Cotidiano

Fazenda que hospedou Dom Pedro I pode virar hotel de luxo e gera polêmica em SP

Projeto prevê investimento privado e diárias de 1,6 mil reais em patrimônio histórico tombado

Agência Diário

Publicado em 08/02/2026 às 22:45

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Críticos defendem que transformar o local em hotel de luxo ignora aspectos históricos / Vladimir Benincasa/Wikimedia Commons

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A Fazenda Pau d’Alho, em São José do Barreiro, pode se transformar em um hotel de luxo em breve. O local é famoso por hospedar Dom Pedro I antes da Proclamação da Independência e agora atrai olhares de investidores.

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O plano de concessão privada enfrenta forte resistência da comunidade local e de órgãos de preservação. O projeto prevê a construção de um complexo com 60 quartos e experiências que misturam história e turismo.

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Atualmente, o Ministério do Turismo conduz uma consulta pública para avaliar a viabilidade do empreendimento. O contrato estipula que a iniciativa privada administre o espaço histórico paulista por 45 anos.

A Fazenda Pau d'Alho é um dos mais importantes patrimônios históricos do Vale do Paraíba / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A Fazenda Pau d'Alho é um dos mais importantes patrimônios históricos do Vale do Paraíba / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
Construída no século 19, a fazenda foi um dos grandes símbolos do ciclo do café em São Paulo / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
Construída no século 19, a fazenda foi um dos grandes símbolos do ciclo do café em São Paulo / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
O conjunto arquitetônico preserva características marcantes do período imperial brasileiro / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
O conjunto arquitetônico preserva características marcantes do período imperial brasileiro / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A fazenda guarda registros da economia cafeeira e das relações sociais da época / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A fazenda guarda registros da economia cafeeira e das relações sociais da época / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
O local ajuda a compreender o papel do Vale do Paraíba no desenvolvimento do Brasil / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
O local ajuda a compreender o papel do Vale do Paraíba no desenvolvimento do Brasil / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A Fazenda Pau d'Alho foi cenário de importantes transformações econômicas e culturais / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A Fazenda Pau d'Alho foi cenário de importantes transformações econômicas e culturais / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
Hoje, o espaço funciona como referência para estudos históricos e preservação da memória / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
Hoje, o espaço funciona como referência para estudos históricos e preservação da memória / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A propriedade integra o patrimônio histórico de São José do Barreiro / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A propriedade integra o patrimônio histórico de São José do Barreiro / Vladimir Benincasa/Grupo de Pesquisa Patrimônio, Cidades e Territórios/Wikimedia Commons
A Fazenda Pau d'Alho conecta passado e presente ao manter viva a história regional / Elizeu Marcos Franco/Wikimedia Commons
A Fazenda Pau d'Alho conecta passado e presente ao manter viva a história regional / Elizeu Marcos Franco/Wikimedia Commons

O impacto do projeto na história paulista

A iniciativa privada pretende construir um complexo de 8.300 metros quadrados para atrair turistas de alto poder aquisitivo. Com diárias superiores a 1,6 mil reais, o hotel busca oferecer uma vivência histórica única .

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Contudo, a magnitude da obra gera preocupação, pois o complexo é protegido pelo Iphan desde 1968. Especialistas alertam que intervenções em áreas tombadas podem comprometer a integridade do patrimônio nacional.

Além disso, o projeto levanta discussões sobre a descontextualização do passado escravocrata da fazenda. Críticos defendem que transformar o local em hotel de luxo ignora aspectos cruciais da história do café.

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Resistência local e desafios estruturais

A população de São José do Barreiro demonstra descontentamento com a proposta de hotelaria em larga escala. De acordo com os moradores, a cidade não possui infraestrutura básica para suportar o fluxo esperado.

Junior Meireles, presidente do Instituto Pau D’Alho, afirma categoricamente: “São José do Barreiro não comporta”. Ele ressalta que a região do Vale Histórico já recebe um volume considerável de visitantes anuais.

Segundo o estudo de viabilidade, a fazenda sozinha receberia 45 mil hóspedes por ano após a reforma. Esse número iguala a quantidade total de turistas que visitam toda a região do Vale Histórico atualmente.

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Riscos ambientais e preservação física

Outro ponto crítico envolve a preservação das estruturas originais da fazenda construída em 1818. O peso excessivo de milhares de visitantes anuais poderia danificar as fundações e paredes do complexo histórico.

Inclusive, ambientalistas alertam para os perigos que a obra representa para a Mata Atlântica local. A área das novas construções abriga cursos d’água importantes que podem ser afetados pelo hotel de luxo.

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Por fim, a consulta pública segue aberta para que a sociedade civil manifeste suas opiniões sobre o futuro. O governo prorrogou o prazo em novembro para garantir uma participação mais ampla da população.

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