As fortes chuvas que incidiram sobre a Baixada Santista na madrugada de terça-feira (3) e que, até a publicação desta reportagem, provocaram, 24 óbitos e 25 desaparecidos, continuam, e apontando indícios de futuras tragédias, como o que constatou ontem a Reportagem no Morro do Marapé, em Santos.
O motorista de aplicativo, Carlos Alfredo de Oliveira e toda sua família – mulher, filha e neta – morador da Avenida Doutor Nilo Peçanha, 140, estão apreensivos em relação ao escorregamento de terra e a destruição de parte do muro de arrimo que protege sua casa.
Ontem à tarde, ele disse à Reportagem que já ligou três vezes para a Defesa Civil e não obteve retorno e sequer uma visita. “O muro foi construído pela Prefeitura e já cedeu. A lama invadiu a minha casa e já atingiu móveis – sofá, geladeira e estante. Estou apreensivo e não consigo trabalhar direito com medo que um deslizamento acabe destruindo minha casa e matando toda a minha família”, afirma o motorista.
A esposa de Oliveira, Sandra da Silva de Oliveira, estava ontem com a filha tirando a lama que invadiu vários cômodos da casa. “Não dá para ficar tranquila aqui. Estamos precisando que técnicos venham avaliar a contenção e garantir a nossa segurança”, disse.
Ontem, enquanto a Reportagem esteve no imóvel, outros moradores alertaram pontos sensíveis no Morro do Marapé. Uma moça, que preferiu não se identificar, disse que pretende sair do seu imóvel o rápido possível.
Questão de horário
A Defesa Civil de Santos limitou-se a informar que a ocorrência mencionada por Carlos Alfredo de Oliveira foi atendida na manhã de ontem.
A Prefeitura não disse o que foi feito para garantir a segurança do imóvel e a Reportagem esteve no local e não viu qualquer intervenção ou sinalização alertando sobre o perigo.
A Defesa Civil do Estado informa que as fortes chuvas que incidiram sobre a região da Baixada Santista na madrugada de terça-feira (3) provocaram, até o momento, 24 óbitos e 25 desaparecidos.
A situação por município é a seguinte: Guarujá (19 óbitos e 19 desaparecidos), Santos (três óbitos e cinco desaparecidos) e São Vicente (dois óbitos e um desaparecido).
O número atual de desabrigados é de 118 no Guarujá, três em São Vicente, 150 em Santos e 102 em Peruíbe.
