Novembro passou e um evento já tradicional em Cubatão não aconteceu: o Festival Cubatão Danado de Bom. No ano passado, a quarta edição do evento foi prometida para 2015, mas ficou só no papel e no site de divulgação. A programação com shows e comidas típicas da cultura nordestina não ocorreu e o motivo já é corriqueiro: a crise econômica que afeta a maioria das cidades da Baixada Santista.
No entanto, a Prefeitura de Cubatão não fará como a vizinha Administração vicentina, que cancelou a famosa Encenação da Fundação da Vila de São Vicente por conta da queda na receita. O evento nordestino, já esperado pelos cubatenses todos os anos, foi adiado.
Previsto inicialmente para ocorrer neste mês que finda hoje, o evento será realizado em abril de 2016, dentro da programação de aniversário da Cidade. “O festival, que pela primeira vez terá recursos da Lei Rouanet, também foi adiado a pedido das empresas patrocinadoras/parceiras, que também passam por dificuldades e acharam por bem solicitarem a alteração de data”, explica a Prefeitura.
Uma das empresas parceiras em todas as edições do Cubatão Danado de Bom é a Usiminas. Neste mês, a siderúrgica anunciou que irá paralisar a produção de aço na usina da Cidade, o que pode gerar a demissão de nove mil funcionários diretos e indiretos.
Crise
A Prefeitura de Cubatão é a principal prejudicada com a saída da Usiminas. Segundo palavras da própria prefeita Marcia Rosa, a Cidade “fecha” sem as atividades da siderúrgica. A paralisação da produção de aço só acentua ainda mais a crise financeira do Município, que já sofre com uma queda de 27% na arrecadação anual.
Com o agravamento da crise financeira, em outubro deste ano, a Administração cubatense tomou medidas para evitar a paralisação de serviços públicos, o que inclui o adiamento do Festival Danado de Bom. A prefeita Marcia Rosa determinou redução de 25% nos gastos de todas as áreas do Governo, aprofundando ainda mais os cortes que estão sendo implantados de forma gradativa desde o início do ano.
Para garantir a implantação dessas medidas, que fazem parte do chamado Plano de Readequação Financeira do Município, foi criado um Comitê Permanente de Negociação e Acompanhamento Econômico-financeiro, formado pelas Secretarias de Finanças, Assuntos Jurídicos e Gabinete do Executivo.
Em 2015, a previsão de arrecadação para Cubatão era de cerca de R$ 983 milhões. No entanto, um prognóstico atualizado da Secretaria de Finanças estima um valor máximo de R$ 800 milhões. Os indicadores do primeiro semestre são ainda menores: até junho, a expectativa de arrecadação era de R$ 525 milhões, mas entraram apenas R$ 434 milhões nos cofres do município.
