Nos últimos dias, uma série de crimes deixou a população da Baixada Santista apreensiva. Em uma semana, dois ônibus fretados foram alvos de arrastões na Rodovia Anchieta, o estudante Luann Oshiro foi morto em um ponto de ônibus, em Santos, e uma professora foi baleada durante tentativa de assalto em Cubatão.
Entretanto, o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), minimizou as ocorrências. Durante visita ao Centro de Controle Operacional do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Santos, o governante defendeu o trabalho realizado pela Secretaria de Segurança Pública e pediu mais razoabilidade em relação aos avanços na questão.
“O estado de São Paulo investe mais em segurança pública do que o Governo Federal no Brasil. É também uma distorção não reconhecer os avanços. Eu sei que vocês (jornalistas) gostam dar notícia ruim, mas é preciso reconhecer o mínimo de avanço. É preciso ter o mínimo de razoabilidade. Mas eu não vou convencer vocês (jornalistas), então, comandante (Ricardo Ferreira de Jesus, do 6º Batalhão da Polícia Militar do Interior), continue trabalhando”, disse o governador.
Segurando uma folha com os dados que indicam a queda da criminalidade na região, Alckmin destacou, a todo o momento, que o trabalho da Polícia tem tido resultado positivo e que o governo estadual busca reduzir os números ao mínimo possível. “Você sempre vai ter crime. Isso é uma guerra. A gente trabalha e vamos continuar como está sendo feito. Está tudo em queda. Esse índice nunca vai ser zero. Sempre vai ter má notícia para dar, infelizmente. O governo vai trabalhar para reduzir. Não tem como dizer que não vai existir mais”.
O governador não deu muitos detalhes sobre medidas específicas que estão sendo tomadas para o combate ao crime na Baixada Santista, mas ressaltou a chegada de 10 novos policiais civis para a região.
Alckmin também comentou sobre os casos recentes. Em relação aos arrastões contra ônibus fretados, o governador disse que “a suspeita é que seja a mesma quadrilha”, mas que não poderia antecipar nada para não prejudicar a investigação. Porém, ele garantiu que os suspeitos serão presos.
Além disso, o governante explicou que o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) já foi colocado para realizar o reforço no policiamento da região onde ocorreram os crimes.
Alckmin também comentou sobre a possibilidade dos ônibus utilizarem a Rodovia dos Imigrantes. “Veículos pesados nunca trafegaram nela por questão de segurança. Ela tem um nível de declividade maior, isso exige muita frenagem e poderia por em risco as pessoas. A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) vai verificar. Não é que não queira, mas precisa saber se pode sem colocar em risco a segurança das pessoas”.
Por fim, o governador prestou solidariedade à família do estudante Luann Oshiro e destacou que os índices de homicídios, no estado e em Santos, são menores que o do País.
“Nós não podemos também deixar de reconhecer o trabalho da polícia. O Brasil tem, em média, 28 assassinatos a cada 100 mil habitantes. O estado de São Paulo tem média de 9,2 a cada 100 mil pessoas. Não está bom? Precisa melhorar. Mas o estado de São Paulo tinha, em 1999, 35 morte por assassinato a cada 100 mil habitantes e agora tem 9. Já Santos, com 430 mil habitantes teve, de janeiro até setembro, 7 homicídios. Se mantiver essa proporção, você vai ter menos de 4 por 100 mil habitantes ao ano. Nós queremos zero, mas infelizmente, não depende da gente. Você tem crime”.
Lista com mudanças de escolas deve sair na segunda-feira
O governador Geraldo Alckmin falou sobre a reorganização da rede estadual de ensino. Segundo ele, a lista com as alterações nas unidades escolares deve ser divulgada na segunda-feira.
Segundo Alckmin, a reorganização visa melhorar a qualidade do ensino. “Nós temos uma infraestrutura para 6 milhões de alunos e temos, hoje, 4 milhões. São 2.900 classes ociosas. Uma escola com 20 salas, funcionam 12, por exemplo. Você tem 2 milhões de vagas a mais. Em 18 anos, o número de alunos na rede pública de ensino reduziu em 1,8 milhão”.
O tucano explicou que entre as causas para esta queda estão a mudança de uma parte do ciclo I (ensino fundamental de 1º ao 5º ano) que foi municipalizado, a melhora de renda da população, que fez com que estudantes fossem para o ensino particular, e a mudança demográfica. “Tem menos criança. O Brasil, que era um país jovem, agora é um país maduro indo para o idoso”.
Atualmente, o estado de São Paulo conta com 1.500 escolas de ciclo único. Com a reorganização, mais de 600 também devem adotar o sistema. De acordo com a Alckmin, esta alteração aumenta o rendimento dos alunos. “O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) mostra que, quando uma escola possui os três ciclos tem uma queda de rendimento no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). No ensino fundamental ,essa diferença chega a ser de 7%. Já no ensino médio, essa diferença é de 28%”.