Fim da evolução? Por que a Geração Z é a primeira da história a ser menos inteligente do que os pais

O neurocientista Jared Horvath aponta o colapso da memória e do raciocínio lógico entre os jovens

Um dos fatores apontados para o declínio cognitivo é o uso intenso de tecnologia

Um dos fatores apontados para o declínio cognitivo é o uso intenso de tecnologia | Freepik/wayhomestudio

Uma pesquisa recente tem gerado debate ao apontar que a Geração Z, formada por jovens nascidos aproximadamente entre o fim dos anos 1990 e o início da década de 2010, apresentou desempenho inferior em diversas habilidades cognitivas quando comparada às gerações anteriores.

De acordo com o estudo, houve queda em praticamente todos os indicadores avaliados, incluindo atenção básica, memória, alfabetização, matemática, função executiva e até resultados em testes de QI.

Uso excessivo de telas entra no centro da discussão

Segundo o neurocientista responsável pela pesquisa, Jared Horvath, um dos fatores apontados para o declínio cognitivo é o uso intenso de tecnologia, especialmente no ambiente educacional e na rotina diária dos jovens.

Em entrevista ao jornal New York Post, ele explicou que adolescentes passam grande parte do dia diante de telas. Mais da metade do tempo em que estão acordados acaba sendo dedicado a celulares, computadores ou tablets.

Para o pesquisador, o cérebro humano não foi projetado para aprender principalmente por meio de conteúdos rápidos ou vídeos curtos. Ele afirma que o aprendizado ocorre de forma mais eficiente por meio da interação humana e de estudos aprofundados.

Mudanças no modelo de ensino também entram no debate

Horvath também argumenta que a introdução crescente de tecnologia nas escolas pode impactar o aprendizado quando substitui métodos tradicionais de ensino. 

Segundo ele, sistemas educacionais que priorizam o uso constante de dispositivos digitais tendem a apresentar resultados cognitivos mais baixos entre os estudantes.

O especialista lembra ainda que o nível de inteligência das gerações vem sendo monitorado desde o final do século XIX. De acordo com ele, a Geração Z, que recentemente foi comprovado que é atingida fortemente pelo estresse, foi a primeira a não apresentar melhora em relação à geração anterior.

Na avaliação do pesquisador, esse cenário representa um alerta para a sociedade sobre os efeitos do ambiente digital na formação das novas gerações e sobre a necessidade de repensar a forma como a tecnologia é utilizada na educação.