Gestante internada com sintomas de coronavírus perde bebê em Santos, diz filha

Filha afirma que paciente teve febre muito alta e falta de ar antes de ser internada

Uma gestante de 43 anos que foi internada no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, com suspeita de ter contraído o coronavírus, perdeu o bebê. A informação foi repassada ao Diário do Litoral no final da noite desta sexta-feira (20) por familiares da paciente. De acordo com parentes, ela continua internada na unidade de saúde e está neste momento entubada.

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A paciente em questão estava grávida de 3 meses e uma semana. Ela é moradora de São Vicente e estava em São Paulo durante a segunda semana de março. A mulher viajou para a Capital para cuidar de parentes e permaneceu por lá por alguns dias antes de voltar ao litoral paulista.

“Ela mora aqui em São Vicente e passou o carnaval conosco, mas teve que ir para São Paulo para ajudar uns familiares nossos que estão passando por problemas. Ela subiu para cuidar dos sobrinhos dela e ajudar o irmão dela, meu tio, que é enfermeiro. Na terceira semana de março eu fiz aniversário e meu marido preparou uma festa surpresa pra mim e comprou passagem pra minha mãe vir comemorar com a gente. Só que até então, nós não sabíamos que ela estava com febre”, afirma a filha da paciente.

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Uma vez em São Vicente, já no sábado (14), a mulher participou da festa da filha, que acabou percebendo que ela estava com a pele muito quente. Preocupada, ela questionou a mãe, que disse que havia tomado um remédio e pediu à filha que não se preocupasse, porque ela já iria melhorar.

“Ela voltou pra casa dela, ficou com meu pai, mas mal se moveu durante a festa. Ela queimava de febre”, afirma a filha.
No domingo (15), um dia depois da festa, a filha da paciente precisou trabalhar e já contava que sua mãe não ficaria com ela na segunda-feira (16) porque ela já havia relatado que pretendia voltar para São Paulo, onde continuaria ajudando o irmão.

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“Eu disse para ela que sairia do meu trabalho por volta das 18h e avisei que ia passar a noite com ela antes dela retornar pra Capital no dia seguinte. Só que quando cheguei, não a encontrei porque ela decidiu sair com meu pai para jantar e eu então resolvi ir dormir. Já na segunda eu acordei bem cedo, mesmo sendo meu dia de folga, e fui conversar com ela, mas ela simplesmente não conseguia falar comigo, ela estava totalmente sem voz”.

Ao perceber que a mãe estava com falta de ar e que a febre não havia ido embora, ela notou que ambos sintomas poderiam ser um indicativo de que ela havia contraído o coronavírus. Com a ajuda de familiares, ela decidiu entrar em contato com a Secretaria de Saúde, e diz que foi informada pelas autoridades que deveria leva-la até a Maternidade São José, em São Vicente.

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“Nós compramos máscara para ela, para nós, compramos álcool gel e passamos na casa inteira”.

As duas se deslocaram até a unidade de saúde, e a gestante recebeu o primeiro atendimento enquanto sua filha foi orientada a esperar do lado de fora do local enquanto continuou a conversar com a mãe por um aplicativo de mensagens de celular.

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“Durante a nossa conversa ela me disse que desconfiava que seria transferida ou para o Crei (Hospital Municipal de São Vicente) ou para o Hospital Guilherme Álvaro.

Horas depois disso, ela retornou para o interior do São José e foi informada que sua mãe havia sido transferida para o Hospital Municipal de São Vicente, onde foi liberada depois disso.

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“Estava lotado no dia. Eu achei estranho, mas um médico me disse que ela estava liberada, só que quando conversamos do lado de fora ela me disse que não sabia o motivo de ter recebido alta porque ainda se sentia mal. Depois disso, nós voltamos para casa, onde dei algo pra ela comer antes de irmos diretamente até o Guilherme Álvaro. Ela tremia inteira”.

Ao chegar na unidade de saúde de Santos, a equipe médica a levou para dentro no mesmo momento e pediu para que os familiares só retornassem no dia seguinte para receber mais informações.

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Preocupada, a filha da gestante retornou ao hospital no meio da tarde do dia seguinte e foi informada pelos médicos de que sua mãe estava consciente e estável, mas que ainda não era possível afirmar o que ela tinha. Apesar disso, os profissionais de saúde garantiram que haviam feito um exame para detectar se ela estava realmente com coronavírus.

“Ela estava sozinha em um quarto isolado e eu pude conversar com ela por um vidro. Ela tinha um caderno na mão e uma caneta, então escrevia para mim ler e ela perguntou se meus irmãos estavam bem, se estavam comendo. Logo depois disso ela começou a chorar de nervosismo e pediu notícias da imprensa, dos jornais e eu respondi que estava um caos”.

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A mulher seguiu internada, mas sofreu uma piora no seu quadro de saúde na quinta-feira (19).

“Minha tia e irmã foram visitá-la, mas disseram para as duas que ela havia sofrido um ataque de asma muito forte e que tiveram que entubá-la e sedar, mas que a sua saúde continuava estável. Só que hoje (sexta-feira, 20) eu fui até lá novamente e uma médica me recebeu. Antes, haviam outras pessoas no mesmo andar dela, só que desta vez, ela estava praticamente sozinha. Tinha só uma outra moça, no quarto ao lado, na mesma situação de saúde que ela, grávida e com os mesmos sintomas”.

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“Assim que cheguei a médica me disse: ‘Infelizmente o bebê veio a óbito por conta do ataque de asma dela. Faltou oxigênio pro bebê’. Ela me disse que minha mãe seguia entubada, sedada e recebendo os antibióticos que eram necessários e completou dizendo que até sair o resultado do exame [de coronavírus] eles não poderiam dar nada à base de corticóide pra ela”.

A filha da paciente disse ainda que os médicos afirmaram que ‘tudo depende dela agora’. Essa foi a última atualização do estado de saúde e novas informações serão repassadas apenas a partir das 16h deste sábado (21).

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“A médica disse ainda que minha mãe está com um problema nos rins, mas que isso está sendo tratado com antibióticos. Ela me disse ainda que eu provavelmente não vou mais revê-la na UTI para a minha própria segurança”. Segundo ela, o resultado do exame de coronavírus só deverá ser divulgado até a próxima quarta-feira (25).

A Reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo na noite desta sexta-feira por e-mail para confirmar todas as informações repassadas pela família e para conseguir informações do estado de saúde da paciente e recebeu uma ligação minutos após a mensagem ter sido enviada.

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Por telefone, a Secretaria de Saúde informou que adotou um novo protocolo e não está mais repassando informações sobre casos particulares devido ao número de pacientes que estão com suspeita de coronavírus.

As autoridades afirmaram ainda que adotaram essas ações para tentar preservar a família das pessoas que estão doentes, o que inclui também o fato de não citar o nome das unidades de saúde onde elas se encontram. Apesar disso, a Secretaria de Saúde reforçou que as equipes médicas estão prestando todo o apoio e empregando todas as medidas e esforços possíveis para ajudar na recuperação de todos os internados.