Gouvêa descarta reforma administrativa em São Vicente, mas diz que é necessária

Prefeito discute com sindicatos soluções para quitar dívidas e aliviar a folha

Com uma dívida de R$ 115 milhões com o Instituto de Previdência e de R$ 6,7 milhões de férias dos servidores municipais, a Prefeitura de São Vicente busca soluções para quitar os débitos. Mesmo com a tarefa de reduzir os gastos com a folha de pagamento, que excedem os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e ultrapassa os 59% da despesa mensal da Administração, por enquanto, o prefeito Pedro Gouvêa (PMDB) descarta o envio de uma reforma administrativa para a Câmara Municipal, como ocorreu recentemente em Cubatão.

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“Precisamos fazer muitas correções dentro do município, mas não dá para copiar os modelos das outras cidades. Temos que trabalhar em cima do nosso modelo e da nossa realidade. Temos pressa, mas não vamos fazer isso de qualquer maneira. Vamos fazer a reforma quando tivermos a certeza que o remédio que vamos aplicar vai de fato trazer a cura para o que estamos buscando”, afirmou Gouvêa.

O prefeito ressaltou a criação de um grupo de trabalho, após a rápida paralisação dos professores, no último dia 24 de março. A comissão discute uma fórmula para quitar os débitos e solucionar os problemas referentes ao funcionalismo municipal.

“Criamos uma comissão com o Sindicato dos Professores e o Sindicato dos Servidores para trabalhar e trazer transparência. A Administração precisa de muita transparência. Envolver os sindicatos e os servidores dentro desse processo é saudável para todos nós. Para eles conhecerem de fato os nossos gargalos. Conhecer os problemas apontados dentro do município”.

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Números

A Prefeitura de São Vicente tem, atualmente, 6.110 servidores municipais admitidos. As maiores pastas são Educação e Saúde com 2.665 (43,86%) e 2.063 (33,95%) dos trabalhadores, respectivamente. O município gasta 59,8% de suas receitas com o funcionalismo. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o gasto com o pessoal pode chegar a 54% da receita corrente líquida, sendo o limite prudencial de 51,3%. Para equacionar essa conta e enquadrar-se nos padrões aceitáveis pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), a Administração precisa reduzir em R$ 4 milhões os gastos.

“O primeiro desafio que temos é trazer os índices de comprometimento com a folha para índices mais razoáveis. Mas só é possível fazer com análise criteriosa do número de pessoas. Saber onde estão e o que estão fazendo. Conhecendo os servidores. A Secretaria de Administração já está fazendo esse trabalho. É um processo. Estamos atuando junto com os sindicatos no sentido de tirar os gargalos”, destacou a secretária da Fazenda, Miriam Cajazeira.

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Segundo a Prefeitura, a dívida com o Instituto de Previdência é de R$ 115 milhões, mas, desde janeiro o repasse de valores tem sido efetuado integralmente. A Administração busca um acordo para renegociar os débitos, que incluem acordos anteriores que não foram cumpridos. No ano passado, o município deixou de repassar R$ 46,1 milhões ao órgão. Ainda há uma pendência da ordem de R$ 6,7 milhões referentes às férias da categoria.

Sindicato reconhece ‘inchaço’ e se preocupa com retirada de benefícios

O diretor de Comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SindservSV), Marcelo Arias, confirma a participação dos sindicatos que representam a categoria no grupo de trabalho constituído pela prefeitura. O dirigente sindical também reconhece o ‘inchaço’ da folha e diz que categoria está preocupada com reforma que possa tirar benefícios.

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“A folha realmente está inchada, excedendo os limites legais da Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa opinião é corroborada por especialistas que consultamos. Temos dialogado com o Governo. Identificamos que a tendência é que, sem o pagamento dos atrasados, a folha volta à normalidade, possibilitando alguma melhora”, afirmou Arias.

O diretor do SindServ ressaltou os gastos com as terceirizações e a preocupação da categoria com uma possível reforma administrativa que possa cortar ou diminuir benefícios, como ocorreu em Cubatão.

“O importante é diminuir as terceirizações, verdadeira torneira por onde jorra dinheiro público. Temos preocupação, não à toa já estamos utilizando a expressão ‘nenhum direito a menos’ nos nossos materiais. Acreditamos na capacidade de mobilização da nossa categoria. Sabemos a responsabilidade que temos. Não nos damos ao luxo de conduzir arrimos de família para situações em que possam deixa-los mal”.

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O grupo também avalia a campanha salarial. “Estamos estudando todos os dados e projetando tendências para ver se encontramos folga orçamentária que possibilite reajuste ainda esse ano”, afirmou Arias.