviços que beneficiem integrantes das organizações.
A nova classificação também deve aumentar a vigilância sobre instituições financeiras e empresas que mantêm relações com o sistema financeiro dos EUA. Caso investigações identifiquem movimentações ligadas ao PCC ou ao CV, os ativos sob jurisdição americana poderão ser bloqueados.
Outro efeito esperado é o endurecimento das regras migratórias. Pessoas apontadas pelas autoridades americanas como integrantes ou colaboradoras das facções poderão enfrentar restrições para obtenção de vistos e entrada nos Estados Unidos.
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Impactos na legislação brasileira
A decisão estadunidense não interfere nas decisões jurídicas dentro do Brasil. As facções continuam sendo tratados pela legislação brasileira como organizações criminosas, sem alteração em sua classificação legal no país. Contudo, especialistas avaliam que a medida pode produzir reflexos econômicos e diplomáticos.
O diretor acadêmico do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Feliciano Guimarães, afirma que bancos e empresas brasileiras com ativos ou operações nos Estados Unidos poderão enfrentar riscos se tiverem vínculos com as facções.
“Bancos brasileiros que têm ativos no mercado americano, empresas brasileiras que tenham ações no mercado americano, inclusive a Petrobras. Se investigações brasileiras, como Carbono Oculto [operação da Polícia Federal que investiga práticas de lavagem de dinheiro conduzidas pelo crime organizado], ou outras investigações feitas pelos Estados Unidos identificarem instituições financeiras brasileiras que, por alguma forma, passaram recurso do PCC ou do CV, podem sofrer sanções diretas”, explicou ao g1.
Além do impacto econômico, analistas alertam para possíveis efeitos na cooperação internacional. Segundo Guimarães, a mudança de status pode criar novos desafios para o compartilhamento de informações entre autoridades brasileiras e americanas no combate ao crime organizado, especialmente se mais agências de inteligência dos EUA passarem a atuar no acompanhamento das facções.
Desde que a medida foi anunciada, o governo brasileiro tem mantido conversas diplomáticas com Washington para discutir os efeitos da decisão. Os auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discordam das operações militares americanas em território brasileiro, mas acompanham com atenção os desdobramentos da nova classificação.
