Pesquisas indicam que pessoas que falam sozinhas tendem a possuir uma inteligência emocional mais flexível / Pexels
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Se você já se pegou conversando consigo mesmo no carro, na cozinha ou diante do espelho, pode parar de se sentir constrangido. Segundo a psicologia moderna, esse hábito, tecnicamente chamado de fala privada, não é um sintoma de desequilíbrio, mas sim um sinal de funcionamento cognitivo refinado.
Pesquisas indicam que pessoas que verbalizam seus pensamentos tendem a possuir uma inteligência emocional mais flexível e maior capacidade de resolver problemas complexos sob pressão.
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O diálogo interno funciona como uma ferramenta de autorregulação. Quando você fala em voz alta, seu cérebro processa a informação de forma mais lenta e deliberada do que quando apenas pensa, o que ajuda a clarear o raciocínio.
Um estudo clássico de 2011 demonstrou que repetir o nome de um objeto enquanto o procura ajuda o cérebro a ignorar distrações e encontrá-lo mais rápido. É como se a voz atuasse como um "farol" para a atenção, guiando os neurônios diretamente ao objetivo.
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Além da concentração, falar sozinho é uma estratégia de autoeficácia. Atletas de elite e grandes executivos utilizam o "autocoaching" para reduzir a ansiedade antes de desafios.
Ao dizer frases como "Você está preparado" ou "Mantenha o foco", você altera sua percepção de controle sobre a situação, diminuindo os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) e aumentando a confiança.
Para os criativos, a fala em voz alta funciona como um brainstorming portátil. Verbalizar um bloqueio criativo força a mente a dar uma estrutura lógica ao caos, facilitando a descoberta de soluções que estavam ocultas no pensamento abstrato.
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É por isso que muitos escritores e programadores explicam seus problemas para "amigos imaginários" ou objetos na mesa, técnica conhecida como Rubber Ducking.
Embora seja uma ferramenta poderosa, o diálogo interno deve ser positivo. Se as frases forem persistentemente depreciativas ou se o indivíduo começar a ouvir vozes que parecem vir de fontes externas, é importante buscar ajuda profissional. No entanto, para a grande maioria, conversar com o próprio reflexo é apenas a mente trabalhando em sua potência máxima.