Famílias pedem ajuda a vereadores contra despejo

Há cerca de uma semana, 55 famílias não dormem direito com medo de serem despejadas do imóvel que já abrigou o antigo manicômio Casa de Saúde Anchieta, na Vila Belmiro

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04 FEV 201321h42

Na última segunda-feira, uma comissão de moradores procurou a Prefeitura e a Câmara Municipal para pedir ajuda, porque desde que o prédio foi arrematado em leilão, 210 moradores estão à mercê de despejo. O leilão foi realizado pela 5ª Vara Federal, no dia 16 de outubro.

Sensibilizada com o drama dos moradores que dizem ter sido surpreendidos pelo advogado que representa o proprietário do imóvel, na última quinta-feira, a vereadora Telma de Souza (PT) visitou as famílias, na manhã de ontem.

Telma disse que intercederá em favor das famílias junto ao Conselho Tutelar, à Secretaria de Assistência Social, ao Fundo Social de Solidariedade, à Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara de Santos, à Prefeitura e à Cohab Santista, para que essas famílias sejam cadastradas em programas habitacionais da Cidade.

Segundo Thaís Cristina da Silva Lopes, uma das integrantes da comissão de moradores, que solicitou ajuda à Prefeitura e à Câmara Municipal, em princípio o advogado tinha dado prazo de três meses para que as famílias desocupassem o prédio, mas na última quinta-feira, determinou a saída em 24 horas, o que deixou as famílias apavoradas.

“A gente vai pra onde agora? Sem dinheiro pra ir pra outro lugar? A gente não é lixo! A gente paga as contas de água e luz, pagava aluguel”, fala desesperada Cristina Couto Gmachl, moradora há nove anos.

Claudete Batista apresentou o contrato de locação assinado por Dolid de Oliveira que, segundo ela, recolhia os pagamentos dos alugueis, das contas de água e luz dos moradores e emitia recibos. 

Moradores disseram que Dolid, que morava em imóvel vizinho, subalugava os cômodos do imóvel. Mas, há oito meses, segundo eles, com corte no fornecimento de energia elétrica, os moradores descobriram que as contas não eram pagas à CPFL e à Sabesp, e que Dolid não teria autorização para subalugar o imóvel. Desde então, os moradores afirmam desconhecer o paradeiro de Dolid. 

Os alugueis, de acordo com Claudete, variavam entre R$ 250 a R$ 350, com as “taxas” de água e luz incluídas. A “taxa” era de R$ 25 para cada uma das contas.

A idosa Maria das Dores Rodrigues mostra o recibo do aluguel pago no valor de R$ 250. “A gente pagava o aluguel e fomos enganados. E agora a gente vai ser despejado, chamaram a gente de invasor, isso é um horror!”.

“Nós temos consciência que temos que sair, mas precisamos de ajuda”, afirma Claudete. Ainda, segundo Claudete, dos 210 moradores, 90 são crianças e 50, idosos.