Cotidiano
Mais de 2,6 mil amostras encontradas durante obras ajudam cientistas a reconstruir a história geológica da região, revelando mudanças ambientais ocorridas ao longo de milhões de anos
Durante trabalhos de salvamento paleontológico e obras de energia, foi resgatado um conjunto de fósseis, indicando a potencial existência de um oceano antigo / Unsplash/Ashleigh Joy Photography
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Durante um trabalho de salvamento paleontológico, realizado paralelamente a obras de uma linha de transmissão de energia das regiões de Campos Gerais e Norte Pioneiro, foi resgatado um conjunto de fósseis de um antigo oceano que cobria parte do atual território do Paraná, há cerca de 400 milhões de anos. Os vestÃgios foram incorporados ao acervo cientÃfico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
No total, cerca de 2,6 mil amostras foram coletadas ao longo de nove meses de monitoramento das escavações. Os registros fósseis abrangem organismos que viveram entre aproximadamente 400 milhões e 280 milhões de anos atrás, perÃodo no qual o ambiente da região passou por profundas transformações geológicas e climáticas.
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Segundo o paleontólogo responsável pela coordenação do salvamento, Henrique Zimmermann Tomassi, os fósseis confirmam evidências geológicas de que áreas hoje localizadas no interior do Paraná estiveram submersas por um mar raso durante o PerÃodo Devoniano.
Os fósseis foram encontrados no Paraná, representando uma potencial vida marinha antiga, incluindo vestÃgios de animais como moluscos, algas e peixes considerados primitivos. Unsplash/David ClodeUma grande parte dos fósseis encontrados pertence a organismos marinhos invertebrados, incluindo moluscos, algas e vermes, além de registros de peixes primitivos. Em determinados locais, especialmente no norte do estado, fósseis associados a ambientes de água doce também foram identificados, indicando mudanças progressivas nas condições ambientais.
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As evidências adquiridas refletem transformações geológicas ocorridas na chamada Bacia do Paraná, uma grande bacia sedimentar que acumulou sedimentos durante centenas de milhões de anos. Na era Devoniana, há aproximadamente 419 milhões e 359 milhões de anos atrás, a parte do sul do Brasil esteve submersa por mares rasos, resultando no desenvolvimento de diversas formas de vidas marÃtimas.Â
Os fósseis foram obtidos durante a realização de um processo conhecido como salvamento paleontológico, no qual há a possibilidade de obras de grande porte impactaremáreas com potencial fossilÃfero. Nesse tipo de atividade, escavações são acompanhadas por equipes de especialistas, a fim de identificar e coletar fósseis antes de sua destruição.
Conforme pesquisadores envolvidos no projeto, a região dos Campos Gerais é considerada uma das zonas mais ricas em registros paleontológicos do Brasil, fator que explica os achados durante obras de infraestrutura.
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Em muitos casos, as cavidades abertas nas rochas permanecem expostas por pouco tempo antes de serem preenchidas com concreto ou terra, exigindo rapidez na coleta do material cientÃfico.
Os materiais encontrados foram armazenados pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), podendo ser fatores essenciais à compreensão da vida marinha antiga. Unsplash/Markus SpiskeApós o resgate, as amostras passam por um processo de catalogação e armazenamento nas coleções cientÃficas da UEPG. Os recursos servirão como base para estudos acadêmicos, podendo contribuir aos estudos sobre a evolução da vida e dos ambientes naturais no sul brasileiro.
Segundo especialistas, uma única amostra pode conter dezenas ou até centenas de organismos fossilizados, ampliando significativamente o valor cientÃfico do conjunto coletado.
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Adicionalmente, parte do material poderá integrar futuras exposições do Museu de Ciências Naturais da Universidade, contribuindo à divulgação cientÃfica e à preservação do patrimônio paleontológico brasileiro.
No Brasil, os fósseis são considerados patrimônio da União e sua coleta sem autorização do governo federal é estritamente proibida.
Deste modo, recomenda-se que, ao encontrar um possÃvel fóssil, moradores locais não retirem o material do local e procurem instituições especializadas, como Universidades ou museus, para que a coleta seja realizada adequadamente.
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No Brasil, os fósseis obtidos são considerados patrimônios cientÃficos; portanto, caso haja alguma descoberta desse porte, é necessário entrar em contato com instituições especializadas, como Universidades ou museus. Unsplash/Yena Kwon*O texto contém informações dos portais Tribuna, A Rede, Bem Paraná, Ead.UEPG e D'Ponta News