Galápagos ganha novo morador que estava desaparecido há mais de 100 anos

Antes da soltura, os animais passaram por quarentena e receberam chips de identificação, garantindo acompanhamento individual

Hoje, o arquipélago abriga diversas espécies, muitas delas endêmicas

Hoje, o arquipélago abriga diversas espécies, muitas delas endêmicas | MasterfulNerd/Wikimedia Commons

Após mais de um século de ausência, as tartarugas-gigantes voltaram a ocupar o solo da Ilha de Galápagos. Na última sexta-feira, 158 juvenis foram soltos em uma área cuidadosamente preparada para recebê-los. 

O programa faz parte de uma iniciativa maior que pretende repovoar Floreana com até 700 animais, restaurando a presença de uma espécie que desapareceu no século 19.

Cada tartaruga tem entre 8 e 13 anos. Antes da soltura, os animais passaram por quarentena e receberam chips de identificação, garantindo acompanhamento individual. 

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, esses animais desempenham papel central na manutenção do ecossistema local, contribuindo para a dispersão de sementes e a regeneração da vegetação da ilha.

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Conexão genética com o passado

Os jovens animais carregam entre 40% e 80% do DNA da Chelonoidis niger, espécie que era nativa de Floreana antes de desaparecer. 

A extinção da população original foi resultado de caça, incêndios, exploração humana e introdução de espécies invasoras. 

Criadas no Parque Nacional de Galápagos, as tartarugas mantêm vínculo genético com os antigos habitantes da ilha. O governo espera que o repovoamento recupere, aos poucos, a diversidade genética histórica.

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Adaptação desafiadora

Hoje, o arquipélago abriga 13 espécies de tartarugas em outras ilhas. Adultos podem ultrapassar 250 quilos. O exemplar mais velho registrado viveu até 175 anos, segundo levantamento da National Geographic.

A soltura ocorreu durante o período de chuvas, considerado o momento mais adequado para adaptação. 

Em Floreana, os animais dividirão o espaço com a pequena população humana e espécies nativas. Essa presença de espécies invasoras segue sendo um obstáculo para a conservação.

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