Governo do Estado repassa menos na área da saúde para a Baixada Santista

Recursos para as prefeituras somam apenas 18% do enviado pela União aos municípios

A saúde é um dos setores que mais preocupa as prefeituras de todo o Brasil. Os orçamentos municipais não são suficientes para financiar as ações. Na Baixada Santista, a maior parte dos recursos para a pasta é oriundo do Governo Federal. No ano passado, a região recebeu um pouco mais de R$ 378 milhões. Inferior, o montante repassado pelo Governo do Estado, por meio de transferência voluntária, nos últimos 12 meses, equivale a aproximadamente 18% (R$ 67,6 milhões) dos repasses da União e não contemplou todas as cidades. Os dados constam nos portais da transparência dos dois órgãos.

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Os recursos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Governo Federal são destinados para o custeio de unidades e procedimentos de média e alta complexidade. De acordo com os dados analisados pelo Diário do Litoral, no Portal da Transparência da União, os valores estão de acordo com o número de habitantes, serviços e hospitais existentes nas cidades. Os nove municípios da Baixada Santista foram contemplados. A verba é repassada aos Fundos Municipais da Saúde.

Já nos dados analisados pela Reportagem, no Portal da Transparência do Governo do Estado de São Paulo, não é possível identificar os critérios adotados para a distribuição dos recursos de transferência voluntária (convênios com prefeituras). Das nove cidades da região, três não foram contempladas com verbas deste tipo nos últimos 12 meses: Itanhaém, São Vicente e Peruíbe. Do total transferido para os outros seis municípios (R$ 67,6 milhões), Praia Grande ficou com mais da metade: R$ 43,9 milhões.  

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Santos e Praia Grande recebem mais na região

Com o maior número de habitantes da Baixada Santista, e também a maior rede de saúde pública, que inclusive atende pacientes de outras cidades, Santos foi o município que recebeu mais recursos do Governo Federal para o setor em 2015 – R$ 125,4 milhões. O Governo do Estado repassou R$ 20,3 milhões, sendo boa parte para as obras do Hospital dos Estivadores. A Administração Municipal destinou do seu próprio orçamento, no ano passado, um pouco mais de R$ 294 milhões ao setor.

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Praia Grande recebeu, no ano passado, R$ 65,9 milhões do Governo Federal para a saúde. Já o Governo do Estado repassou R$ 43,9 milhões. A cidade possui um hospital, o Irmã Dulce, que é gerenciado pela prefeitura por meio de uma Organização Social, a Fundação ABC.

Guarujá recebeu R$ 64,6 milhões do Governo Federal. O município conta apenas com um hospital que atende a rede pública de saúde. O montante repassado pelo Estado à Prefeitura, nos últimos 12 meses, foi de R$ 750 mil.

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O Governo Federal repassou para São Vicente R$ 55,2 milhões, em 2015. A cidade enfrenta uma grave crise financeira e o seu único hospital público é incapaz de atender a demanda. O Governo do Estado não fez repasses referentes ao setor para a Prefeitura nos últimos 12 meses.

Cubatão, que decretou estado de calamidade pública na saúde recentemente, recebeu no ano passado R$ 25,3 milhões do Governo Federal. Já do Governo do Estado os repasses foram de R$ 603,5 mil. O município atende pacientes de outras cidades vizinhas como São Vicente. Segundo a Prefeitura, todo o custeio do sistema de saúde cubatense é feito pelo município (83,4%). Para manter esse atendimento à população, a prefeitura está solicitando mais apoio dos governos estadual e federal.

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Itanhaém recebeu do Governo Federal, no ano passado, R$ 17,4 milhões. O município abriga um hospital regional que é custeado pelo Governo do Estado que, nos últimos 12 meses, não fez repasses voluntários à Prefeitura.

Peruíbe recebeu R$ 11,8 milhões da União para o setor em 2015. O Governo do Estado não fez transferências voluntárias para a cidade nos últimos 12 meses.

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O Governo Federal repassou ao município de Mongaguá R$ 6,9 milhões. O Governo do Estado R$ 644,8 mil. Segundo a Prefeitura, o investimento municipal para o setor, no ano passado, representou 26,08% do orçamento.

Peruíbe recebeu R$ 11,8 milhões da União para o setor em 2015. O Governo do Estado não fez transferências voluntárias para a cidade nos últimos 12 meses.

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Bertioga recebeu R$ 5,4 milhões do Governo Federal para a saúde em 2015. O município recebeu um pouco mais de R$ 1 milhão do Estado.

Estado diz que prioriza equipamentos próprios

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Questionado sobre os repasses, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde, informou que o financiamento da saúde, por parte do Estado, se dá primordialmente pela manutenção de equipamentos de saúde estaduais para atendimento regional. O órgão citou os serviços do estado localizados em outros municípios da Baixada, como o Hospital Guilherme Álvaro, Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) e a farmácia de remédios de Alto Custo de Santos que atendem a pacientes de todos os municípios da região.

Ainda de acordo com a Secretaria da Saúde, somente neste ano o Estado vai investir R$ 217 milhões em sete unidades de saúde estaduais da Baixada que realizam atendimento regional.  Disse também que dá apoio à atenção básica e auxílio financeiro às santas casas e hospitais filantrópicos da Baixada.

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Sobre os três municípios que não foram contemplados com transferência voluntária às prefeituras nos últimos 12 meses, o órgão informou que, no município de Itanhaém, onde está instalado o Hospital Regional, além do custeio anual no valor de R$ 30,9 milhões, estão sendo investidos pelo governo do Estado mais R$ 64,9 milhões na reforma e construção de uma nova torre de oitos andares pertencente ao Hospital. Em Peruíbe, está sendo investindo R$ 4 milhões na construção do Hospital Municipal de Peruíbe. E, em São Vicente está prevista a implantação de um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Mais.