Críticos defendem que transformar o local em hotel de luxo ignora aspectos históricos / Vladimir Benincasa/Wikimedia Commons
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A Fazenda Pau d’Alho, em São José do Barreiro, pode se transformar em um hotel de luxo em breve. O local é famoso por hospedar Dom Pedro I antes da Proclamação da Independência e agora atrai olhares de investidores.
O plano de concessão privada enfrenta forte resistência da comunidade local e de órgãos de preservação. O projeto prevê a construção de um complexo com 60 quartos e experiências que misturam história e turismo.
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Atualmente, o Ministério do Turismo conduz uma consulta pública para avaliar a viabilidade do empreendimento. O contrato estipula que a iniciativa privada administre o espaço histórico paulista por 45 anos.
A iniciativa privada pretende construir um complexo de 8.300 metros quadrados para atrair turistas de alto poder aquisitivo. Com diárias superiores a 1,6 mil reais, o hotel busca oferecer uma vivência histórica única .
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Contudo, a magnitude da obra gera preocupação, pois o complexo é protegido pelo Iphan desde 1968. Especialistas alertam que intervenções em áreas tombadas podem comprometer a integridade do patrimônio nacional.
Além disso, o projeto levanta discussões sobre a descontextualização do passado escravocrata da fazenda. Críticos defendem que transformar o local em hotel de luxo ignora aspectos cruciais da história do café.
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A população de São José do Barreiro demonstra descontentamento com a proposta de hotelaria em larga escala. De acordo com os moradores, a cidade não possui infraestrutura básica para suportar o fluxo esperado.
Junior Meireles, presidente do Instituto Pau D’Alho, afirma categoricamente: “São José do Barreiro não comporta”. Ele ressalta que a região do Vale Histórico já recebe um volume considerável de visitantes anuais.
Segundo o estudo de viabilidade, a fazenda sozinha receberia 45 mil hóspedes por ano após a reforma. Esse número iguala a quantidade total de turistas que visitam toda a região do Vale Histórico atualmente.
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Outro ponto crítico envolve a preservação das estruturas originais da fazenda construída em 1818. O peso excessivo de milhares de visitantes anuais poderia danificar as fundações e paredes do complexo histórico.
Inclusive, ambientalistas alertam para os perigos que a obra representa para a Mata Atlântica local. A área das novas construções abriga cursos d’água importantes que podem ser afetados pelo hotel de luxo.
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Por fim, a consulta pública segue aberta para que a sociedade civil manifeste suas opiniões sobre o futuro. O governo prorrogou o prazo em novembro para garantir uma participação mais ampla da população.