Feirantes são homenageados hoje

Tradicionais em muitos países, as feiras livres oferecem produtos mais frescos, preços mais acessíveis, simpatia, beleza a céu aberto e claro, muito barulho.

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25 AGO 2018Por Vanessa Pimentel11h17
“Quem quer silêncio faz compras no shopping, no mercado. Aqui a gente vende é no grito.”, diz Cristiano, de 35 anos e 20 de feira.“Quem quer silêncio faz compras no shopping, no mercado. Aqui a gente vende é no grito.”, diz Cristiano, de 35 anos e 20 de feira.Foto: Rodrigo Montaldi/DL

“Caiu, caiu, caiu”, grita o moço. A cliente para e começa a procurar no chão o que foi que caiu.  “Caiu o preço da uva”, completa. A moça dá risada e segue puxando seu carrinho ao perceber que era brincadeira do feirante.

Tradicionais em muitos países, as feiras livres oferecem produtos mais frescos, preços mais acessíveis, simpatia, beleza a céu aberto e claro, muito barulho. “Quem quer silêncio faz compras no shopping, no mercado. Aqui a gente vende é no grito. Essa é a estratégia que ajuda a esvaziar a barraca”, diz Cristiano, de 35 anos e 20 de feira. 

E para homenagear esses trabalhadores que madrugam, mas não perdem o bom humor, o dia 25 de agosto foi o escolhido para a comemoração. 

A barraca de frutas em que Cristiano trabalha emprega mais sete funcionários, todos com gogó afiado quando se trata de chamar a atenção do consumidor. “É tradição na feira né, sem grito não é feira. O clima é descontraído e os clientes acabam virando amigos. No mercado o povo gasta R$300 e o caixa nem olha na sua cara, aqui você gasta R$5 e a gente sorri pra você”, brinca. 

Amauri Junior, de 23 anos, é dono, ao lado do pai, de duas barracas de verduras. A rotina não é fácil: a feira acaba às 15h; ele mora em Suzano, então todo dia leva em torno de uma hora e meia para voltar pra casa; chegando lá, já corre para o fornecedor para abastecer de novo o caminhão. Dorme às 22h, acorda às 2h da madrugada e segue para mais um dia de trabalho. Este processo logístico emprega 10 funcionários. 

Vida entre as flores

Maria Creuza Mendes tem 62 anos e trabalha com flores há mais de 40. Ela começou como funcionária de uma floricultura em Santos e a dona da loja foi quem lhe ensinou a fazer arranjos. 

Após alguns anos, Creuza foi transferida para a barraca de flores que a chefe tinha na feira. “Quando ela quis vender, eu assumi o negócio”.

A partir daí, ela e o marido seguiram firmes no ramo e criaram os três filhos na feira. A empreitada deu certo e atualmente a família cuida de duas barracas de flores na feira, além da Floricultura Cléber Flores, no Embaré.

“Pra você conseguir crescer na vida precisa amar o que faz e eu amo o que faço. Me sinto feliz aqui no meio das flores e toda venda é cheia de história porque tem marido que leva flor pra esposa, senhoras que gostam de manter a casa enfeitada, é um negócio bonito”, declara. 

Dia do Feirante

A data foi criada em virtude da realização da primeira feira livre do Brasil, no ano de 1914, na cidade de São Paulo.

Os chacareiros da época, a maioria deles imigrantes portugueses, não sabiam o que fazer com os produtos que não haviam sido comercializados nos empórios e quitandas. Com o apoio da prefeitura conseguiram vender os produtos que sobravam diretamente para os consumidores, iniciando suas atividades no Largo General Osório.

Na época, Washington Luis era o prefeito de São Paulo e foi quem oficializou as feiras livres no Brasil, a partir do Ato 625.