Cotidiano

A amizade é tudo: fator ignorado por tutores pode comprometer a qualidade de vida dos pets

Estudos na área de comportamento animal apontam que cães são animais altamente sociais e que a interação regular com outros indivíduos da mesma espécie contribui diretamente para o equilíbrio emocional e comportamental

Igor de Paiva

Publicado em 12/04/2026 às 14:30

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Alguns alimentos podem ser fatais para o seu cachorro / Imagem gerada por IA

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Assim como os humanos, os cães também constroem vínculos sociais importantes. A convivência com outros animais contribui diretamente para o equilíbrio emocional, ajuda a reduzir comportamentos ligados à ansiedade e estimula hábitos mais saudáveis no dia a dia. Em ambientes supervisionados, a socialização permite que aprendam limites, interpretem melhor a linguagem corporal e desenvolvam formas mais adequadas de interação.

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Estudos na área de comportamento animal apontam que cães são animais altamente sociais e que a interação regular com outros indivíduos da mesma espécie contribui diretamente para o equilíbrio emocional e comportamental.

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De acordo com Bruno Alvarez, gestor do Clube AuAu, a socialização é um dos principais fatores para o desenvolvimento comportamental dos animais. “Cães são uma espécie social por natureza. Quando convivem com outros cães de forma segura e orientada, eles aprendem a se comunicar melhor, desenvolvem autocontrole e passam a lidar melhor com frustrações”, explica.

Os reflexos desse tipo de convivência já são percebidos no dia a dia dos tutores/Divulgação

Segundo ele, cães que passam por processos adequados de socialização tendem a apresentar menos reatividade, menos medo e maior confiança em diferentes ambientes. “É como se fosse uma espécie de escola emocional. O animal aprende, na prática, como interagir e se comportar em grupo”, afirma.

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Para garantir uma convivência equilibrada, o processo começa antes mesmo da interação entre os animais. No Clube AuAu, cada cão passa por uma avaliação individual, que considera histórico comportamental, nível de energia, sensibilidade e resposta a estímulos.

“Não existe inserção direta no grupo. Primeiro entendemos o perfil do cão, depois fazemos uma adaptação gradual, com aproximações controladas e sempre supervisionadas”, explica Alvarez. A partir dessa análise, os cães são agrupados conforme compatibilidade de comportamento.

Na prática: tutores relatam mudanças no comportamento dos cães/Divulgação

Os reflexos desse tipo de convivência já são percebidos no dia a dia dos tutores. Entre as mudanças mais relatadas estão a redução da ansiedade, melhora na qualidade do sono e diminuição de comportamentos destrutivos, como roer móveis ou latir excessivamente.

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“Depois de gastar energia física e mental, o cão tende a ficar mais tranquilo em casa. Além disso, ele aprende a se comunicar melhor com outros animais, o que torna até os passeios mais equilibrados”, destaca.

Na prática: tutores relatam mudanças no comportamento dos cães

Na rotina, os impactos da socialização aparecem de forma clara para quem convive com os animais. A tutora Viviane Silveira, responsável por Atum, da raça pharaoh hound, conta que percebeu melhora na interação durante os passeios. “Ele socializa melhor com outros cães na rua e chega em casa mais tranquilo, com aquela sensação de que aproveitou o dia. O mais impressionante foi a rapidez da adaptação. Ele entra e nem olha para trás, ansioso para brincar”, relata.

A tutora Letícia Justo, responsável por Meg (beagle) e Luna (dashhound), também observou mudanças importantes, principalmente relacionadas à ansiedade de separação. “A Meg chorava muito quando ficava sozinha. Com a rotina no clube, ela ficou mais ativa, mais feliz e mais equilibrada. Hoje, ela e a Luna vão juntas e percebemos como ficam mais calmas em casa, até na hora da alimentação”, afirma.

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Já a tutora Fernanda Boteon, responsável por Jack e Aurora, da raça golden retriever, destaca a mudança no comportamento geral dos pets. “Eles ficaram mais calmos em vários aspectos e muito mais felizes em ir para a ‘escolinha’. A socialização, hoje, é uma das principais necessidades para o bem-estar deles”, diz.

A diferença entre cães que convivem regularmente com outros animais e aqueles que passam muito tempo sozinhos também é perceptível. Enquanto os primeiros tendem to desenvolver maior tolerância e equilíbrio nas interações, os segundos podem apresentar dificuldade de comunicação social, insegurança ou até comportamentos mais reativos.

“O convívio social é uma prática. Assim como acontece com pessoas, quanto mais o cão vivencia essas experiências, mais preparado ele se torna para lidar com diferentes situações”, afirma Alvarez.

Para cães que ainda não estão acostumados com esse tipo de interação, a adaptação acontece de forma gradual. O processo inclui ambientação ao espaço, observação do grupo à distância e contato inicial com cães mais equilibrados, que ajudam a conduzir as primeiras experiências.

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“As interações começam de forma breve e supervisionadas, sempre respeitando o tempo do animal. O objetivo é que ele associe a convivência com experiências positivas e seguras”, explica.

Mercado

Com a crescente busca por bem-estar animal, a socialização passa a ser cada vez mais valorizada na rotina dos pets. Mais do que um momento de lazer, ela se consolida como uma ferramenta importante para o desenvolvimento emocional e a qualidade de vida dos cães.

De acordo com o Instituto Pet Brasil, o país segue entre os maiores mercados pet do mundo, com crescimento constante e aumento na procura por serviços voltados ao bem-estar e à rotina dos animais.

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