Farc suspendem cessar-fogo após ataque aéreo da Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias afirmaram em um comunicado que as ações do presidente Juan Manuel Santos são incoerentes

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22 MAI 201516h55

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) suspenderam o cessar-fogo unilateral nesta sexta-feira, após aviões do governo matarem 26 guerrilheiros em um bombardeio. A decisão das Farc e o ataque militar contra os combatentes significam um novo desafio para os oficias do governo e os comandantes da guerrilha que estão tentando negociar um fim para o longo conflito no país.

As Farc afirmaram em um comunicado que as ações do presidente Juan Manuel Santos são incoerentes pois ao mesmo tempo em que negocia com o comando do grupo rebelde em Havana, Cuba, ele ataca os combatentes em solo colombiano. "Não estava em nossa perspectiva suspender o acordo unilateral e indefinido de cessar-fogo que teve início em 20 de dezembro de 2014, como um gesto humanitário. Mas a incoerência do governo Santos nos obrigou a isso", disseram os rebeldes no comunicado.

O presidente Santos, que fez da conquista da paz uma das promessas do seu governo, está sob muita pressão desde que os rebeldes violaram seu próprio cessar-fogo, na noite de 1º de abril, e mataram 11 soldados em um acampamento.

O ataque das Farc, condenado pela opinião pública colombiana, foi um grande golpe para o presidente. Uma pesquisa conduzida pela revista Semana e outros grupos de mídia logo após a morte dos soldados mostrou que o otimismo em relação à desejada paz caiu para 29%, enquanto em novembro passado 42% dos colombianos acreditavam que a paz era possível. A aprovação pública de Santos também caiu para 29%, de 43% no ano passado.

Santos, acompanhado de oficiais militares, anunciou, na manhã desta sexta-feira, que aeronaves bombardearam o chamado 29º fronte das Farc, uma unidade da guerrilha que operava nas florestas do sudoeste colombiano. O presidente pressionou as Farc a acelerarem as negociações, que começaram em novembro de 2012, enfatizando que ele usaria força militar para pressionar o comando do grupo.

"Desde que as conversas sobre a paz começaram, eu tenho sido claro que as operações das forças armadas contra os subversivos não parariam. Que ninguém se deixe enganar. A ofensiva será mantida até que a paz seja alcançada", declarou Santos.

A nova posição sinaliza um movimento reverso do que tem acontecido nos últimos dois meses, quando Santos deu uma entrevista ao Wall Street Journal e disse que suspenderia os bombardeios, sua tática militar mais efetiva. O presidente inclusive declarou, na época, que um acordo de cessar-fogo bilateral era possível.