Frente fria provoca ressaca ainda maior, ventos fortes e ondas de mais de 2 metros

A mudança no tempo trará ventos fortes, maré acima de dois metros e grande possibilidade de alagamentos

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06 ABR 2020Por Da Reportagem14h57
O Plano Municipal de Contingência para Ressacas e Inundações mantém o estado de alertaFoto: Nair Bueno/DL

A Defesa Civil de Santos alerta para a previsão de ressaca intensa a partir desta quarta-feira (8), que será ocasionada pelo avanço de nova frente fria, associada a um ciclone extratropical. A mudança no tempo trará ventos fortes, maré acima de dois metros e grande possibilidade de alagamentos.

Segundo a previsão do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH) da Universidade Santa Cecília (Unisanta), na região da baía de Santos a maré pode ultrapassar 2,05m na quarta (8) e 2,15m na quinta (9), um aumento de 65cm em relação à tábua das marés. No estuário, o nível do mar deve ultrapassar 2,20m na quarta(8) e 2,30m na quinta (9). Com relação à agitação marítima, a previsão é de ondas elevadas a partir de quarta, podendo ultrapassar 3,5 metros na baía de Santos.

O Plano Municipal de Contingência para Ressacas e Inundações mantém o estado de alerta, com expectativa de chuva moderada nos próximos dias, com volume entre 15 e 35mm. Há risco de pancadas de chuva forte já nesta terça-feira (7) e a quarta poderá contar com nebulosidade elevada e chuva fraca.

Se as previsões se mantiverem, há possibilidade de alagamentos e de impactos significativos nas estruturas urbanas. "É importante que a população acompanhe a previsão do tempo, principalmente moradores da Zona Noroeste e de prédios da Ponta da Praia. Os alagamentos podem atingir estacionamentos no subsolo desses edifícios".

Moradores que queiram receber alertas da Defesa Civil pelo celular podem enviar o CEP de sua residência para o número 40199. Em casos de emergência, devem ligar para o órgão pelo telefone 199.

Mais intenso

A coordenadora do NPH, Alexandra Franciscatto Sampaio, explica que o cenário que será verificado nos próximos dias será mais intenso do que o do último final de semana, quando uma frente fria também causou maré alta e agitação marítima. Na ocasião, a ressaca atingiu o litoral da região Sul. No Sudeste, a costa do Rio de Janeiro também foi afetada.

"Não sabemos exatamente qual será a resposta desta ressaca em todo litoral, porque atuamos com mais precisão no litoral central de São Paulo (baía e estuário de Santos e São Vicente). Mas, devido à magnitude do evento, estão previstos impactos em todo o Litoral Paulista".

Geobags

Região que pode ser atingida por ressacas como a do último final de semana, a Ponta da Praia é o local onde foi implantado o projeto piloto para a instalação dos geobags, que formam uma barreia submersa para reverter a tendência de erosão da praia.

De acordo com Eduardo Kimoto Hosokawa, vice-coordenador da Comissão Municipal de Adaptação do Clima, os geobags têm apresentando importantes resultados e colaboram nas decisões importantes para o enfrentamento de eventos climáticos extremos. "As ressacas vão continuar em eventos extremos. Os bags diminuem o impacto das ondas, mas a água, que vem com areia em suspensão, passa por cima e deixa a areia retida. A finalidade é armazenar essa areia para retomarmos a posição inicial da praia. Sem os bags, as consequências das ressacas seriam piores".

Um dos coordenadores do projeto, o professor doutor Tiago Zenker Gireli, da Unicamp, explicou que os 49 bags atuam no trecho onde estão instalados, em formato de L. "O efeito é extremamente benéfico, porque as ondas perdem força. Mas, sozinhos, eles não podem impedir a ressaca. Com o tempo e a ação dos bags, a praia crescerá novamente e provocará a arrebentação das ondas antes que atinjam as pedras".