Funcionários denunciam irregularidades no hospital de Cubatão

Colaboradores reclamam sobre atraso no salário e no 13º, relatam assédio e más condições de trabalho

Os funcionários do Hospital Municipal de Cubatão estão sendo gerenciados por uma nova empresa desde outubro deste ano, mas os problemas ainda são os mesmos. Antes com a Organização Social (OS) Pró-Saúde, hoje com a Associação Hospital Beneficente do Brasil (ABHH), os colaboradores do único hospital da Cidade ainda têm o que reclamar: salários atrasados, falta de pagamento do 13º, férias vencidas, assédio moral, ameaça de demissão por justa causa caso haja reclamação em redes sociais e más condições de trabalho.

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As denúncias foram feitas por funcionários do equipamento anonimamente para evitar represálias. “Não recebemos o salário referente ao mês de novembro. E o 13º também. Virou rotina recebermos atrasado. E a empresa não deu nenhuma satisfação ou resposta oficial”, confirmou funcionária, que trabalha no local há mais de 10 anos. “Já passei por muitas coisas aqui. Mas, nunca vi tão ruim. É triste demais, você trabalhar tanto e ver tudo que você fez ser jogado no ralo”.

Ao ser questionada sobre como ocorreu a transição entre as empresas gestoras do hospital, a colaboradora respondeu ironicamente e afirmou sofrer assédio moral. “Foi, tranquilíssima. Estamos trabalhando cheios de ameaças. Já nos falaram, por diversas vezes, que só podem demitir por justa causa. Que é para tomarmos cuidado com o que postamos no Facebook e o que enviamos por Whatsapp, que tudo isso serve como justificativa. O clima está horrível”, denuncia.

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Segundo a funcionária, o atendimento aos pacientes também está sendo afetado com todo esta situação. “Eu não teria coragem de me internar aqui. Os médicos estão indo embora, principalmente, os melhores. Por falta de pagamento também. Prometeram pagar os médicos a cada 15 dias e já não cumpriram”.

A colaboradora ainda atenta para um detalhe: “Você já viu alguma empresa idônea comprar materiais, medicamentos e alimentos com cartão de crédito? Essa empresa está com o CNPJ sujo. E ninguém quer vender faturado. Só vendem se for à vista. E nós ainda temos que ouvir graças, o dia inteiro, que o problema era a Pró-Saúde”, lamenta. A Reportagem do Diário do Litoral foi investigar e constatou que o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da AHBB tem pendências como protestos e ações civis. 

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Outra colaboradora reclama sobre o atraso no salário e a falta de perspectiva sobre o pagamento das férias. “Nós recebemos no quinto dia útil do mês e até agora nada. Sem previsão de salário nem 13º. A Prefeitura sempre colocou a culpa na antiga gestora e prometeu melhoria com essa nova empresa, mas o que a gente pode ver até agora é que a situação só piorou”.

A funcionária afirma ainda que a promessa de que os direitos trabalhistas estariam garantidos mesmo com a troca de empresa não está sendo cumprida. “Quando a Pró-Saúde saiu e tivemos que ficar (obrigatoriamente) nessa nova empresa, no contrato foi colocado que todos os nossos direitos trabalhistas iam ser garantidos, mas hoje já ouvi boatos que a empresa só quer se responsabilizar pelo décimo referente ao tempo que eles estão aqui, ou seja, dois meses”, denuncia.

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Uma terceira funcionária relata problemas na área clínica do hospital. “Está um caos. Eu estou há dois anos e dois meses de férias vencidas. Eles dizem que, já que tem que pagar a multa, eu vou ter que esperar porque eles alegam não ter dinheiro. Os médicos estão sem receber. Cirurgias foram adiadas porque os anestesistas não foram trabalhar por falta de pagamento”, conta.

E a lista de problemas ­continua: “No meu setor tem 23 pacientes para duas funcionárias. Não conseguimos dar a assistência necessária a cada um. Eles internam, mas não têm funcionário para dar conta”, relata.