A família da gestante de 43 anos que faleceu na madrugada do dia 22 de março no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, com sintomas similares ao de pacientes que contraíram o coronavírus, completou 20 dias nesta segunda-feira (13) sem receber o resultado do exame de Covid-19 ao qual ela foi submetida ainda no mês passado.
Bruna Marques Monteiro afirma que a promessa era de que as autoridades médicas divulgariam o resultado do teste da mãe dela ainda durante a terceira semana de março, mas isso não ocorreu e agora não há mais prazo para que o documento chegue. Ela afirma que continua ligando todos os dias para as autoridades em busca de uma resposta, mas até agora, não obteve nenhum retorno.
Cleide Renata Marques era moradora de São Vicente. Ela estava grávida e foi internada no Hospital Guilherme Álvaro após ter desenvolvido febre alta e falta de ar. Depois de dias internada, ela perdeu o bebê e veio a falecer durante as primeiras horas do último dia 22.
De acordo com a filha dela, a promessa, enquanto sua mãe e o bebê ainda estavam vivos, era de que o resultado do exame seria divulgado em poucos dias e que todos os dados estariam na mão dos familiares de Cleide até 25 de março. A promessa foi parcialmente cumprida.
Na manhã do dia 24 ela retornou à unidade de saúde e recebeu, de fato, todos os resultados de exames da mãe, o que incluía tomografia e outros testes. Apenas um resultado estava faltando: o do exame que atestaria ou descartaria se a mulher estava mesmo com o coronavírus.
“Até hoje não tem resultados, todos os dias ligamos [para o Hospital Guilherme Álvaro] e nada. Essa situação já se arrasta desde o dia 16, quando ela fez os primeiros exames”, afirmou Bruna ao Diário do Litoral durante esta semana.
A filha de Cleide revelou à Reportagem que todos os parentes que tiveram contato com sua mãe, e que moram na mesma casa que ela, desenvolveram sintomas similares aos descritos como aqueles que afetam pessoas que contraíram o coronavírus. Bruna afirma que todos eles se mantiveram isolados nos dias seguintes, mas apresentaram coriza, tosse e também febre em dias alternados.
“Hoje nós estamos todos bem graças a Deus, mas teve noites que tivemos dores no corpo, coriza e febre. Nós tratamos com medicamentos em casa e estamos bem, mas não saímos mais de casa, somente para ir ao mercado e vai somente uma pessoa por vez”, explica.
Ela diz que já procurou advogados e pretende processar o Estado devido à demora na chegada dos resultados dos exames.
“Se estavam aguardando o resultado do exame dela, então deixaram de dar vários outros antibióticos para ela”.
Bruna ainda afirma que o velório e enterro de sua mãe foram todos realizados às pressas e que poucas pessoas eram autorizadas a se aproximar do caixão. E mesmo assim, todos precisaram estar equipados.
“Foram duas horas somente de velório, e entrava de duas em duas pessoas. Não podia ficar muita gente e todos estavam de máscaras e luvas”, conclui.
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que não dispõe de informações sobre pacientes e o Governo do Estado de São
Paulo diz que adotou um novo protocolo e não está mais repassando informações sobre casos particulares.
RELEMBRE.
Cleide foi internada no Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, com suspeita de ter contraído o coronavírus, no dia 16 de março. Ela chegou à unidade de saúde após ter se consultado na Maternidade São José, em São Vicente, e no Hospital Municipal da mesma cidade, antes de ter sido liberada pelas equipes médicas.
Depois de ter sido internada em Santos, ela foi isolada em uma sala e só mantinha contato com os familiares por meio de um vidro. Ela sofreu uma piora no seu quadro de saúde no dia 19 e veio a perder o bebê na noite do dia 20.
“Assim que cheguei, a médica me disse: ‘Infelizmente o bebê veio a óbito por conta do ataque de asma dela. Faltou oxigênio pro bebê’. Ela me disse que minha mãe seguia entubada, sedada e recebendo os antibióticos que eram necessários e completou dizendo que até sair o resultado do exame [de coronavírus] eles não poderiam dar nada à base de corticoide pra ela”. A filha da paciente disse ainda que os médicos afirmaram que ‘tudo dependeria dela agora’.
O óbito de Cleide ocorreu durante a madrugada do dia 22. Após sua morte, o prazo para a entrega do exame de coronavírus que ela havia feito não foi cumprido e tampouco foi dada uma nova data para que o documento chegue às mãos de seus parentes.
