Cotidiano

Fora do prato: por que o camarão não deve ser consumido durante a quaresma

Período de defeso do camarão coincide com a Quaresma e levanta debate sobre consumo e preservação ambiental

Isabella Fernandes

Publicado em 18/02/2026 às 13:01

Atualizado em 19/02/2026 às 12:31

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A Quaresma é tradicionalmente marcada pela substituição da carne vermelha por peixes e frutos do mar. / Pixabay

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A Quaresma é tradicionalmente marcada pela substituição da carne vermelha por peixes e frutos do mar. O camarão, por não ser considerado carne na tradição católica, costuma ganhar espaço nas mesas, principalmente às sextas-feiras. Neste ano, porém, o período religioso coincide com uma restrição importante: o defeso do camarão.

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Desde o fim de janeiro, está em vigor no Litoral Norte de São Paulo o período de defeso, que proíbe a pesca de determinadas espécies para proteger o ciclo reprodutivo dos crustáceos. A medida segue até 30 de abril e também se aplica a outras regiões do Sudeste e do Sul, conforme portaria federal publicada em 2022.

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Durante a Quaresma, a Igreja Católica orienta a abstinência de carne vermelha, mas permite o consumo de peixes e frutos do mar. Pixabay
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O camarão é considerado permitido na Quaresma porque não é classificado como carne de animal terrestre. Pixabay
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O período de defeso do camarão vai até 30 de abril em várias regiões do Sudeste e Sul do Brasil. Pixabay
O período de defeso do camarão vai até 30 de abril em várias regiões do Sudeste e Sul do Brasil. Pixabay
O defeso existe para proteger o ciclo reprodutivo de espécies como camarão-rosa e sete-barbas. Pixabay
O defeso existe para proteger o ciclo reprodutivo de espécies como camarão-rosa e sete-barbas. Pixabay
Mesmo durante o defeso, é permitido vender camarão capturado antes do início da proibição. Pixabay
Mesmo durante o defeso, é permitido vender camarão capturado antes do início da proibição. Pixabay
A Quaresma dura 40 dias porque faz referência ao tempo que Jesus passou no deserto em jejum e oração. Pixabay
A Quaresma dura 40 dias porque faz referência ao tempo que Jesus passou no deserto em jejum e oração. Pixabay
A única exceção à proibição envolve o camarão-branco, desde que não seja utilizado arrasto motorizado. Pixabay
A única exceção à proibição envolve o camarão-branco, desde que não seja utilizado arrasto motorizado. Pixabay
Sexta-feira Santa é o dia mais tradicional de consumo de peixe e frutos do mar no calendário cristão. Pixabay
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Durante a Quaresma, a procura por camarão costuma aumentar, o que pode influenciar os preços. Pixabay
Durante a Quaresma, a procura por camarão costuma aumentar, o que pode influenciar os preços. Pixabay
Além do aspecto religioso, a Quaresma também é vista como um período de reflexão sobre consumo consciente. Pixabay
Além do aspecto religioso, a Quaresma também é vista como um período de reflexão sobre consumo consciente. Pixabay
O encontro entre Quaresma e defeso reforça a importância de unir tradição religiosa e preservação ambiental. Pixabay
O encontro entre Quaresma e defeso reforça a importância de unir tradição religiosa e preservação ambiental. Pixabay

Quais espécies estão proibidas

Durante o defeso, não podem ser capturados camarão-rosa, sete-barbas, camarão-branco, santana (ou vermelho) e barba-ruça. A pausa é considerada essencial para garantir que os animais completem seu ciclo de reprodução e que os estoques naturais sejam renovados.

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A comercialização segue permitida apenas quando o produto foi pescado antes do início do defeso e desembarcado até 30 de janeiro. O descumprimento pode gerar multas, apreensão de embarcações e equipamentos.

Exceção prevista em lei

A legislação abre uma exceção para o camarão-branco (Penaeus subtilis), cuja pesca pode ocorrer durante o defeso desde que não utilize arrasto com tração motorizada e respeite as normas ambientais.

Fé, consumo e responsabilidade

Na prática, o cenário impacta diretamente o consumo durante a Quaresma. Com menor oferta de produto fresco, o consumidor pode encontrar preços mais elevados ou optar por camarão congelado de outros períodos e regiões.

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Para autoridades do setor, respeitar o defeso é fundamental para manter a atividade pesqueira sustentável. O secretário adjunto de Agricultura e Pesca de Ubatuba, José Mário Nespoli Mariko, destaca que a medida garante a reprodução das espécies e o sustento das futuras geraações de pescadores.

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