Cotidiano

Falha em mapas compromete planejamento e deixa litoral norte vulnerável a tragédias em deslizamentos

Parte importante da área atingida pelos deslizamentos em 2023, no litoral norte, está classificada como de menor perigo nos mapas oficiais, o que não condiz com a realidade

Márcio Ribeiro, de Peruíbe para o Diário do Litoral

Publicado em 19/03/2026 às 18:15

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Em setores como a Vila Sahy, uma das regiões mais atingidas, o estudo mostra que as zonas impactadas pelo deslocamento do solo e das rochas estavam classificadas como de suscetibilidade moderada ou baixa / Unifesp

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Um novo estudo feito pela Unifesp e a USP concluiu que parte importante da área atingida pelos deslizamentos em 2023, no litoral norte de SP, está classificada como de menor perigo nos mapas oficiais, o que não condiz com a realidade.

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Tais mapas não captam a trajetória dos detritos e ainda podem subestimar o risco em zonas habitadas. Esse desencontro tem implicações diretas para o planejamento urbano, a prevenção de desastres e a atuação das equipes de defesa civil durante eventos extremos.

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A pesquisa leva em conta a chuva ocorrida em fevereiro de 2023 — a mais intensa já registrada no Brasil, quando choveu 626 mm em 24 horas. No evento climático extremo, que causou destruição em São Sebastião e Ilhabela, no litoral norte paulista, 46 pessoas morreram.

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A pesquisa leva em conta a chuva ocorrida em fevereiro de 2023 — a mais intensa já registrada no Brasil, quando choveu 626 mm em 24 horas
 

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram imagens de satélite antes e depois do ocorrido e mapearam, com técnicas de aprendizado de máquina, a área efetivamente afetada.

Embora muitos deslizamentos tenham começado em áreas reconhecidas como de alto risco, o material desprendido percorreu encostas e canais naturais até alcançar bairros densamente povoados, que não apareciam como zonas críticas nos mapas usados pelo poder público.

Vila Sahy

Em setores como a Vila Sahy, uma das regiões mais atingidas, o estudo mostra que as zonas impactadas pelo deslocamento do solo e das rochas estavam classificadas como de suscetibilidade moderada ou baixa. De acordo com os pesquisadores, os mapas oficiais mostram onde o deslizamento tende a começar, mas não para onde ele vai. Em 2023, o impacto mais grave ocorreu justamente nas áreas de alcance da lama, que ficavam fora das zonas destacadas como de alta suscetibilidade.

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Segundo os autores, o caso reforça a necessidade de atualizar os mapas de risco no país, incorporando informações sobre trajetória, velocidade e áreas de deposição dos materiais mobilizados. Esses dados, aliados a informações sobre densidade populacional e ocupação, podem melhorar significativamente os instrumentos usados para orientar decisões de emergência e o planejamento de longo prazo dos municípios.

Conforme publicação disponível no portal da Unifesp, o estudo também destaca que boa parte dos deslizamentos começou em áreas de floresta, em encostas com declividade entre 27° e 30° e com maior acúmulo de umidade — condições típicas da Serra do Mar. Mesmo assim, foi o deslocamento do material ao longo do terreno que produziu os danos mais graves nas áreas habitadas.

Segundo os autores, o caso reforça a necessidade de atualizar os mapas de risco no país, incorporando informações sobre trajetória, velocidade e áreas de deposição dos materiais mobilizados
 

O estudo da Unifesp e da USP contou com o apoio financeiro da Fapesp, CNPq e do Programa de Pós-Graduação em Geografia Física (PPGF/USP). O artigo completo, Landslide inventory of the 2023 Serra do Mar disaster (Brazil), foi publicado em acesso aberto na revista Discover Geoscience.

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