Folha de S. Paulo denuncia clonagem de contêineres no Porto de Santos

O esquema fraudulento de troca de contêineres de mercadorias por cofres idênticos com areia e pedra está sob investigação da PF há três meses

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04 FEV 201322h20

Esquema criminoso de clonagem de contêineres no Terminal privado da Santos Brasil, na margem esquerda do Porto de Santos, foi denunciado em reportagem publicada na edição de ontem, do Jornal Folha de S. Paulo.

O esquema fraudulento que consiste na troca de contêineres com mercadorias por outros idênticos com areia, considerado ‘lenda urbana’ pela Polícia Federal, está sendo investigado há três meses. O esquema foi comprovado pela primeira vez.

Conforme matéria da Folha, a investigação corre sob segredo de Justiça e está a cargo da Delegacia Especial de Polícia Marítima (Depon) da Polícia Federal, em Santos.

A estratégia da quadrilha é considerada engenhosa pelos investigadores. Consiste na troca do contêiner com carga por outro idêntico — mesmo tamanho, cor, numeração e até peso. Só que cheio de material sem valor.

As investigações começaram em maio, quando representantes do Terminal de Contêineres (Tecon) da Santos Brasil, procuraram a Depom e a Receita Federal para relatar a suspeita de que haveria no pátio pelo menos um contêiner com indícios de numeração adulterada.

Videogames

Uma carga de 24 toneladas de videogames importados seria substituída por contêineres clonados, contendo só areia e pedras. Três contêineres considerados ‘gigantes’ foram encontrados por policiais federais e especialistas da Alfândega. Esses cofres, os maiores existentes, com área total de 95 metros quadrados foram localizados próximos a outros três com características idênticas.

Dentro de três contêineres havia aparelhos de PlayStation (videogame) que abasteceriam o mercado brasileiro. Eles estavam em área supervisionada pela Receita. A mercadoria foi apreendida como carga suspeita de contrabando.

Nos outros três, foram encontrados pedras, areia, material variado, mas sem valor algum. O peso do conteúdo dos seis contêineres era similar: oito toneladas cada um.

Os contêineres com entrada formal no Tecon da Santos Brasil chegaram em datas próximas, trazidos do México, dos EUA e da Colômbia. Para a polícia, a quadrilha conseguiu entrar no terminal com os três contêineres falsos utilizando-se de documentação forjada, com o objetivo de trocá-los pelos que haviam sido apreendidos.

Dentro do terminal, integrantes do bando teriam adulterado as numerações dos falsos contêineres, tornando-as iguais às daqueles trazidos do exterior. O terminal não recebe contêineres com a mesma numeração. Os criminosos planejavam retirar os contêineres com videogames, deixando-os com entulho no lugar.

A Polícia suspeita que a quadrilha teve acesso a informações internas sobre peso, carga e características externas dos contêineres, de modo a montar com perfeição as estruturas que os substituiriam.

O terminal informou que monitora toda a área de contêineres com 150 câmeras, cujas gravações são armazenadas por seis meses. Para entrar no terminal, ainda segundo a empresa responsável, além da apresentação de documento oficial, a pessoa é fotografada e submetida a exame de coleta de impressões digitais.

Esse material está à disposição da PF, que aguarda a chegada do laudo pericial para iniciar os interrogatórios. Pelo menos 15 pessoas deverão ser ouvidas pelo delegado Fábio Amorim, presidente do inquérito.