O portão abre. É a hora da turma do período da tarde entrar na escola. A aula será no pátio. Cadeiras enfileiradas, telão no palco, a luz se apaga. Vai começar mais uma sessão do Festival de Cinema Nacional realizado na Escola Estadual Luiz D’Áurea, no Parque das Bandeiras, na Área Continental de São Vicente.
O evento acontece há sete anos e tem o objetivo de despertar nos alunos o gosto pela produção cinematográfica brasileira.
“Acho legal o festival. Eles mostram para a gente que filme brasileiro é legal. Que não só tem filme chato”, disse Luiz André, de 12 anos, aluno do sétimo ano. Entre os gêneros preferidos do menino está a comédia.
Luiz contou que vai com o pai três vezes por mês ao cinema. O último filme que assistiu foi Esquadrão Suicida, uma produção norteamericana. Mas é de um clássico brasileiro que tem boas recordações. “Assisti aqui na escola o ‘Meu Pé de Laranja Lima’ e gostei muito. Dos filmes brasileiros que assisti foi o que mais gostei”, afirmou.
Ao lado de Luiz estava Matheus Eduardo, de 13 anos. O aluno do oitavo ano também gosta da iniciativa da escola. “No ano passado eles passaram Minha Mãe é uma peça. Gostei muito da comédia. É uma oportunidade de ver um filme diferente”, afirmou.
O garoto, que sonha ser jogador de futebol e é fã de Sócrates e do ator Fábio Porchat, disse que não assiste tantos filmes atualmente. “Antes o meu pai me levava muito ao cinema e a gente tinha televisão por assinatura em casa. Agora não mais”.
O filme da sessão dos alunos da tarde foi ‘O Menino e o Espelho’, uma adaptação do livro de Fernando Sabino. A produção conta história de um menino que aprende a lidar com os seus conflitos.
Atividade
A coordenadora pedagógica da escola, Giselle Rocha, explicou que o objetivo do projeto é despertar o gosto dos alunos pelas produções nacionais e debater com eles o tema dos filmes.
“Os filmes são escolhidos de acordo com a classificação etária e também pelos temas. O festival foi idealizado por dois professores. Os alunos do sexto ao oitavo ano assistem um filme e os do ensino médio outro. No final do Festival, que dura uma semana, eles fazem uma prova”, destacou Giselle.
O festival acontece todos os anos durante a Semana da Independência, em setembro. A prova avalia os conhecimentos dos alunos sobre o tema abordado nos filmes. “A gente não quer saber se ele decorou o nome do autor, mas se ele absorveu a mensagem. Já houve dia em que uma aluna pediu para não ver o filme porque ela estava vivenciando a problemática abordada em casa”, ressaltou a coordenadora.
O professor de História Abel Soares, um dos idealizadores do Festival, explicou o porquê da iniciativa. “A ideia do festival surgiu da nossa percepção enquanto professor de perceber que os alunos não conheciam ou conheciam pouco o cinema nacional. Partindo dessa análise tivemos a ideia de organizar um festival de cinema só com filmes brasileiros para contrapor o bombardeio de títulos estadunidenses que nossos alunos observam na TV e nas salas de cinema.”
Neste ano, a escola optou em utilizar filmes que abordam a problemática encarada no ambiente educacional.
“A ideia é utilizar os temas trabalhados nos filmes como gatilho de assuntos para serem debatidos em sala.
No festival desse ano foram exibidos filmes que abordaram a falta de estrutura nas escolas, a dificuldade da relação professor aluno e as contradições do universo adolescente”, destacou Soares.
