Fim dos voos prejudica petroleiros

Agora, trabalhadores precisam viajar até o Aeroporto de Jacarepaguá para depois chegar às plataformas

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17 DEZ 2018Por Glauco Braga09h30
Sindicato da categoria diz que mais de 1 mil petroleiros foram prejudicados, além do comércioSindicato da categoria diz que mais de 1 mil petroleiros foram prejudicados, além do comércioFoto: Divulgação/PMI

O que era um viagem de perto de uma hora de duração transformou-se em um dia. Esse é o drama vivido pelos petroleiros da região que atuam nas plataformas de Merluza e Mexilhão, que ficam na Bacia de Santos.

O Aeroporto de Itanhaém foi privatizado pelo Governo de Estado, em 2017. O Consórcio Voa-SP ganhou a licitação para exploração dos serviços. Em abril deste ano, a empresa suspendeu os voos que ligavam à cidade até as plataformas da Petrobras. Além das equipes de manutenção da estatal e terceirizados, perto de 100 pessoas perderam seus empregos. O número aumenta quando são abordados os trabalhadores que seguiam para as plataformas, entre 100 e 1 mil, contando funcionários e ­terceirizados.

A logística para quem precisa se deslocar para as plataformas piorou muito, de acordo com o apurado pela Reportagem do Diário do Litoral. O funcionário precisa chegar ao prédio da Petrobras, no Valongo, e de lá segue de carro para o aeroporto de Congonhas, na Capital. De lá, segue de avião até o Aeroporto de Jacarepaguá, na Barra da Tijuca. Fica hospedado um dia em hotel. Depois os petroleiros seguem de helicóptero até as plataformas petrolíferas. 

Fabíola Carreira Calefi, diretora do Sindicato dos Petroleiros do Litoral, disse que os voos foram suspensos em maio deste ano. “Houve uma tentativa de negociação com o novo administrador, mas os valores foram incompatíveis. Além dos problemas que os petroleiros começaram a enfrentar, a Cidade sentiu os reflexos da saída de todo esse pessoal”.

Ela lembrou que mais de 1 mil petroleiros foram prejudicados. “Esse número oscilava um pouco, pois dependia das obras das terceirizadas. Eram voos diários. Uns dias com mais outros com menos trabalhadores. Isso movimentava o comércio, hotéis, pousadas, restaurantes de Itanhaém”.

O consórcio é formado pela Terracom Construções (líder do grupo com 42,5% das ações), Estrutural Concessões de Rodovias (29,51%), MPE Engenharia e Serviços S.A. (15%), Nova Ubatuba Empreendimentos e Participações LTDA (12,5%) e ALC Participações e Empreendimentos (0,49%). A Reportagem entrou em contato com a VOA-SP, porém, o consórcio  encaminhou o pedido de esclarecimentos para o gestor do Aeroporto, Carlos Reinaldo Pinto. Carlos, então, pediu para que a Reportagem conversasse com a assessoria de imprensa, mas não houve retorno.

Petrobrás

"Mudança é definitiva", diz

 “A transferência das operações para o aeroporto de Jacarepaguá possui caráter definitivo, pois gera economia para a Petrobras. As operações do aeroporto de Itanhaém atendiam as plataformas de Merluza e Mexilhão, realizando uma média semanal de 10 voos para embarcar cerca de 90 passageiros nas duas plataformas. A logística dos trabalhadores das plataformas de Merluza e Mexilhão é a mesma dos trabalhadores das demais Unidades. Os voos realizados pelo aeroporto de Jacarepaguá atendem as várias plataformas, sondas e embarcações”.