Dados da ANP mostram onde o biocombustível ainda é vantajoso e como a guerra entre Irã e EUA pressiona os preços nas bombas. / Reprodução/Freepik
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Os combustíveis tiveram novo aumento nos postos do país pela quarta semana consecutiva. Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado nesta sexta-feira (27), o preço médio do litro da gasolina passou de R$ 6,65 para R$ 6,78 (alta de 1,95%), e o diesel subiu de R$ 7,26 para R$ 7,45 (aumento de 2,6%).
Desde o dia 28 de fevereiro, quando começou o conflito entre Irã e Estados Unidos, o preço médio da gasolina já aumentou 8% nas bombas, enquanto o diesel disparou 20,3%. Na última semana de fevereiro, o litro da gasolina custava em média R$ 6,28 e o diesel, R$ 6,03, uma alta acumulada de R$ 0,50 para a gasolina e de R$ 1,42 para o diesel.
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Paralelamente, os preços do etanol hidratado também registraram alta. O biocombustível subiu em 15 estados, caiu em oito e no Distrito Federal, e permaneceu estável apenas no Espírito Santo e em Mato Grosso do Sul na semana encerrada no sábado (28). No Amapá não houve levantamento.
Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol passou de R$ 4,70 para R$ 4,72 o litro, uma alta de 0,43%. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o valor subiu 0,44%, para R$ 4,54 o litro.
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A maior alta percentual da semana, de 7,09%, foi registrada no Ceará, onde o preço saltou de R$ 5,08 para R$ 5,44 o litro. Já a maior queda ocorreu em Pernambuco, de -1,73%, com o litro passando de R$ 5,77 para R$ 5,67.
O preço mínimo registrado para o etanol em um posto foi de R$ 3,79 o litro, em São Paulo. O maior valor, de R$ 6,59, foi observado em Pernambuco. Considerando as médias estaduais, Mato Grosso do Sul registrou o menor preço médio (R$ 4,44), enquanto o Rio Grande do Norte teve o maior (R$ 5,85).
Em relação à competitividade, o etanol mostrou-se mais vantajoso que a gasolina apenas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo na semana encerrada em 28 de março. Na média nacional, o biocombustível ficou desfavorável em comparação ao derivado do petróleo.
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A paridade entre os combustíveis, considerada vantajosa para o etanol quando o valor fica abaixo de 70% do preço da gasolina, foi de 68,14% em Mato Grosso, 68,20% em Mato Grosso do Sul, 69,60% no Paraná e 67,86% em São Paulo.
Executivos do setor observam, no entanto, que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade superior a 70%, dependendo do tipo de veículo em que o biocombustível é utilizado.
Com o conflito no Oriente Médio, a expectativa é de impacto continuado nos preços dos combustíveis e, consequentemente, na inflação. O valor do barril do petróleo no mercado global ultrapassou os US$ 115.
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O Estreito de Ormuz, entre a Península Arábica e o Irã, chegou a ser fechado pelo governo iraniano. A região concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e conecta grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.
Diante do cenário, a ANP divulgou uma série de medidas para intensificar o monitoramento no mercado de gasolina e diesel e garantir o abastecimento. Nesta semana, o governo federal assegurou que o país possui estoque de combustível suficiente para atender à demanda de abril, mesmo com a instabilidade nos preços nos postos.