Funcionários do Orquidário citam problemas em reunião com vereadores

Comissão de parlamentares realizam visita ao equipamento e preparam relatório

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11 MAI 2017Por Diário do Litoral08h00
Orquidário gasta, por ano, R$ 700 mil com manutençãoOrquidário gasta, por ano, R$ 700 mil com manutençãoFoto: Arquivo/DL

Falta de segurança, ausência de funcionários e diminuição na verba. Esses são apenas alguns dos problemas relatados por funcionários do Orquidário de Santos. Ontem, um grupo de servidores participou de uma reunião com a Comissão Permanente do Verde, do Meio Ambiente e do Bem-estar Animal da Câmara de Santos.

Estavam presentes os vereadores Benedito Furtado (PSB), presidente da comissão e o terceiro membro da comissão, Fabrício Cardoso (PSB). O vice-presidente da comissão, Chico Nogueira (PT) e o parlamentar Zequinha Teixeira (PSD) enviaram representantes ao encontro, que também contou com a presença do secretário municipal de Meio Ambiente, Marcos Libório.

Os vereadores planejavam realizar uma visita às instalações do equipamento, mas não foi possível pela demora na conclusão da reunião, e a visita precisou ser reagendada. Durante o debate entre funcionários e membros do Legislativo, a falta de verbas foi um dos principais temas.

O custo de manutenção do Orquidário é de R$ 700 mil ao ano. No entanto, o orçamento da pasta de Meio Ambiente (Seman), responsável pelos parques de Santos (Orquidário, Aquário e Jardim Botânico, entre outros equipamentos), tem ­diminuído. Em 2015, quando os parques passaram para gestão da Seman, a Prefeitura repassou R$ 26.330.000,00. Já em 2016, a verba caiu para R$ 23.704.400,64. Neste ano, o orçamento ficou em 20.663.574,83, e a expectativa é que a verba fique abaixo da casa dos R$ 20 milhões para 2018.

“O orçamento não dava nem pra Seman fazer o serviço que tinha antes de ter os parques. Quando colocaram os parques, arrebentou tudo. Está com problemas em todos os parques na área de proteção animal”, disse Furtado.

Segundo o vereador, quando os parques pertenciam a secretaria de Turismo,  havia um fundo para onde era destinado todo o dinheiro arrecadado pela bilheteria dos parques. Porém, após a transferência dos equipamentos para o Meio Ambiente, esse dinheiro passou a ir para o caixa-geral da Prefeitura.

O Executivo santista elaborou um projeto de lei para a criação de um “fundo dos parques”, para onde o dinheiro da bilheteria passaria a ser destinado. No entanto, o texto ainda não foi enviado ao Legislativo.

“Se o projeto chegar na Câmara, em um mês a gente tira de lá”, comentou o presidente da comissão, que cobrou uma maior agilidade da Prefeitura em enviar o projeto. A estimativa é que este novo fundo possa gerar R$ 2 milhões anuais para serem investidos nos equipamentos.

Furtado explicou qual seria o trabalho da comissão em relação ao Orquidário e voltou a cobrar o projeto do ­Executivo.

“Minha ideia era nivelar a discussão, tornar isso oficial em uma ata, o que estamos fazemos, dentro de uma comissão permanente da Câmara, e dentro dessa comissão apresentar um requerimento. Tornar isso um discurso diferente. Nós vamos encher o saco para minimizar os problemas. O discurso (da Prefeitura) vai ser o da falta de recursos. Mas, antes disso, já estive com o Libório, com o secretário de Finanças. Já está tudo pronto, o caminho está pronto. Já tem a lei pronta, mas quero que saia”. falou o vereador.

Outra sugestão defendida pelo parlamentar é o reajuste no preço da entrada cobrado pelo equipamento, que hoje é de R$ 5,00.

“Há mais de dez anos que isso não ocorre. Eu pago R$ 5,00. No (Café) Carioca, eu pago R$ 4,00 no cafezinho. O bonde, são R$ 10,00 para dar uma volta”, comparou Furtado.

E prosseguiu: “O turista vem aqui, vem passear, vai no restaurante, vai no Vista ao Mar, gasta R$ 1 mil num almoço. E chega aqui e não quer pagar R$ 10,00”, disse o vereador.

O parlamentar também defendeu o fim da isenção do pagamento de entrada para pessoas maiores de 65 anos, o que ele chamou de “paternalismo barato” dado pela Constituição. Na visão de Benedito Furtado, a isenção deveria ser dada somente a quem comprovasse que não tem condições de pagar.

“Ele mostra o imposto de renda, alguma coisa, faz um cadastro na Prefeitura e não paga nada.  Não paga aqui, não paga no ônibus e em outras. Mas não porque ele tem idade. Tem gente hoje que vive até os 100 anos”, comentou o presidente da comissão.

Além do Orquidário, a comissão do Legislativo já havia visitado o Aquário Municipal. O próximo equipamento a receber a visita dos membros da Câmara deve ser o Jardim Botânico.

Outros problemas

Uma das principais preocupações dos funcionários do Orquidário é a falta de segurança. Foram relatados furtos como um celular, uma geladeira e uma escada.

Apesar de possuir um sistema de câmeras de monitoramento, os funcionários alegam que não há guardas municipais para vigiar o espaço, e que a alteração na política de segurança do parque começou após o início da gestão do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).

A limpeza também foi um ponto citado. Segundo o grupo, existe apenas uma funcionária para realizar a limpeza de quatro edifícios, sendo que o contrato dela encerra em junho. Com isso, muitos empregados acabam realizando a limpeza dos banheiros nos locais onde trabalham.

O serviço de varrição, realizado anteriormente pela Terracom, também passou a ser feito por pessoas do próprio ­equipamento.

Outro ponto falado na reunião foi a falta de pessoal. Na manutenção, são seis funcionários, contando com o coordenador. A equipe são de funcionários experientes, com parte acima dos 50 anos e mais de 25 anos de funcionalismo público.

Na educação ambiental, a falta de profissionais já coloca em risco a realização dos cursos de férias realizado pelo ­Orquidário.

Além disso, também foram citados vazamentos e infiltrações.